João Leiva espera o dia em que Leivinha, 5 anos, fará aquela pergunta. E ele fez: Pai, de onde eu vim? E não é que na hora H, o pai vacilou! Falou sobre abelhinhas, cegonha, flores, mas as respostas não colaram. Leivinha insistiu: O Pedrinho disse que veio da Bahia. E eu? De onde eu vim? Criança tem cada pergunta!
Respostas desconexas não são dadas apenas por pais inseguros, alunos relapsos ou estranhos. Muitas pessoas, quando fazem perguntas ao cônjuge, colegas de trabalho e até a amigos, ouvem respostas atravessadas e que nada têm a ver.
– Oi Malu! Melhorou da enxaqueca?
– Aleluia! Até que enfim! Você ainda está vivo?
– Vivo, positivo e operante. Perguntei se você está melhor da enxaqueca.
– Não é da enxaqueca que estou falando.
– Mas eu sim! Foi sobre isso que perguntei. E já me arrependi.
– Talvez um dia você entenda.
– Vem cá, são seus hormônios ou você é doida mesmo?
Ele perguntou três vezes, não obteve resposta adequada e não tem ideia do que ela está falando. Melhor cortar o papo. Tem aquela estória, agora é ficção, do fanho que foi na farmácia e disse: “Ã Fã Fã Fuia”. O balconista não entendeu, perguntou outra vez e ouviu a mesma coisa. Chamou o Chefe e o fanho repetiu: “Ã Fã Fã Fuia”. Ele também não entendeu. O Gerente assumiu o caso, mas deu na mesma. A faxineira, notando o clima tenso, perguntou ao já nervoso cliente:
– Bom dia. O que o senhor deseja?
– “Ã Fã Fã Fuia”.
– Poxa, lamento, “Ã Fã Fã Fuia” acabou!
– Ã! Tá bãum. Bri bri brigadu.
A mulher também não entendeu o que o fanho queria, mas sabe que quem pergunta algo, tudo o que deseja é uma resposta. Porém, tem muita gente desconfiada que desconversa ou responde com outra pergunta. Lembram dos filmes policiais? O detetive pergunta: Você é Fulano de Tal? E a pessoa responde: Talvez. Quem quer saber?
Tudo bem que é filme, diálogo entre investigador e suspeito que não se conhecem e o fulano não quer se incriminar nem dedurar comparsa. Mas no mundo real, quando as pessoas se conhecem e uma delas é meio lesada, a coisa complica.
– Carol, você tem algum programa para sábado à noite?
– Talvez sim. Talvez não. Por que quer saber?
– Se estiver à toa, tem um filme legal estreando.
– E eu com isso? Para quem mais você perguntou?
Conhecem alguém assim? Se a conversa for por telefone, diga três “alôs” seguidos, finja que a ligação falhou, desligue o celular e retire a bateria para não correr o risco de religar sem querer. Se for uma conversa pessoal, simule um AVC e fuja! A pessoa é lesada em alto grau e ainda reclama que nunca a convidam para nada. Conversa entre homens é diferente, ao menos entre homens convencionais. É direta, objetiva, papo reto. Se não for, só pode ser homem alternativo. Sem “H”.
– Qual é?
– De boa!
– Bora tomar umas?
– Demorou!
Telefonema entre homens é muito simples. Nada de “Oi amiga. Há quanto tempo! Desde ontem que a gente não se fala. O que você está vestindo? Conta tu-di-nho! O mundo feminino é bem diferente do masculino, nas perguntas, nas respostas, ainda mais se forem melhores amigas. Elas precisam de uma terceira amiga para falar mal pelas costas. Falar na cara é falta de educação. Conversam sobre namorados, mas não sobre as amigas deles. Namorado não tem amiga. Tem só “aquela vadia”.
– E aí migucha. Descobriu alguma coisa?
– Nadinha. Verifiquei os bolsos de todas as calças. Nenhum bilhete.
– Que coisa mais estranha!
– As camisas não têm manchas de maquiagem, nem fio de cabelo comprido.
– Pasmei!
– Cheirei paletós e blusas. Nenhum perfume.
– Conferiu o celular?
– Quando ele estava no banho, chequei tudo. Nenhuma mensagem suspeita.
– Nossa, miga! Caótico! Isso não é normal!
– Estou preocupada. Será que ele é gay?
No ramo das respostas dissimuladas, ninguém supera os políticos matreiros. Ou não sabem de nada, ou culpam a oposição. Alguns ainda dizem ao repórter: Pode perguntar o que quiser. Mas respondem o que bem entenderem. Alguma pergunta?



Mais um comentário: quem pergunta o que quer, ouve o que não quer!
Grande abraço, Laerte