O setor de compliance e Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD/FT) atravessa um momento crítico de reavaliação operacional. Instituições financeiras e grandes corporações enfrentam hoje um inimigo invisível, mas extremamente oneroso: o falso positivo. Um levantamento da Thomson Reuters indica que cerca de 90% dos alertas ligados à PLD gerados por sistemas de monitoramento tradicionais são irrelevantes. Na prática, isso significa que times inteiros de analistas dedicam a maior parte de sua jornada de trabalho a descartar ruídos, enquanto o risco real pode permanecer camuflado pela sobrecarga de dados.
A raiz do problema reside na arquitetura dos sistemas convencionais. Operando sob regras binárias e estáticas (as chamadas “hard rules”), esses sistemas falham ao ignorar a complexidade do contexto. Se uma transação ou documento foge minimamente de um padrão preestabelecido, o alerta é disparado, independentemente de haver uma justificativa comercial ou legal legítima por trás do ato.
A transição para a IA de raciocínio
Para romper com essa lógica de triagem ineficiente, surge uma nova fronteira tecnológica: os agentes de inteligência artificial (IA) com capacidade de raciocínio. Diferente da IA generativa comum ou dos algoritmos de classificação simples, esses agentes são desenhados para simular as etapas cognitivas de um especialista humano. Eles não apenas processam dados, como também interpretam documentos, cruzam informações de fontes distintas e, em uma etapa crucial, questionam a própria lógica interna antes de emitir um veredito.
“A grande diferença é que não estamos mais falando de uma regra ‘se não é A, então é B’. A IA com raciocínio consegue analisar a nuance. Ela lê um contrato, entende o beneficiário final e cruza isso com o histórico de transações de forma contextualizada”, explica Gustavo Tremel, CEO da VAAS.
O executivo conta que a tecnologia atua como uma primeira camada de inteligência analítica que entrega o caso pronto para a decisão final. “Isso reduz drasticamente o tempo perdido com alertas que nunca deveriam ter sido gerados”, destaca Tremel.
Human-in-the-loop e auditabilidade
Um dos principais obstáculos para a adoção de IA no compliance sempre foi a “caixa-preta” – a dificuldade de explicar por que uma máquina tomou determinada decisão. A nova geração de agentes de raciocínio resolve esse impasse através da auditabilidade. Cada passo do pensamento da IA, desde a coleta de evidências até a conclusão lógica, é registrado de forma estruturada.
Essa abordagem mantém o ser humano no centro da estratégia, no modelo conhecido como human-in-the-loop. Quando a inteligência artificial não atinge um nível de consenso absoluto sobre um risco, o caso é automaticamente elevado para uma mesa de decisão.
Para Simone Vollbrecht, Head de Compliance da VAAS, o objetivo não é a automação cega, mas a precisão operacional. “Ao eliminar o ruído dos falsos positivos, devolvemos ao analista o tempo necessário para investigar casos complexos que realmente exigem sensibilidade humana. O compliance deixa de ser uma função reativa de ‘limpeza de alertas’ para se tornar um pilar estratégico de segurança institucional”, pontua a especialista.
Futuro do setor
Com o aumento da complexidade das redes de fraude e a sofisticação das transações digitais em tempo real, como o Pix e as criptomoedas, a dependência de sistemas de regras fixas tem se mostrado um risco de governança. “A adoção de agentes que interpretam contexto sinaliza uma mudança de paradigma: a transição da conformidade burocrática para a gestão de risco inteligente”, avalia Vollbrecht.
Na visão do CEO da VAAS, para o mercado, a eficiência não é apenas uma questão de redução de custos operacionais. “Quando os times de PLD/FT não estão soterrados em falsos positivos, encontram o espaço que precisam para ter mais agilidade na resposta a ameaças reais. Nesse cenário, a tecnologia se apresenta como um escudo eficaz contra crimes financeiros sem travar a fluidez dos negócios legítimos”, conclui Gustavo Tremel.
Sobre a VAAS
Fundada em Florianópolis e com presença em São Paulo, a VAAS é uma empresa de tecnologia especializada em gestão de risco inteligente. Sua plataforma conecta mais de 40 fontes de dados e utiliza IA preditiva para automatizar processos de KYC, prevenção à lavagem de dinheiro e falhas regulatórias. Com mais de R$ 50 milhões em contratos ativos, a startup lidera a transição para um compliance digital, autônomo e integrado à estratégia de negócios. Mais informações estão disponíveis no site www.vaas.com.br.


