A obra apresenta ao público trechos transcritos das fitas, oferecendo um acesso mais íntimo ao universo interior de Leonilson, um testemunho direto de sua experiência de vida
O livro “Leonilson: diários de uma voz – trechos transcritos” tem venda oficial a partir do dia 19 de janeiro de 2026 (segunda-feira) pelo site oficial do Projeto Leonilson (http://www.projetoleonilson.com.br) por R$ 100,00 (cem reais). Houve também uma pré-venda especial de Natal, durante os dias 12 a 18 de dezembro de 2025.
Com seleção e organização do escritor João Anzanello Carrascoza, a edição tem projeto gráfico de Herbert Allucci, pesquisa por Gabriela Dias Clemente, Renata Allucci e Leonardo Birche. O livro – que tem concepção da Sociedade Amigos do Projeto Leonilson, foi elaborado através da Lei Rouanet, com patrocínio Itaú e Laranjinha Itaú. A obra, que tem 232 páginas, foi lançada no dia 10 de dezembro de 2025 no Itaú Cultural, na Bela Vista, em São Paulo.
De 1990 a 1993, seus últimos anos de vida, José Leonilson (1957-1993) gravou 19 fitas cassete com conteúdos variados. Diferentemente de uma autobiografia na qual se constrói um relato de vida coeso, reunindo memórias e experiências; o diário gravado é registrado no momento do acontecimento ou logo após o fato, de forma espontânea e imediata, uma voz subjetiva direta, sem reflexões prévias, muitas vezes marcada por contradições, silêncios e improvisos.
Potência crua
São registros crus, fragmentados, sinceros e até mesmo confusos, justamente por ser uma narrativa imediata sem ponderação e sem filtro. O conteúdo deste livro contempla os trechos selecionados do material gravado pelo artista em 19 fitas, até poucos meses antes de sua morte, em 1993.
Ordem temporal
No plano estrutural, João Anzanello Carrascoza optou por ordenar o conteúdo na linha cronológica das fitas, mas de forma caleidoscópica, selecionando delas as partes que tratavam dos assuntos mais recorrentes, quando não até obsessivos. Excetuando as impressões de Leonilson, no início de seus relatos cotidianos, sobre as condições climáticas e notícias do mundo, o direcionamento e a ênfase de suas gravações se voltavam, na perspectiva do organizador, para seis grandes temas: as próprias palavras, os trabalhos, os amores, as viagens, as relações familiares e as inquietações existenciais.
A elaboração do livro, portanto, aloca as falas do artista correspondentes a cada um dos seis temas em respectivas divisões, e cada uma delas foi intitulada com frases inspiradas nas obras de Leonilson, ou extraídas, em jogo intertextual, de títulos de seus trabalhos.
A primeira delas, “Nada direi, tudo direi”, reúne registros do artista sobre a linguagem escrita e os livros. O processo criativo de Leonilson, seu método de trabalho e suas considerações a respeito do mercado de artes encabeçam a segunda parte denominada “Um artista com fogo nas mãos”. Os relatos sobre os amores e desamores foram agrupados na seção “Costura da solidão”. Na sequência, os trechos gravados em suas viagens estão enfeixados na parte “A visão exterior”. As lembranças e os dizeres sobre seus familiares e amigos estão na seção “Anjos da guarda”. E, no bloco final, “As bordas da dor”, onde foram reunidos excertos que enunciam suas aflições físicas e emocionais, e são, efetivamente, as suas últimas declarações gravadas.
Na esfera linguística propriamente dita, como são registros sonoros, foram feitas as necessárias correções gramaticais para esta publicação, mas foi preservado plenamente o tom natural da oralidade, do improviso, assim como as anáforas, as assonâncias, o fraseado solto da linguagem oral, no ritmo da alma e na espontaneidade do livre dizer.
“Ele (Leonilson) deixou um ensinamento, com o qual, como escritor, eu compartilho: fazer um texto, seja uma pintura, seja um romance, é, inegavelmente, uma declaração de amor: para o outro, para si mesmo e, sempre, para a humanidade. Que foi uma responsabilidade, das maiores que já recebi, mas também uma dádiva, à qual não sei se faço jus, ter sido o seu confidente em modo póstumo”, afirma o organizador João Anzanello Carrascoza.
