Era uma noite de verão. Uma brisa agradável embalava meu sono. Eu estava deitado em uma rede instalada em um bangalô à beira-mar. O sol estava quase totalmente se pondo. Eu havia jogado futebol e vôlei na praia. Também havia tomado algumas deliciosas caipirinhas. Em suma, passei o dia aproveitando as delícias deste paraíso chamado Terra. A noite chegava. As garotas lindas que passeavam pela praia também se recolheram. Eu dormia profundamente.
Tive um sonho. E, para meu espanto, o sonho não foi com as belezas e encantos da nossa terra, nem mesmo com uma das lindas garotas. Sonhei, sim, com uma nova ordem mundial, novas regras para o mundo. Neste sonho, todos os países que compõem a ONU desistiram de se armar, depuseram suas armas. Todos se comprometeram a respeitar os limites territoriais de cada nação. E, principalmente, o poderio nuclear das superpotências teria um novo uso: seria utilizado apenas para fornecer energia doméstica. Desistiram do combustível fóssil; agora só usariam energias renováveis. Enfim, desistiram das guerras. Estabeleceram que cinco por cento do PIB de cada país seriam destinados ao desenvolvimento do mundo. Primeiro, combateriam a fome. Depois, investiriam esses trilhões arrecadados em educação e saúde para todos os países, sem exceção. Investiram em sustentabilidade para a natureza, na prevenção de desastres naturais, com um novo slogan: “Preservar, sim; destruir, jamais.”
Era inacreditável: em pouco tempo, a pirâmide social de cada país se transformara em uma figura de quadrado. Lados iguais, direitos iguais. Não havia mais luta de classes. O planeta estava quase totalmente em harmonia. Nem mesmo as guerras religiosas continuavam a existir. As diferentes crenças e cultos eram respeitadas mutuamente.
De repente, eu sabia que estava sonhando. Tentava acordar, mas não conseguia. Uma voz dentro do sono me alertou: “Desista, o ser humano é irrecuperável. Eles vão desistir da bomba atômica em sua forma original, que, quando explode, destrói tudo: vidas, casas e toda a infraestrutura. Mas não se engane, eles criaram outra, cujo poder de destruição visará apenas à morte dos seres vivos, consequentemente de nós – humanos, preservando toda a infraestrutura para economizar custos!”
Neste instante, ouvi alguns latidos de cachorros e uma mão suave me acariciando. Era Maria, dizendo: “Acorde, você está tendo um pesadelo e está todo suado. Vamos entrar, tomar um bom banho e ir para a cama…”


