Primeiramente, é preciso discutir com a sociedade, seja do campo empresarial, seja da
sociedade civil, sobre impostos, investimentos, dívida pública, gastos e as despesas do
ano corrente, bem como os gastos com a Previdência Social, que crescem e se tornam
inviáveis. O Brasil arrecadou cerca de R$ 2,89 trilhões em impostos, batendo recorde
em 2025, segundo dados publicados pela Gazeta do Povo, na matéria “Arrecadação de
impostos bate recorde em 2025 e atinge R$ 2,89 trilhões”.
Diante desse cenário, o governo gasta cerca de 6% do PIB na educação. Especialistas
apontam que o problema não é o montante investido, mas a ineficiência e o atraso do
sistema educacional, conforme análise apresentada pelo Educa Mais Brasil, no
estudo “Conheça os países que mais investem em educação no mundo”. O sistema
brasileiro permanece defasado, com universidades sucateadas, mais formadoras de
diplomas do que de especialistas, o que se traduz em um país deficitário. Soma-se a
isso o abismo no ensino básico, em que alunos saem das escolas sem saber ler
corretamente, nem dominar português e matemática, pilares essenciais para uma
educação sólida, que deveriam ser formados desde a base.
Na sequência, ao analisar as 10 melhores universidades do mundo, observa-se que 8
estão nos Estados Unidos e 2 no Reino Unido, entre elas Harvard University,
Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a University of Cambridge, conforme
rankings internacionais divulgados em listas como “Veja a lista das melhores
universidades do mundo”. Esse dado evidencia que, apesar do elevado volume de
arrecadação tributária, o Brasil não figura sequer entre as 100 melhores instituições
de ensino superior do planeta, reflexo direto da má alocação dos recursos públicos.
O Brasil sofre de uma gestão pública frequentemente voltada a interesses específicos.
A retórica sobre saúde é impecável, mas a prática revela contradições. O Sistema Único
de Saúde (SUS) é amplamente defendido por autoridades, porém muitos dos que estão
no poder não desejam que seus próprios familiares o utilizem, recorrendo a grandes
conglomerados privados de saúde. Isso demonstra, mais uma vez, a ineficiência dos
gastos públicos. Hospitais superlotados, pessoas morrendo dia após dia, enquanto se
propagandeia o volume de investimentos pagos com dinheiro do contribuinte, e a saúde
vai, literalmente, “morrendo”.
Quando se compara o Brasil com os melhores sistemas de saúde do mundo, a
discrepância torna-se evidente. Segundo o site Medway, no levantamento “Quais são
os melhores sistemas de saúde do mundo?”, destacam-se países como Cingapura,
Hong Kong, Taiwan, Coreia do Sul, Israel, Irlanda, Austrália, Nova Zelândia,
Tailândia e Japão, todos com modelos mais eficientes, apesar de, em muitos casos,
arrecadarem menos que o Brasil.
É pertinente mencionar também o sistema americano, reconhecido por centros de
excelência hospitalar, como a Mayo Clinic, localizada em Rochester, Minnesota,
referência mundial em cuidados médicos e pesquisa, e o Johns Hopkins Hospital, em
Baltimore, Maryland, considerado um dos melhores hospitais dos Estados Unidos.
Segundo o site Despachante55, no artigo “Melhor Hospital dos EUA: Guia Completo dos
Centros Médicos de Excelência”, o Johns Hopkins figura entre os três melhores hospitais
do país, com destaque em reumatologia, oftalmologia e psiquiatria.
Portanto, não se trata de deixar de cobrar impostos, mas de cobrá-los de forma
eficiente, sem sufocar o cidadão e as empresas, que já não suportam sustentar um
Estado inchado. Grande parte dos recursos é direcionada a emendas pouco
transparentes, somadas a práticas de corrupção dentro do sistema político, em que o
consenso parece ser sempre arrecadar mais, e não gastar melhor. Como
consequência, ampliam-se as desigualdades, cresce a descrença no sistema de
governo e intensificam-se disputas por holofotes políticos. Discute-se como aumentar
tributos, mas não como reformar estruturalmente o Estado.
Criou-se um novo sistema de cobrança no modelo IVA, adotado em mais de 170 países.
A reforma tributária introduziu a CBS, o IBS e o IS, com uma alíquota que pode chegar a
27%, uma das mais altas do mundo. Simplificação não significa eficiência, e, ao não se
atingir a meta de arrecadação, novos mecanismos de cobrança tendem a surgir. O
cidadão brasileiro não pode se iludir.
O Brasil tem potencial para estar entre os melhores países do mundo, mas isso exige
mais do que compreender números e arrecadação. É necessário entender, na prática, a
realidade vivida pelo cidadão, os impactos reais das políticas públicas e, de uma vez por
todas, cortar privilégios nas esferas do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário. Não
se trata apenas de altos salários, mas de uma administração pública que viva do que
recebe, sem benefícios excessivos, pois nenhum brasileiro que sobrevive com um
salário-mínimo consegue sequer vislumbrar um futuro digno.
ELTON FABIO CAMARELI
REFERÊNCIAS
Curitiba:
GAZETA DO POVO. Arrecadação de impostos bate recorde em 2025 e atinge R$ 2,89
trilhões.
Gazeta do Povo,
https://www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026.
Disponível
em:
EDUCA MAIS BRASIL. Conheça os países que mais investem em educação no mundo.
Disponível em: https://www.educamaisbrasil.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026.
VEJA. Veja a lista das melhores universidades do mundo. São Paulo: Editora Abril.
Disponível em: https://veja.abril.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026.
MEDWAY. Quais são os melhores sistemas de saúde do mundo? Disponível em:
https://medway.com.br. Acesso em: 27 jan. 2026.
DESPACHANTE55. Melhor hospital dos EUA: guia completo dos centros médicos de
excelência. Disponível em: https://www.despachante55.com. Acesso em: 27 jan. 2026.