Acervos do Projeto Leonilson
Leonilson deixou em testamento para sua mãe todos os seus bens, artísticos e pessoais. Por decisão da herdeira, com apoio da família, os itens foram reunidos em coleção, e deixados sob cuidados e administração da Sociedade Amigos do Projeto Leonilson, que os organizou e os separou, constituindo dois tipos de acervo: artístico e pessoal.
Desde quando foi criado, o Projeto Leonilson já catalogou cerca de 4 mil trabalhos entre desenhos, pinturas, bordados, esculturas, gravuras, assemblagens e colagens, estudos e projetos atribuídos ao artista, distribuídos em aproximadamente 550 coleções, também documentadas, entre públicas e privadas.
Possui registro de aproximadamente 650 exposições, 400 eventos, e mais de 5.300 itens bibliográficos e documentais relacionados ao Leonilson e sua obra.
O acervo pessoal contempla os materiais, itens e documentos de cunho pessoal do artista, acumulados ao longo de sua vida, e refletem aspectos de sua trajetória pessoal, familiar, social e profissional. Sob custódia do Projeto Leonilson, os itens passaram por um breve processo interno de separação, acondicionamento e arquivo, esperando a hora certa para serem devidamente inventariados.
Em 2023, passados 30 anos da morte de Leonilson, a instituição conseguiu, por conta do projeto realizado através da Lei Rouanet, com patrocínio Itaú e Laranjinha Itaú, iniciar oficialmente a pesquisa e catalogação do Arquivo Pessoal do Leonilson, do qual este livro é um dos resultados. Apesar de naturezas e finalidades diferentes, os dois tipos de acervos se sobrepõem e se complementam, sendo que o levantamento, identificação, classificação e registro de ambos é um processo essencial para a preservação, compreensão e valorização da trajetória de Leonilson.
Acervo pessoal – Leonilson
O acervo pessoal de Leonilson é composto por uma diversidade de materiais que complementam sua arte: agendas; cadernos de anotações; gravações em áudio; registros fotográficos; textos e poesias; biblioteca; correspondências; materiais de trabalho; objetos; coleção particular de obras; documentos administrativos e de identificação.
No entanto, é importante considerar que se trata de itens e materiais que são uma extensão sensível da existência do artista, de suas relações e intimidades. Preservar a memória de um artista não é apenas organizar documentos, é mediar camadas de vida, respeitar silêncios e escolher com cuidado o que e como tornar visível.
Ao tornar acessível e inteligível parte do universo documental do artista, reafirma-se o compromisso do Projeto Leonilson com a democratização do patrimônio cultural e com a construção de narrativas plurais e inclusivas no campo da arte brasileira.
Sobre o artista
José Leonilson (1957-1993) é um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira, conhecido por sua obra singular e autobiográfica. Nascido em Fortaleza, em 1957, Leonilson mudou-se com a família para São Paulo ainda pequeno, e logo cedo começou a demonstrar o seu interesse pela arte.
Fez cursos livres na Escola Panamericana de Arte e depois ingressou no curso de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado, deixando-o incompleto, para iniciar sua trajetória artística.
Na década de 1980, fez parte do grupo de artistas que retomou a prática da pintura, conhecido como ‘Geração 80’. Participou de importantes mostras no Brasil e no exterior, como Bienais, Panoramas da Arte Brasileira, e a emblemática “Como vai você, Geração 80?”.
Interessado em moda, trabalhou com o grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, com a criação dividida de cenários e figurinos do espetáculo A Farra da Terra. A convite de Gloria Kalil apresentou sua interpretação sobre moda em evento de lançamento de coleção da grife Fiorucci.
Leonilson era um viajante apaixonado. Morou temporariamente em Madri, Milão e Munique, e viajava frequentemente pelo Brasil e exterior, buscando e vivenciando novas experiências. Essa paixão foi fundamental para fazer dele um artista atualizado, sempre em contato com as últimas tendências, por dentro dos movimentos que agitavam o cenário cultural-artístico da época.
O artista faleceu jovem, em decorrência do vírus HIV, na cidade de São Paulo, em 1993, aos 36 anos de idade. Deixou cerca de 4.000 obras, além de múltiplo acervo documental. Sua poética trata sobre sua existência, debate sentimentos, alegrias, conflitos, dúvidas e principalmente, no final de sua vida quando descobre ser portador do vírus HIV, sobre suas angústias, medos, a convivência com a doença e o impacto que ela causa na sua vida.
