Na madrugada de sábado (3), uma ofensiva militar dos Estados Unidos matou ao menos 40 pessoas na Venezuela, entre civis e militares. Um integrante do governo venezuelano confirmou os números ao The New York Times. Entre as vítimas, está Rosa González, de 80 anos, que morreu após o impacto de um ataque contra um prédio residencial em Catia La Mar, região próxima a Caracas.
Além disso, a operação atingiu áreas urbanas e provocou danos estruturais em zonas habitadas. Por isso, organizações e analistas passaram a questionar o uso da força em regiões densamente povoadas.
Expectativa de mudança e apoio interno
Para parte da população, a ofensiva já era esperada. Segundo o professor universitário José Gregorio Tovar, de 68 anos, que lecionou por mais de quatro décadas no país, o governo de Nicolás Maduro havia perdido apoio interno.
“Esse ataque era esperado. O povo venezuelano não tinha mais sustentação interna. Durante anos, a ditadura oprimiu a população, destruiu a economia e a educação, além de empurrar milhões para fora do país. Por isso, queríamos mudanças”, afirma.
Ainda assim, o alto custo humano da ação aprofundou divisões dentro da sociedade venezuelana.
Violência como instrumento político
Diante desse cenário, a violência empregada na operação reacendeu o debate sobre os limites morais e jurídicos da intervenção militar. Embora o governo norte-americano apresente a ofensiva como necessária para restaurar a ordem e a democracia, o número de mortos, inclusive civis, evidencia uma contradição central.
Afinal, até que ponto um projeto de liberdade pode avançar à custa de vidas humanas?
Além disso, bombardeios em áreas urbanas e a falta de aval de organismos internacionais enfraquecem a legitimidade da ação. Segundo críticos, esse tipo de intervenção costuma aprofundar o trauma social, estimular a radicalização política e ampliar a desconfiança internacional. Dessa forma, a violência deixa de funcionar como solução e passa a integrar o próprio problema.
Captura de Maduro e reação internacional
A ofensiva integrou uma operação maior que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, conforme anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De acordo com ele, nenhum militar americano morreu durante a ação, embora alguns tenham sofrido ferimentos. Além disso, Trump afirmou que as tropas permanecerão no país até que uma “transição segura” ocorra.
Por outro lado, especialistas ouvidos pela CNN Brasil afirmam que a intervenção viola o direito internacional. Segundo eles, os Estados Unidos não comprovaram ameaça direta nem obtiveram autorização do Conselho de Segurança da ONU, requisitos previstos pela Carta das Nações Unidas. A advogada Priscila Caneparo também ressaltou que acusações de “narco-terrorismo” e o interesse no petróleo venezuelano não possuem respaldo jurídico internacional.
Por fim, a operação provocou reação imediata na arena diplomática. Países vizinhos criticaram a ofensiva e organismos internacionais convocaram reuniões para discutir tanto a legalidade da ação quanto os riscos de escalada do conflito.

