Contratado da Revista Week, um semanário de entretenimento, Frank Albert Moore é considerado o melhor fotógrafo da redação, em função da sua criatividade em clicar cenas icônicas. Costuma idealizar clicks diferenciado, com sua câmera acoplada a uma lente teleobjetiva.
Por ser um fotógrafo aventureiro, ter uma intuição refinada, possuir um bom relacionamento e ser um solteirão bon-vivant, Frank vive viajando pelo mundo em busca do inusitado. Nessas viagens já fotografou guerras, catástrofes, atentados e tantas outras tragédias humanas.
Suas fotos deixam os leitores admirados, com a sua forma magistral de enquadrar as cenas, com sua teleobjetiva. Por suas façanhas, adquiriu fama, prêmios e status de melhor fotógrafo. Mas como tudo têm um preço, Frank já passou por poucas e boas por tirar certas fotos.
Em muitas de suas coberturas pelo mundo, por ter tido à coragem de fotografar cenas ousadas, já o deixou em situações embaraçosas. A ponto de ter que se esconder ou deixar o local correndo, para se despistar de seus desafetos.
Quando a redação o convoca para cobrir uma ocorrência, se for fora do país, têm pouco tempo para colocar em sua maleta, apenas alguns objetos de uso pessoal. Onde vai ficar, o que vai comer, onde vai dormir, ficam sempre em segundo plano.
Apesar de não ser à sua praia, Frank recebeu da redação a missão de fotografar um desfile da Fashion Week (Semana da Moda). De imediato, Frank tentou rejeitar – Como vou me apresentar num evento de modas, em meio a tantas celebridades, dirigindo um jipe enlameado, barba por fazer, desalinhado e cabelo desgrenhado.
Você consegue! Você é o nosso melhor fotógrafo! Diante da insistência de Jimmy, seu editor chefe, não teve como dizer não e refutar a missão espinhosa, como ele mesmo ironizava.
Muito embora fora do seu habitat, diante de inúmeras personalidades no local do evento, Frank foi se adaptando e buscando um lugar de onde pudesse fazer fotos diferenciadas. Daquelas que os fotógrafos costumam fazer, por ficarem todos aglomerados.
Diante de tantas celebridades, Frank foi aos poucos se ambientando e fotografando as modelos, que uma após a outra, adentravam à passarela. Dentre todas que fotografou, uma de certa forma chamou-lhe atenção pela sua beleza, leveza e charme. De volta à redação, fotos entregues e alguns dias de merecido descanso.
Na edição semanal da Revista Week, no artigo referente ao desfile de modas, suas fotos foram alvo de elogios. Em especial de uma modelo de nome Agnes, que ligou na redação para saber o nome do fotógrafo que cobriu o evento. Diante da insistência em conhecê-lo, conseguiu um número de contato.
Em vez de ligar, Agnes Carol Brandt, apareceu de surpresa na porta do seu apartamento. Ao abrir à porta e não conseguir identificá-la, Frank perguntou – Quem é você? Sou uma das modelos que você fotografou na Fashion Week. Meu sexto sentido, me garantiu que você gostaria de rever-me. Estou enganada? Se for a modelo Agnes, seu pressentimento está corretíssimo.
Provavelmente a sua visita têm haver com as fotos, um provável “elogio” ou uma “crítica”. Estou correto? Somente elogios! Tenho acompanhado seu trabalho e lido as notas veiculadas nas redes sociais. Sempre tive vontade de conhecê-lo pessoalmente. As fotos, foram o passaporte para chegar até você.
Estou curiosa em saber das suas aventuras pelo mundo da fotografia. Se você tiver paciência em ouvi-las Agnes, terei o maior prazer em contar-lhe em detalhes. Como que prevendo o resultado deste encontro, nem tanto casual, eu arriscaria dizer que a vida desse solteirão está com os dias contados.
Autor:
Carlos R. Ticiano
Articulista e romancista


