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sábado, 24 de janeiro de 2026

O Ártico em Chamas: A Crise Diplomática entre EUA e Dinamarca pela Groenlândia

A ordem geopolítica do Atlântico Norte, que tem se mantido relativamente estavél estabilidade desde o fim da Segunda Guerra Mundial, está enfrentando agora o seu teste mais severo. O que começou como uma proposta de transação imobiliária atípica anos atrás, evoluiu em 2026 para uma crise de soberania que ameaça dividir a OTAN e redesenhar o mapa das influências globais.

O governo de Donald Trump elevou a parte de sua política externa ao designar a Groenlândia não apenas como um território de interesse, mas como um pilar de “Segurança Nacional Indispensável”. A Groenlândia pertence à Dinamarca, possuindo um governo com autonomia parcial. Trump manifestou interesse em adquirir a ilha durante seu primeiro mandato, em 2019. Em declarações recentes, Washington argumenta que a radiação de influência na ilha permite que adversários como a China e a Rússia estabeleçam postos avançados de mineração e vigilância a poucos quilômetros da costa americana.

A nomeação de Jeff Landry foi enviada especialmente para a ilha, sinalizando que os Estados Unidos não estão mais solicitando permissão, mas impondo uma pressão econômica coordenada. A ameaça de tarifas punitivas contra aliados europeus que se opõem à “integração estratégica” da Groenlândia representa uma ação inédita entre países amigos.

A Resistência Europeia: O Fator Dinamarquês

Em Copenhague e Nuuk, a retórica americana é recebida com uma mistura de indignação e pragmatismo defensivo. A Primeira Ministra Dinamarquesa, Mette Frederiksen, tem sido clara: a Groenlândia não está à venda e pertence ao seu povo.

Pela primeira vez, vimos a concretização de uma defesa europeia autônoma. A presença de tropas francesas, alemãs e holandesas para exercícios de “proteção de infraestrutura” na ilha, sob a operação Arctic Endurance, envia uma mensagem clara e direta à Casa Branca: a Europa não permite que a soberania de um de seus membros seja comprometida por pressões transacionais.

O Custo Humano e Ambiental

Enquanto as potências internacionais  movem suas peças no tabuleiro, a população local luta para que seu direito à autodeterminação não seja ignorada. As manifesitações em Nuuk destacam que as decisões sobre o futuro do território devem ser tomadas em consideração por quem vive  naquela terra, e não apenas por autoridades em Washington ou Copenhague. O derretimento das calotas polares, que facilita a mineração desejada pelas grandes potências, é o mesmo aspecto que ameaça o modo de vida tradicional e a biodiversidade da região.

O Que Esperar?

As próximas semanas serão seguras. Com a visita da delegação americana prevista para março, o mundo observará se a diplomacia será capaz de arrefecer os ânimos ou se o Ártico se tornará o novo palco de um conflito entre antigos aliados.

Bianca Duarte Dias
Bianca Duarte Dias
Historiadora e Pós-graduada e Ciencias Humanas e Sociais Aplicadas e Pós-graduada em Economia e Geopolitica.

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