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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Seu Terreiro Está Sofrendo? Descubra Quem Não Vai te Defender!

A intolerância religiosa, infelizmente, não se manifesta apenas fora dos nossos terreiros. Dentro do próprio povo do axé, existe uma intolerância ainda mais sutil e perigosa: a seletiva. É quando não reconhecemos a violência e a discriminação sofridas por outros grupos ou casas, mas, quando a situação atinge nossos próprios fundamentos, rituais ou forma de praticar a fé, imediatamente nos sentimos ofendidos e exigimos apoio, mobilização e solidariedade.

Para muitos, só é intolerância quando ferem seus próprios fundamentos e tradições. Deixamos de enxergar ou relativizamos o sofrimento alheio, até que a violência bata à nossa porta. Nesses momentos, esperamos que o axé se mobilize por nós, que todos adotem uma postura de luta e defesa, mesmo que nós mesmos tenhamos negado esse suporte ao próximo.

Também há aqueles que preferem a segurança do seu “pedestal”, não se posicionam, não levantam a voz nem mesmo em uma audiência pública — espaços fundamentais de construção coletiva e defesa dos nossos direitos. Ironia é que, muitas vezes, quem permanece em silêncio dentro dessas fortificações não percebe que liderança se faz com coragem para se expor, se posicionar, defender o coletivo acima do próprio conforto.

Essa seletividade nos distancia, nos fragiliza e fortalece aqueles que desejam calar nossas vozes e nossos tambores. O axé é plural, diverso em fundamentos, rituais e formas de expressão. Nossa força está justamente no respeito à diferença e na união nos momentos de luta. Ser do axé é entender que a dor de um terreiro é a dor de todos, independentemente do fundamento.

A intolerância seletiva é sintoma do individualismo, da competitividade e da falta de empatia. Precisamos romper esse ciclo e praticar a verdadeira irmandade de axé, para que, quando qualquer terreiro, sacerdote, sacerdotisa ou filho de santo for alvo de intolerância, todo o povo de axé se levante junto.

Unidade, respeito e solidariedade são caminhos para resistirmos não só à intolerância vinda de fora, mas, principalmente, àquela que insiste em nascer entre nós.

* Pai Lucas de Xangô é Sacerdote e Diretor da FENARC ( Federação Espiritualista Nacional Afro-Religiosa e Cultural), militante da valorização das religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul.

Pai Lucas de Xangô
Pai Lucas de Xangô
Sacerdote do C.E.U Reino de Xangô & Jurema, Diretor do Departamento da Natureza & Sustentabilidade da FENARC, militante ambiental e defensor das religiões de matriz africana no RS.

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