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sábado, 24 de janeiro de 2026

Publicidade adulta em campo: Onde termina o marketing e começa o risco à infância?

Por Fada, especialista em negócios do Mercado Erótico e CEO da Erotika Town
www.erotikatown.com.br

Vamos colocar a bola no chão e falar sério sobre branding no mercado adulto. Recentemente, temos visto um movimento agressivo de plataformas de acompanhantes, como a Fatal Model, patrocinando times de futebol, estampando camisas e placas em estádios.

Antes de tudo, sejamos claros: o problema não é o serviço. A prostituição e o trabalho de acompanhante são realidades do mercado, profissões que buscam regulamentação e respeito. Como especialista no mercado erótico, defendo a liberdade sexual e o empreendedorismo no setor.

O problema, e aqui entra minha análise como estrategista de negócios, é a segmentação de público e a proteção à infância.

O estádio não é um clube adulto

Ao investir milhões para estampar uma marca de sexo pago na camisa de um time de massa, a empresa ignora uma regra básica da publicidade de produtos restritos (como cigarro e álcool): a barreira de idade.

O futebol é uma paixão nacional que atrai famílias. Crianças frequentam estádios. Crianças vestem a camisa do time. Crianças colecionam figurinhas. Quando uma marca adulta se associa a esse ambiente sem filtros, ela fura a bolha do consumo adulto consciente e expõe menores de idade a um conceito de sexualidade transacional antes que eles tenham maturidade cognitiva para processar isso.

Branding ou oportunismo?

Investir no futebol traz visibilidade? Sim. Mas a que custo social? No meu trabalho com a Erotika Town e em minhas consultorias, batemos na tecla da responsabilidade. Criamos espaços seguros, nichados e, acima de tudo, restritos a adultos. O erotismo precisa de contexto, consentimento e maturidade.

Jogar uma marca de acompanhantes no meio de uma transmissão de domingo à tarde, onde uma criança de 8 anos está torcendo pelo seu ídolo, não é apenas uma estratégia de marketing questionável (“insalubre”, eu diria). É um erro de compliance ético.

A responsabilidade do mercado erótico

Nós, que trabalhamos com sexualidade, temos um dever dobrado de vigilância. Se queremos que o mercado erótico seja visto com respeito e não como algo vulgar ou perigoso, precisamos ser os primeiros a traçar a linha demarcatória.

Lugar de conteúdo adulto é em espaços adultos. Ao invadir o espaço lúdico e familiar do esporte, corremos o risco de gerar uma rejeição massiva da sociedade contra todo o setor, inclusive contra quem faz um trabalho sério, educativo e de bem-estar. No ano passado tivemos uma experiência parecida na feira erótica reconhecida internacionalmente, a Intimi Expo, que permitiu circulação de crianças de colo e exposição de bonecas realisticas com corpo e rosto infantis (veja mais aqui).

Respeitar a infância não é moralismo. É estratégia de negócio e sobrevivência de mercado. O mercado erótico pode ser lucrativo, libertador e educativo. Mas ele nunca deve ser intrusivo.

Brands Comunica
Brands Comunicahttp://www.brandscomunica.com.br
Comunicação criativa que transforma. Da Erotika Town a projetos autorais, unimos branding, live marketing, experiências e quebras de tabu. Artigos escritos por nossa fundadora: Fada

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