Vivemos em uma simulação? 2 carros e a música do MC Lon


OBS 1: Todas as informações deste texto serão prestadas com base na minha
vivência e em achismos, pois não fui atrás de dados e estatísticas, se é que eles
existem para esse caso particular.
Boa parte dos nascidos a partir de 1995 já ouviu pelo menos uma vez a
música “Novinha Vem Que Tem” do MC Lon. Ela foi publicada na plataforma
youtube em 29 de agosto de 2012, portanto há exatos 13 anos, 4 meses e 5 dias,
segundo a calculadora do meu PC.
Além do mais, o número de visualizações é 72.556.250 (72 milhões e 500
mil, mais ou menos). É uma quantia grande, se formos considerar que se trata de
uma composição brasileira, mais especificamente um funk, de mais de 10 anos. Isso
pois, naquela época, o youtube ainda era pouco usado pelos brasileiros, sobretudo
porque boa parcela da população ainda não tinha acesso à internet.
Segundo o Gemini (consultando o site UOL):
Em 2012, cerca de 42% dos brasileiros (83 milhões de pessoas)
acessaram a internet, segundo dados da PNAD/IBGE, com destaque
para o crescimento no Norte e Nordeste, e 40,3% dos domicílios
com computador e conexão. Embora 42,21% fosse o percentual de
internautas na população total, o acesso domiciliar era de 40,3%
(https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2013/09/27/42-dos-brasil
eiros-acessaram-a-internet-em-2012-n-e-ne-tem-maior-aumento.htm)
Como podem ver, no ano de lançamento da música em questão, quase 60%
dos brasileiros ainda não tinham acesso à internet. O que isso quer dizer? Significa
que a esmagadora maioria das composições de mesmo gênero lançadas naquele
período não possui um montante alto de visualizações. Isso em comparação com as
mais atuais, sertanejas, por exemplo, de Anitta a Marília Mendonça, de Zé Neto e
Cristiano a Henrique e Juliano, cujas visualizações ultrapassam os 500 milhões.
Pode-se citar as mais famosas do canal Kondzilla também. “Bum Bum Tam
Tam, de 8 anos atrás, tem quase 2 bilhões de views. “Olha a Explosão”, de Kevinho,
de 9 anos atrás, tem 1,2 bilhões. “Bumbum Granada”, de 9 anos, tem 738 milhões.
Hoje em dia, a quase totalidade dos funks da época de “Novinha Vem Que
Tem” se encontra esquecida pela população. Raramente são escutados. A título de
exemplo, temos Mc Nego Blue, com sua canção “É o Fluxo”, de 13 anos atrás, com
26 milhões de visualizações. Ou Mc Britney, com “Seu Nome É Recalcada”, de 12
anos atrás, que conquistou 23 milhões de views. Mas o “grosso” das composições
rendeu bem menos. Para não ser injusto, listarei as que fizeram maior sucesso (se
houver outras, favor incluir nos comentários):
● “Plaque de 100”, MC Guimê, 13 anos atrás, 91 milhões (a mais
bem-sucedida);
● A música objeto deste texto; e
● “Fala Mal de Mim”, MC Beyoncé (Ludmilla), 13 anos atrás, 40 milhões.
O leitor deve estar se perguntando: “o que tudo isso tem a ver com uma
simulação?”. A bem da verdade, a essa altura do texto, não sei mais se concordo
com meu diagnóstico inicial, haja vista nossa música analisada ser o 2º funk mais
famoso de 2012, pela métrica do youtube. Só que eu digitei tudo isso até aqui e não
quero me desfazer desta pequena pesquisa, que me gerou um novo escrito.
A tese inicial era a seguinte. Hoje, lá pelas 14h00, passou, em frente à minha
casa, um carro tocando “Novinha Vem Que Tem” bem alto. Achei interessante e
pouco provável, afinal, eu, como funkeiro, sou uma das poucas pessoas que
ainda escutam tal obra de vez em quando. Possíveis agentes simuladores saberiam
desta informação. 1h30 depois, lá pelas 15h30, passou outro carro (talvez seja
outro, não vi, apenas escutei) em frente tocando a mesma canção. Talvez sejam 2
carros diferentes. Talvez seja o mesmo carro.
Se forem 2 carros diferentes, então teríamos um evento extremamente
improvável de ocorrer, não concordam? Afinal, seriam 2 conterrâneos meus,
escutando uma música que quase ninguém mais escuta (sou uma das exceções,
como dito, ainda que com pouca frequência), e eles passaram em frente à minha
casa no momento em que a escutavam. Se eu fosse transformar isso em
probabilidade, diria que é um evento com 0,01% de chance de ocorrer.
Mas, e se for o mesmo carro? E se for um vizinho meu? Bem, então teríamos
um cenário mais possível de se concretizar, claro, algo em torno de 15% de
probabilidade. Ele poderia estar escutando essa música quando saiu de casa e
passou exatamente defronte ao meu lar (aqui estou tentando variar o vocabulário,
como se estivesse na prova do ENEM), e depois, na volta, começou a escutá-la
novamente perto do meu imóvel. Ok, pode ser isso.Quem nunca escutou a mesma
música 2, 3 ou 4 vezes em um passeio que atire a primeira pedra.
Seja como for, percebo agora que minha mente havia se fixado na hipótese
dos dois carros. E com isso, a ideia de simulação surgiu. E se, na verdade, eu for
um cérebro em uma cuba? Aposto que vocês já ouviram falar desse experimento
mental. Trata-se da ideia de que nós (ou uma parte de nós) seríamos cérebros
flutuando em uma cuba, com vários cabos nos conectando a um supercomputador.
Talvez só 10% das pessoas que conhecemos sejam de fato cérebros, e o resto seja
NPC. Ou, talvez, apenas eu seja um cérebro real e todos vocês que me leem NPCs
gerados pela simulação. Pior: quem sabe eu mesmo seja um NPC vivendo em um
mundo criado para cérebros reais?
A pergunta que fica é: quem estaria rodando esta realidade? Alienígenas do
futuro que querem entender nossa extinta civilização? Ou humanos do futuro
querendo replicar o passado? Talvez eu seja parte de um jogo, um video game ou
RPG. E se eu acordasse dessa simulação e me deparasse com um mundo melhor,
com um futuro super tecnológico onde todos tenham direitos básicos garantidos?
Mas o mundo verdadeiro pode ser pior também, como no filme Matrix.
Por via das dúvidas, decidi que, seja simulado ou não, este mundo é o único
que conheço e gosto. É nele que tenho minha família. É nele que dou carinho e
amor aos meus pets. Então, mesmo que tudo seja uma mentira, eu gosto dela. E
continuarei amando e tratando bem os seres dessa nossa realidade.
Por fim, como ficou claro ao longo do desenvolvimento, essa tese de
simulação talvez não passe de um delírio meu. Às vezes meu vizinho quis escutar a
música em questão várias vezes. Ou, quem sabe, foram duas pessoas distintas
escutando o segundo funk mais popular de 2012. Minha pequena pesquisa, a
despeito de eu ter dito que não procuraria dados e informações, aos poucos foi me
acalmando e desconstruindo tal crença, até o ponto de eu estar mais uma vez com
os pés no chão, ancorado ao mundo real.

Autor:

Wagner Piau De Almeida Neto

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