Sua produção é considerada por críticos brasileiros e internacionais de grande valor conceitual para a arte no Brasil, sendo o retrato autêntico e incansável de uma geração e, que por abordar questões cruciais inerentes à subjetividade humana, se faz capaz de gerar identificação e diálogo universal.
Sobre o Projeto Leonilson
A Sociedade Amigos do Projeto Leonilson é uma sociedade civil sem fins lucrativos, fundada oficialmente em 1995 por familiares e amigos do artista. O Projeto Leonilson, no entanto, começou a funcionar em 1993, poucos meses após o falecimento de Leonilson. Surgiu com a missão de manter viva a memória do artista por meio da pesquisa, catalogação e divulgação de sua vida e obra, contextualizando-a no cenário histórico-cultural brasileiro.
A instituição realiza as atividades de guarda, catalogação, pesquisa e divulgação da coleção sob sua tutela. Rastreia, localiza e registra novas obras, coleções, exposições, eventos e bibliografias, no Brasil e no exterior; realiza pesquisas de ordem estética, histórica e documental, organiza e produz material iconográfico; participa ativamente na exposição de obras do artista com apoio, suporte e produção de mostras, em eventos nacionais e internacionais de todos os portes; incentiva, facilita e intermedia negociações de doações e aquisições de obras por renomadas instituições museológicas brasileiras e internacionais. De maneira geral, presta serviço de assessoria à imprensa e atendimento ao público. Fornece suporte e assistência à críticos, curadores, leiloeiros, galeristas, instituições culturais, pesquisadores, estudantes, apreciadores, fornecendo material, informações e dados pertinentes à cada solicitação.
A família do artista deixou a cargo da instituição a gerência dos direitos autorais e morais de Leonilson. Uma vez titular exclusivo, o Projeto Leonilson tem livre iniciativa e atua de maneira independente e flexível, no controle e na administração de uso de imagem de obras e do artista, evitando divulgações puramente comerciais sem cunho cultural, cumprindo assim de modo pleno o papel de zelar pela preservação e divulgação da memória e da obra artística de Leonilson.
Em 2017, vinte e dois anos após sua criação, o Projeto Leonilson alcançou um dos seus principais objetivos: a publicação do catálogo racional de obras do artista. Com patrocínio da Fundação Edson Queiroz, o Catálogo Raisonné de Leonilson foi lançado e celebrado com uma mostra itinerante retrospectiva realizada no Espaço Cultural Unifor (Fortaleza, 20917) e Galeria de Arte do Centro Cultural Fiesp, (São Paulo, 2019). A publicação, bilíngue, é apresentada em 3 volumes, com 3.400 registros entre obras, estudos e projetos realizados pelo artista, dispostos em ordem cronológica. Além da ficha técnica completa das obras, traz textos técnicos e críticos, listas de exposições, eventos e referências bibliográficas. Foi a primeira publicação do gênero dedicada a um artista contemporâneo falecido a ser lançada no Brasil. Uma ferramenta única para apreciadores, curadores, pesquisadores, profissionais do mercado de arte e instituições culturais.
Com o reconhecimento da importância e do trabalho realizado, a instituição rapidamente recebeu o status de centro de referência de vida e obra de Leonilson, sendo constantemente consultada pelo público geral e especializado. http://www.projetoleonilson.com.br/





SERVIÇO RÁPIDO
Livro “Leonilson: diários de uma voz – trechos transcritos”
organização: João Anzanello Carrascoza
projeto gráfico: Herbert Allucci
pesquisa: Gabriela Dias Clemente, Renata Allucci e Leonardo Birche
revisão: Rogério Duarte
realização: Ministério da Cultura e Sociedade de Amigos do Projeto Leonilson
patrocínio: Itaú e Laranjinha Itaú
Venda oficial: a partir de 19 de janeiro de 2026
Site: http://www.projetoleonilson.com.br/
Valor: R$ 100,00
Páginas: 232
redes sociais
Projeto Leonilson @projeto.leonilson
João Anzanello Carrascoza @joaoanzanellocarrascoza
créditos
Edouard Fraipont / Divulgação
Autor:
Erico Marmiroli


