A Teoria Organizacional Adaptada ao Jornalismo

Quando a Teoria Organizacional Foi Adaptada ao Jornalismo? Qual a Influência do Sensacionalismo e do Imediatismo no Jornalismo? Quais São os Dois Níveis Que Influenciam na Produção de Notícias? Qual é a Estrutura Hierárquica de Cargos nos Jornais Impressos?

A Teoria Organizacional teve origem no estudo da Administração e da Psicologia, surgindo como uma mudança de valores dentro das empresas e comunicação organizacional, formação de bons líderes e a aplicação da psicologia organizacional.

Mas, a Teoria Organizacional só foi adaptada para o Jornalismo em 1995, pelo sociólogo norte-americano Warren-Breed. Considerando que o Jornalismo é um mercado e as notícias são seus produtos, faz-se é necessária a organização das empresas jornalísticas. Essa situação se torna evidente no livro de Cremilda Medina, “onde ela afirma que “as notícias são como são porque as empresas e organizações jornalísticas assim as determinam. A Teoria Organizacional tem uma visão mercadológica e, quanto mais organizado o processo jornalístico, mais lucrativo” ([1]).

Dentro das empresas jornalísticas pode-se observar normalmente a seguinte hierarquização, no caso dos jornais impressos: Proprietário, Diretor-Executivo ou Diretor Administrativo, Diretor Comercial, Diretor de circulação, Diretor de Jornalismo ou de Redação, Editor-Chefe, Editores, Editor de Fotografia, Chefe de Reportagem, Repórteres, Redatores, Revisores, Diagramadores, Ilustradores, Fotógrafos, Correspondentes e Secretário de Redação. A hierarquização dos cargos nas empresas jornalísticas também acontece nos outros meios de comunicação, de forma a organizar – como o próprio nome da teoria diz.

Existem dois (2) tipos níveis que influenciam na produção de notícias de acordo esta teoria: ao nível organizacional com fatores como o desejo do lucro, a escolha de fontes, o acontecimento, a competição entre editores e editorias, recursos humanos e materiais, a hierarquia, organização e burocracia interna e interação com as fontes interferem na produção da matéria; Ao nível extra organizacional as notícias sofrem influência sobre fatores como audiência e mercado, a relação estabelecida entre jornalista e fonte assim como a preferência aos canais de rotina.

De forma sociológica, é possível refletir que o jornalista se torna um membro da redação e, portanto, dependente das influências políticas do meio editorial e empresarial do veículo de comunicação. De acordo com o jornalista Heitor Costa Lima da Rocha, seis (6) fatores são apontados pela Teoria Organizacional como relevantes na promoção do conformismo do jornalista com a política editorial da organização:

  1. A autoridade institucional e as sanções;
  2. Os sentimentos de obrigações e de estima para com os superiores;
  3. As aspirações de mobilidade;
  4. A ausência de grupos de lealdade em conflito;
  5. O prazer da atividade;
  6. As notícias como valores.

Como as autoridades podem influenciar o fazer jornalístico? Basta saber que o jornalista está sempre respondendo a algum superior hierárquico e ao próprio dono da empresa. Se ele não seguir as orientações editoriais pode sofrer sanções, além de perder o próprio emprego, devido à falta de regulação da área por algum órgão, como os conselhos profissionais, não há muito o quê se fazer pelo jornalista.

O sensacionalismo está vinculado ao aumento do interesse da população pelo assunto, que envolve a produção de sensações nos receptores das informações e consequente aumento do número de vendas. O sensacionalismo e o imediatismo criticados pela Nova História são praticados na Teoria Organizacional, devido à competição entre diferentes empresas de comunicação, visando maior destaque, maior lucro, o furo jornalístico e maior quantidade de informações.

Acaba perdendo-se a qualidade da informação segundo critérios jornalísticos e pensando nos critérios mercadológicos. Pensando pelo lado de vista de que a competição entre empresas jornalísticas gera a publicação de notícias com enfoques diferentes e por meio da investigação de diferentes fontes, a Teoria Organizacional pode ser positiva para o jornalismo.

Todavia, a competição extrapola os níveis jornalísticos e acaba tornando-se pessoal entre os profissionais da área. Influenciados por estas competições, o jornalismo novamente é afetado pela subjetividade. A Teoria Organizacional dá importância para a cultura organizacional e não para a cultura profissional.

Um conflito bastante claro entre diferentes empresas jornalísticas acontece no meio televisivo entre a Rede Globo e a Rede Record. A divulgação de informações, ora verdadeiras, ora especulativas e até mesmo agressivas, está presente nas duas emissoras televisivas brasileiras. Além da competição jornalística, influenciados pela hierarquia e pela própria identidade como uma equipe, os jornalistas acabam se colocando em situações constrangedoras. Por meio dessa concorrência entre empresas, os jornalistas podem inclusive publicar informações superficiais, sem o devido apuramento, o que relacionaria esta teoria com a Teoria da Nova História.

Acredito que, mesmo existindo diferenças e proximidades entre as Teorias da Nova História e Organizacional, é importante que se entenda cada uma das teorias jornalísticas. O modelo reprodutivo é evidente na Organizacional, modelo este criticado na Nova História, que acredita que o jornalista deve ir além da reprodução das notícias, entender e refletir os seus contextos e pré-formações dos acontecimentos.

Conhecer as duas teorias e estudá-las é melhor do que conhecer somente uma das duas. O que uma teoria tem de incompleta, uma outra teoria pode vir para complementar, mas acredito que nenhuma das teorias é completa o suficiente para explicar o jornalismo, já que as notícias e suas origens são mais complexas do que são tratadas em nosso cotidiano e na prática jornalística.

Não podemos desconsiderar a importância da organização das redações jornalísticas. Assemelhando-se às indústrias, as redações estão divididas em diferentes cargos e funções, mas a preocupação permanece na facilidade de reprodução de informações, que se mal apuradas podem causar uma série de prejuízos a sociedade.

É preciso deixar de lado a competição pelo furo jornalístico, e começar a se preocupar mais com a qualidade das informações. Deixo a seguinte reflexão aos leitores: é melhor ter a notícia em primeira mão e mal apurada, por causa da ineficiência dos jornais e jornalistas, que estão preocupados com a quantidade de informações oferecidas e competição ou ter uma notícia que levou mais tempo para chegar até o receptor, mas que possa ser confiada, pois sabe que a mesma foi apurada, de forma a garantir que esteja o mais próximo possível da verdade?


([1]) MEDINA, Cremilda. “Notícia: um Produto à Venda: Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial”. Summus Editorial – São Paulo, 1992

Julio Cesar S Santos
Professor JULIOhttps://profigestaoblog.wordpress.com/
Professor, Jornalista e Palestrante. Articulista de importantes Jornais no RJ, autor de vários livros sobre Estratégias de Marketing, Promoção, Merchandising, Recursos Humanos, Qualidade no Atendimento ao Cliente e Liderança. Por mais de 30 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de Pós-Graduação em “Gestão Empresarial” e atualmente é Diretor Acadêmico do Polo Educacional do Méier e da Associação Brasileira de Jornalismo e Comunicação (ABRICOM). Mestre em Gestão Empresarial, especialista em Marketing Estratégico

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