Crescimento sem gestão ameaça e-commerce brasileiro, avalia especialista do setor digital

Empresário Henrique Vaz defende profissionalização operacional, controle de margem e construção de comunidade como pilares para operações sustentáveis no varejo online

O avanço acelerado do comércio eletrônico brasileiro vem transformando o setor em um dos ambientes mais competitivos da economia nacional. Ao mesmo tempo em que novas empresas surgem diariamente impulsionadas pela expansão do consumo digital, cresce também o número de operações que não conseguem sustentar o próprio crescimento e encerram atividades poucos anos após entrarem no mercado.

Para especialistas do setor, o problema não está necessariamente na demanda do consumidor, mas na forma como muitas empresas estruturam suas operações. Questões ligadas à gestão financeira, previsibilidade de caixa, dependência excessiva de mídia paga e ausência de planejamento estratégico passaram a ocupar o centro do debate sobre maturidade do varejo digital brasileiro.

Entre os empresários que têm chamado atenção nesse cenário está Henrique Vaz, fundador da HV Negócios Digitais. O catarinense ganhou notoriedade no mercado ao estruturar uma operação de e-commerce voltada ao segmento de moda com foco em performance, verticalização produtiva e construção de comunidades digitais altamente engajadas.

Segundo dados divulgados pela própria companhia e repercutidos em publicações do setor, a operação ultrapassou R$ 40 milhões em faturamento acumulado, mantendo média mensal próxima de R$ 1 milhão em vendas. A empresa também investe aproximadamente R$ 400 mil mensais em campanhas de mídia digital nas plataformas Meta e Google.

O desempenho colocou o empresário entre os convidados do Digital Experience Brasil (DEB), evento voltado ao mercado nacional de negócios digitais. A participação ocorreu após a empresa atingir o marco de mais de R$ 30 milhões em faturamento acumulado.

Na avaliação de Henrique Vaz, grande parte das empresas digitais brasileiras aprende rapidamente a vender, mas ainda falha na construção de uma operação financeiramente sustentável.

“O problema do e-commerce brasileiro não é vender. O problema é manter a operação saudável enquanto cresce. Tem muita empresa aumentando faturamento e destruindo margem ao mesmo tempo. Sem gestão real, crescimento vira risco”, afirma.

Dados recentes do setor reforçam esse cenário. O varejo de moda brasileiro movimentou mais de R$ 314 bilhões em 2025, segundo levantamento do IEMI — Inteligência de Mercado. Já o e-commerce de moda apresentou crescimento de 35% no período, de acordo com a NuvemCommerce. Apesar da expansão, entidades do segmento seguem alertando para desafios relacionados à lucratividade, previsibilidade operacional e aumento do custo de aquisição de clientes.

Segundo o empresário, o domínio técnico de métricas como CAC (Custo de Aquisição de Cliente), ROAS (Retorno Sobre Investimento em Anúncios) e LTV (Lifetime Value) passou a ser determinante para a sobrevivência das operações digitais.

“Hoje não existe espaço para gestão baseada em achismo. Cada detalhe da operação impacta margem. Quem não entende números acaba escalando prejuízo sem perceber”, analisa.

Outro ponto apontado por Vaz como diferencial competitivo é a construção de marcas conectadas emocionalmente ao consumidor. A empresa é responsável pelas marcas Clube Rock e RideNation, voltadas aos nichos de cultura rock e lifestyle automotivo.

Para ele, a criação de comunidade em torno da marca deixou de ser apenas estratégia de marketing e passou a representar vantagem financeira concreta dentro do ambiente digital.

“Quando a marca cria identificação verdadeira, ela reduz dependência de mídia paga, aumenta retenção e melhora ticket médio. Comunidade hoje é ativo estratégico dentro do e-commerce”, afirma.

A HV Negócios Digitais também adotou um modelo de verticalização produtiva através de fábrica própria, permitindo maior controle sobre qualidade, prazo de entrega e velocidade de lançamento de produtos — algo ainda pouco comum dentro do e-commerce nacional de moda.

“Controlar produção significa controlar margem, prazo e capacidade de escala. No digital, velocidade operacional faz muita diferença”, explica.

Para o empresário, o amadurecimento do varejo online brasileiro depende principalmente de três fatores: profissionalização da gestão, visão de longo prazo e desenvolvimento de operações baseadas em previsibilidade.

“Faturamento sozinho não sustenta empresa. O mercado está começando a entender que crescer sem controle pode ser tão perigoso quanto não crescer”, conclui.

Especialistas do setor avaliam que movimentos como o da HV Negócios Digitais refletem uma transformação mais ampla dentro do e-commerce nacional, que passa gradualmente de uma fase marcada pela expansão acelerada para um modelo baseado em eficiência operacional, controle financeiro e capacidade de escala sustentável.

João Costa
João Costa
João Costa é jornalista há mais de 25 anos, com passagem por grandes veículos como Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Veja e CNN Brasil.

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