Quando a tecnologia avança, muitas práticas antigas que funcionavam bem são abandonadas. Não é porque a coisa é nova que a antiga deve ser descartada. É preciso distinguir novidade, o que é novo, de inovação, o novo que funciona comprovadamente melhor do que o antigo. Exemplos:
Antes, o ginecologista consultava, analisava o exame de urina e dizia: você está grávida e o bebê nascerá entre os dias X e Y. E era o que acontecia! Ele não confundia gravidez com barriga d’água, nem nasciam trigêmeos ou um Poodle em vez de um único bebê. O método tradicional funcionava!
O político antigo dizia: urna e barriga de grávida, para saber o que tem dentro, só abrindo, mas o ultrassom permite ver o ventre sem abrir. Isso é inovação. A pesquisa eleitoral deveria apontar tendências e antecipar resultados, mas a manipulação faz com que ninguém saiba quem será eleito. Urna Eletrônica é inovação, agiliza a apuração mas, ao contrário do ultrassom, surpresas acontecem.
A tecnologia afeta todas as atividades. As bonecas chinesas modernas competem com a mais antiga das profissões. Tem Pai de Santo que faz trabalho com cachaça sem álcool, vela eletrônica e caldo Knnor. Mas será que essas novidades são melhores que o modo tradicional?
A tecnologia criou os caixas eletrônicos, o Internet Banking e caíram roubos a bancos e aos clientes. Os criminosos investiram em inovação e criaram golpes digitais, mais rentáveis e menos arriscados. Os bancos economizam, os bandidos prosperam e os correntistas ficaram no prejuízo.
Voltando à saúde, no passado os exames clínicos eram só sangue, urina, fezes e chapa de pulmão. O doutor apalpava, baixava a língua com a espátula (eu quase vomitava), media pressão, auscultava o coração, diagnosticava, receitava pílulas, injeção, xarope e em 7 dias o cabra sarava. Simples assim.
Hoje, ninguém sai do médico sem páginas de pedido de exames. Tem gente que até faz testamento, depois liga para o convênio, ouve música chata por 40 minutos e o exame é agendado para 4 meses mais tarde. Às vezes a pessoa nem retorna ao médico, porque já sarou ou morreu. Caso retorne, o diagnóstico é: virose. Depois prescreve pílulas, injeção, xarope etc. Para que tanto exame?
A tecnologia médica favoreceu mais a mulher que o homem. Para gravidez, câncer de mama e do colo, ultrassom, ressonância magnética, tomografia computadorizada, cintilografia, mamografia etc. Para o homem, a última inovação tecnológica para exame de próstata foi o cortador de unha!
Olof Talmo não vê a medicina com bons olhos. Só vai ao médico para saber se o doutor está bem. O trauma começou quando precisou fazer Colonoscopia. Foram dois dias botando tudo para fora, como um vulcão de cabeça para baixo. Levou um colchão para o banheiro para facilitar as idas à privada. O intestino ficou tão limpo que evacuava água potável. Após o exame, ficou traumatizado a ponto de precisar fazer análise. Sua analista se suicidou e deixou bilhete pondo a culpa nele.
Só foi ao proctologista após a esposa Ester Elisa o ameaçar com divórcio. Agendou com um médico que não pede exames vexatórios. Na consulta, o doutor só conversou, perguntou qual é seu time de futebol, preferência política, qual foi o melhor Capitão da Enterprise, James Tiberius Kirk ou Jean Luc Picard etc. Depois disse que precisa examinar sua urina.
– O convênio exige pedido por escrito. Qual laboratório recomenda?
– Nada disso. Volte amanhã com a primeira urina do dia numa garrafa de Coca-Cola, bem limpinha.
– Depois tem o famigerado exame de toque retal, certo?
– Bobagem. Basta eu olhar a urina e terei o diagnóstico.
Olof Talmo, feliz da vida, contou tudo à esposa. Ester Elisa não encontrou avaliações do doutor na Internet e desconfia que é charlatão. Para testar o método, Olof coletou urina, pegou xixi da esposa, da filha adolescente, pôs na garrafa de Coca e mexeu com a vareta do nível do óleo do Marea Turbo. O médico analisou demoradamente.
– E aí, doutor, o que o senhor me diz.
– Lamento, mas mão tenho boas notícias.
– É grave, doutor? – perguntou o debochado Olof Talmo.
– Muito grave. Sua mulher tem infecção urinária, sua filha está grávida, o motor do Marea vai fundir e o seu caso é câncer mesmo!
Não existe novidade tecnológica que faça tais diagnósticos. É pura experiência!



kkkkkkkkkkkkkkkkkk, rindo até 2086, boa, tenente.
Obrigado Gouvea. Abraço.