Muito se fala do crescimento desenfreado. Aquele, sabe? Que acontece de um dia para o outro, comum de se ver em redes sociais, principalmente em contas em que o objetivo principal é causar, seja estranheza, espanto ou curiosidade.
Por outro lado, existem os crescimentos lentos, quase imperceptíveis, como uma árvore, que demora anos para que uma pequena plantinha se transforme em grande e robusta. Saber qual crescimento é o melhor não é o meu objetivo, mas refletir como temos a tendência de ignorar o crescimento que demora anos para acontecer, sim.
Nos últimos tempos, o ser humano tem caído em redes feito um peixe perdido em alto-mar, na maior facilidade; redes perigosas, cheias de certezas incertas, idiotices, falácias, ideologias medíocres, induções ao consumismo, discursos falsos e cheios de mentiras. E, nesse excesso de informações, o ser humano tem adquirido diversos estados, inclusive o de superioridade. O que mais importa é disputar quem tem mais seguidor, quem tem mais visualizações, quem tem mais curtidas e, principalmente, quem tem mais dinheiro.
Estamos na era de provar, provar o que temos. O que somos? Ficou para depois. Mas o importante mesmo é ressaltar o que possuímos; isso, sim, estufa o peito do mais insignificante ser humano, que se sente grande demais ao lado de quem aparenta pouco e cresce devagar. Confesso que isso me assusta, não vou mentir; às vezes também me perco, mesmo sabendo que meus valores são outros. Todavia, prefiro acreditar que mais vale crescer devagar como uma árvore que, em terra fértil, é regada todos os dias, sofre as mudanças climáticas, demora anos para crescer, porém, quando grande, se torna forte, cria raízes e ainda dá frutos, do que ser um castelo de areia, construído com pressa à beira-mar, que impressiona à primeira vista, ergue-se rápido, atrai olhares, mas pode desabar com a primeira onda. Ainda assim, o castelo de areia é o que mais será reconhecido, pois, em sua rapidez e forma, todos puderam acompanhar sua construção, enquanto a árvore está no seu canto, devagar, mas se transformando a cada dia, vivendo no bastidor, enquanto o palco do castelo está armado.
Dia desses, li em uma publicação a frase: “Não compare seu bastidor com o palco dos outros”. Não sei de onde veio, nem quem escreveu, mas achei brilhante e girou uma chavinha dentro de mim. Pois o que mais tem acontecido é a comparação; não só nas redes sociais, ela também tem chegado na vida real, pela boca de insignificantes medíocres que se acham melhor por ter um carro mais caro, uma casa grande e um salário maior (nunca entendi isso, porque, na minha visão, se gabar pelo seu salário ou quanto você lucra em sua empresa pequena pode acabar um dia). Quando me deparo com pessoas assim, eu só lembro do Pequeno Príncipe e penso: coitado, não entendeu nada. Foi-se o tempo em que se interessavam mais em saber se a pessoa era gentil, engraçada, estudiosa, inteligente, culta, e não o que ela possui. Hoje, eu costumo escutar mais “Você viu o carro do fulano?” do que “Você ficou sabendo que fulana finalmente tem conquistado seus sonhos e está feliz?”.
Desde que lancei meu primeiro livro, tenho crescido como uma árvore, mas não tinha percebido e, na minha visão, era quase nada. Até que hoje fiz meus cálculos e pude ver o quanto tudo mudou desde que comecei e me dei conta de que, sim, há crescimento; no entanto, gradativo e, por isso, não havia enxergado. Viu? Também caiu na mesma rede, mesmo tendo valores diferentes; por isso, é necessário estarmos sempre atentos e, ao invés de nos comparar com o outro, que seja com quem fomos um dia. Isso, sim, é seguro e honesto consigo mesmo.
Que possamos reconhecer mais árvores do que castelos de areia.


