
Sim, caro leitor. É por ela — e por causa delas — que nos unimos e formamos famílias. Algumas tradicionais, outras nem tanto. Aliás, neste século existem milhões de configurações familiares. Sinceramente, respeito todas. Afinal, o que vale é o amor. É através dele que a sociedade nasce e se organiza.
Tenho saudades — muitas — dos meus primeiros amores. Tive a felicidade de encontrar companheiras lindas, outras nem tanto, mas todas com algo em comum: um bom coração. Ajudaram-me, e muito, a superar obstáculos e a crescer como homem.
Saí de casa ainda menino, com idade próxima de dez primaveras. Mas, através da convivência com essas mulheres maravilhosas, vivi o melhor da vida. Conheci diferentes estruturas familiares e costumes: judeus, italianos, germânicos, árabes, africanos e outros que hoje já se confundem na memória.
Por todas essas famílias que tive a honra de conhecer — às vezes por pouco tempo, outras por alguns anos — uma escola invisível de boas maneiras infiltrou-se em meu ser.
Aprendi a gostar do macarrão da mama, do joelho de porco, da comida mineira e da inesquecível comida baiana. Pequenas lições que a vida oferece quando o coração está aberto.
Também não faltaram paixões. Viagens de fim de semana pelas praias brasileiras. Às vezes o amor acontecia em barracas cheias de aventura; outras, em hotéis que cabiam no meu bolso. Sempre fui cavalheiro e jamais deixei minhas amadas pagarem as contas.
De moto ou de carro, muitas das minhas musas subiam na garupa sem medo, prontas, como eu, para alguma nova aventura.
Vivenciamos praias afrodisíacas e pores do sol dignos de amantes apaixonados. E eu quase sempre estava.
Minha vida, até agora, foi uma sequência de amores e paixões. Confesso: não sei viver sem elas.
Como cavalheiro que sempre fui, em alguns momentos levei sogras e sogros no bagageiro. E sabe por que, leitor? Porque eu estava feliz. E quando estamos felizes, tudo vira festa.
Ah! Como eu gostaria de reencontrar cada uma delas apenas para agradecer toda a felicidade que me proporcionaram.
Viva as musas. Viva a mulher brasileira. Principalmente aquelas que ganharam morada em meu coração.
Para mim, todas elas são feitas de puro amor. Um amor que não está em cartilha alguma. Um amor que nasce, quase sempre, de um gesto antigo e misterioso chamado sedução.
E no fundo, caro leitor, talvez ninguém jamais descubra quem seduz quem primeiro: o homem ou a mulher.
Não importa.
O que importa é que, graças a ela, a bendita sedução, continuamos nos encontrando pela vida.


