Por Pedro Signorelli
Durante muito tempo, produtividade foi tratada como uma equação simples: quanto mais esforço, maior o resultado. Só que, dentro das empresas, essa conta deixou de fechar. Em ambientes cada vez mais complexos, com metas que mudam rápido e pressões externas constantes, a produtividade deixou de ser resultado de intensidade e passou a depender de arquitetura. Mais precisamente, da forma como uma organização constrói sua capacidade de coordenar pessoas, decisões e expectativas. É nesse terreno que o alinhamento estratégico, reforçado por práticas como OKR, se transforma em infraestrutura silenciosa, porém determinante.
Alinhamento não é um documento na intranet nem um conjunto de metas ditas no início do trimestre. É um sistema vivo. É o que permite que qualquer pessoa, em qualquer área, saiba distinguir o que é essencial do que é apenas barulho. É o que orienta as escolhas quando a operação acelera. E é o que impede que times bem-intencionados remem em direções opostas, um cenário bem mais comum do que gestores imaginam.
A ausência dessa base aparece de forma difusa, mas devastadora: equipes que trabalham muito, mas entregam pouco impacto; lideranças que se atropelam na definição das prioridades; informações que circulam pela metade; agendas que se chocam; decisões que perdem contexto. O resultado? Uma rotina carregada de urgências e pobre em significado. Nessas condições, produtividade vira uma disputa de resistência, não de inteligência organizacional.
É por isso que o RH se torna peça-chave na reconstrução desse alicerce. Seu papel vai além de processos de gente: ele atua como moderador da clareza. É o RH quem deve assegurar que objetivos sejam compreensíveis, que conversas de desempenho sejam guiadas por critérios transparentes e que a liderança saiba transformar direcionamento em prática. Os OKRs funcionam quando acompanhados dessa musculatura cultural, caso contrário, viram apenas mais um ritual burocrático. E, muitas vezes, os OKRs podem ser usados para construir esta musculatura.
Para fortalecer esse desenho organizacional, não é necessário complicar. O que funciona, de fato, são rotinas simples, bem executadas e repetidas com consistência: revisões periódicas das prioridades, checkpoints curtos entre líderes e equipes, espaços de troca entre áreas que normalmente não conversam e canais de comunicação que não deixem dúvidas sobre o que importa agora. Quando esse ecossistema opera, algo fundamental acontece: as pessoas passam a trabalhar com referência, não por instinto.
E isso mexe diretamente com o clima emocional da empresa. Times que entendem o “porquê” de suas entregas experimentam menos estresse e muito mais confiança. Não precisam adivinhar expectativas, nem viver no medo da mudança de rota inesperada. A clareza libera foco. E o foco é um dos ativos mais escassos (e poderosos) da produtividade moderna.
Produtividade, portanto, não está na velocidade, mas na coerência. E coerência nasce quando todos sabem para onde estão indo e quais compromissos assumem coletivamente. Organizações que investem na construção desse alinhamento reduzem erros, ganham agilidade e criam ambientes onde o talento individual se transforma em resultado coletivo. Para o RH, liderar essa transformação é mais do que uma função: é uma oportunidade de se tornar, de verdade, o motor estratégico do futuro do trabalho.
Pedro Signorelli é um dos maiores especialistas do Brasil em gestão, com ênfase em OKRs. Já movimentou com seus projetos mais de R$ 2 bi e é responsável, dentre outros, pelo case da Nextel, maior e mais rápida implementação da ferramenta nas Américas. Mais informações acesse: http://www.gestaopragmatica.com.br/
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