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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Primeiro emprego: como montar um currículo que faça a diferença

Mesmo com desemprego em queda e aumento do emprego formal, jovens ainda enfrentam forte competição por vagas de entrada

O Brasil vive um momento de melhora gradual nos indicadores de emprego formal, mas isso não significa que a disputa por vagas iniciais esteja menos acirrada. Dados recentes da PNAD Contínua mostram que a taxa de desemprego caiu para 5,8% no segundo trimestre de 2025, o menor nível da série histórica. Ao mesmo tempo, o número de empregados com carteira assinada no setor privado alcançou 39 milhões, também um recorde. A massa salarial real atingiu R$ 354,6 bilhões no trimestre encerrado em março, reforçando a tendência de recuperação do mercado de trabalho.

Mesmo assim, quem busca o primeiro emprego segue enfrentando dificuldades estruturais. A competição intensa, a falta de experiência formal e a ausência de orientação sobre como se apresentar profissionalmente continuam sendo barreiras para uma entrada mais rápida no mercado. É nesse cenário que o currículo assume papel decisivo: mais do que um documento, ele se torna a primeira oportunidade de demonstrar preparo, organização e potencial.

Especialistas afirmam que a maioria dos jovens que se candidata a vagas de início de carreira ainda comete erros básicos, especialmente na forma de expor informações. Muitos currículos são longos demais, confusos, com dados redundantes ou, no extremo oposto, excessivamente enxutos, deixando de mostrar habilidades relevantes desenvolvidas em atividades informais, escolares ou comunitárias.

Um mercado mais aquecido, mas ainda competitivo

A redução do desemprego indica uma economia com maior fôlego, mas as vagas de entrada continuam entre as mais disputadas. Empresas de diferentes setores ampliaram contratações nos últimos meses, e boa parte dos novos postos formais tem sido absorvida por trabalhadores com experiência prévia. Para quem está começando, isso exige preparo adicional.

Recrutadores relatam que, em alguns processos seletivos, vagas administrativas ou de atendimento chegam a receber mais de mil currículos em poucos dias. Em áreas como varejo, serviços financeiros e logística, a triagem inicial já é quase totalmente digital, o que torna a apresentação do currículo ainda mais relevante, especialmente para sistemas de filtragem automática utilizados nas primeiras etapas.

O que realmente importa no currículo de quem busca o primeiro emprego

Diante desse cenário, montar um currículo que se destaque exige foco, clareza e estratégia. Para quem nunca trabalhou, isso significa organizar o documento com base em habilidades, cursos, vivências e resultados, e não necessariamente em experiências formais.

Especialistas recomendam começar pelo básico: nome, contatos atualizados e links profissionais, como perfis em sites de conteúdo ou portfólio. Depois, uma breve apresentação que resume objetivos e áreas de interesse, sempre evitando frases genéricas. É nesse ponto que muitos candidatos se confundem ao procurar modelos prontos na internet ou tentar entender como fazer um currículo que seja ao mesmo tempo simples e impactante.

Os recrutadores reforçam que a falta de experiência não é um problema quando o candidato consegue demonstrar capacidade de aprendizado e proatividade. Participação em projetos escolares, olimpíadas acadêmicas, atividades voluntárias, empreendedorismo informal e cursos de curta duração podem, e devem, aparecer. O importante é contextualizar: não basta listar atividades, é preciso explicar o que foi aprendido.

Habilidades comportamentais são outro ponto valorizado. Para quem busca posições de entrada, características como organização, comunicação, resolução de problemas e trabalho em equipe têm peso decisivo. Mostrar essas informações de forma objetiva e conectada com situações reais faz diferença.

Erros que eliminam currículos logo no início

Além da falta de clareza, algumas falhas comuns podem derrubar candidatos ainda na triagem inicial. Currículos muito longos, erros de ortografia, informações pessoais excessivas ou desatualizadas e layouts difíceis de ler são alguns dos problemas mais citados por recrutadores.

Outro ponto crítico é a inclusão de experiências irrelevantes. Para vagas de primeiro emprego, vale muito mais destacar o que o candidato sabe fazer e que poderia ser útil no objetivo que pretende alcançar do que listar atividades sem relação com o cargo pretendido. A recomendação é manter o foco em resultados, aprendizados e habilidades, mesmo que desenvolvidas fora do mercado formal, e que sejam relevantes para a função que se deseja preencher.

Preparação digital é parte do processo

Com boa parte das vagas publicadas em plataformas online, saber navegar por esses ambientes também faz parte da jornada de quem busca o primeiro emprego. Muitos recrutadores esperam que o candidato esteja familiarizado com testes comportamentais, plataformas de currículo e sistemas de inscrição automatizados.

Como esses processos se tornaram mais rápidos, um currículo bem estruturado, organizado visualmente e alinhado com a vaga pode ser decisivo para fazer o candidato avançar para as próximas etapas.

Uma porta de entrada, e de acesso a oportunidades futuras

Para quem busca o primeiro emprego em um mercado que se recupera, mas permanece competitivo, o currículo continua sendo a principal ferramenta de apresentação. Ele não resolve tudo, mas abre portas. Em um momento em que jovens precisam se destacar em meio a milhares de candidatos, produzir um documento claro, honesto e objetivo pode ser o primeiro passo para construir uma trajetória profissional sólida.

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