A indústria global de food service atravessa um dos ciclos mais desafiadores das últimas décadas. Pressionados por inflação de insumos, escassez de mão de obra e aumento dos custos operacionais, operadores do setor vêm sendo forçados a revisar modelos de gestão e estratégias de crescimento.
O movimento acontece em um mercado que movimenta cifras trilionárias. O food service global alcançou cerca de US$ 3,8 trilhões em 2025 e deve superar US$ 4 trilhões já em 2026, com projeções que indicam um volume superior a US$ 6 trilhões até 2035, impulsionado por urbanização, digitalização e mudanças no comportamento de consumo.
No Brasil, o setor também tem peso estrutural. São mais de 1,3 milhão de empresas ativas em food service, além de participação relevante no franchising nacional, o segmento de alimentação respondeu por 14,2% do faturamento das franquias no segundo trimestre de 2025, movimentando aproximadamente R$ 10,5 bilhões no período. Trata-se de um dos maiores empregadores do país, com milhões de trabalhadores direta e indiretamente envolvidos na cadeia.
Apesar da dimensão econômica, o gargalo histórico do setor não está apenas no crescimento, mas na produtividade. Tradicionalmente construído com foco técnico e culinário, o food service demorou a incorporar competências estruturais de gestão, dados, precificação, marketing e eficiência operacional.
Nos Estados Unidos, onde a maturidade do setor é maior, cresce o investimento em educação contínua aplicada à operação do negócio, movimento que começa a ganhar força em mercados emergentes.
Essa leitura vem sendo reforçada por empreendedores brasileiros que atuam no mercado internacional, como Ricardo Rosa, head de marketing do grupo BRZ Foodz. Criada em Nova York, a empresa nasceu como solução para atender a demanda por comida brasileira e evoluiu para uma operação estruturada com presença em pontos estratégicos do mercado gastronômico local e clientes corporativos globais como Google, Nike e JP Morgan Chase.
O crescimento do negócio acompanha um movimento maior do setor: a profissionalização acelerada do food service, impulsionada pela digitalização e pela necessidade de operar com margens cada vez mais pressionadas.
Com experiência de mais de 10 anos no mercado internacional, Rosa desenvolveu estratégias digitais para o setor de Food service que beneficiaram dezenas de empresas americanas a se conectarem com o mercado Latino e aumentar seu faturamento em mais de 200% em alguns casos.
A própria dinâmica recente do mercado reforça essa tese. Pesquisa setorial aponta que 55% dos operadores brasileiros registraram aumento de faturamento no primeiro semestre de 2024, e 86% reportaram lucratividade, mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador. O avanço, no entanto, está cada vez mais associado à adoção de tecnologia, padronização de processos e inteligência de dados.
Segmentos como fast casual e modelos híbridos de consumo tendem a liderar o crescimento global nos próximos anos, impulsionados por conveniência, escala e eficiência operacional. Nesse contexto, plataformas digitais de capacitação e formação contínua começam a ganhar espaço não apenas como diferencial competitivo, mas como instrumento de sustentabilidade financeira.
A avaliação entre executivos do setor é que sobreviverão as operações capazes de combinar experiência gastronômica com domínio de gestão, tecnologia e relacionamento com o cliente. Em um mercado de margens cada vez mais pressionadas, educação aplicada ao negócio pode deixar de ser acessória e se tornar estratégica.


