Design Inclusivo como Vantagem Competitiva no Varejo da Longevidade
Sabe aquele lado da economia que cresce em silêncio, mas não para de fazer barulho nos números? Pois é. A Silver Economy, a economia da longevidade, não é nicho, nunca foi. É mercado de massa. É potência. E o varejo que não enxergar isso agora, vai enxergar no prejuízo amanhã.
O Brasil tem 31,8 milhões de pessoas com 60+ anos e essa população cresce a uma velocidade que deixaria qualquer demógrafo de boca aberta. Até 2070, seremos 75 milhões de idosos, representando 37,8% da população. Não é previsão mágica, é matemática. E matemática é fato.
Aqui está o pulo do gato: esse público não é pobre. Pelo contrário. 78% dos brasileiros mais ricos têm mais de 50 anos, e a renda média dos 60+ é 57% maior que a média nacional. Eles têm poder aquisitivo, experiência de vida e detalhe importante: altíssima fidelidade com marcas que os respeitam.
Mas aí vem a questão que deveria manter todo lojista acordado à noite: como essas pessoas estão comprando? 88% dos 60+ utilizam e-commerce, com 71% acessando por smartphone. Só que aqui está o problema: menos de 2% dos e-commerces brasileiros são acessíveis. Contraste ruim, fontes pequenas, navegação complicada, checkout que parece labirinto. É como convidar um cliente milionário para jantar e servir a comida no chão.
É nesse vazio que o Design Inclusivo (Universal Design) emerge como estratégia não de caridade, mas de puro negócio. Como dissemos em Diversa Idade com a Tati Gracia: inclusão é lucrativa quando reconhecemos que pessoas diversas têm demandas reais, e essas demandas, atendidas corretamente, geram receita.
O ROI é claríssimo: uma loja digital acessível aumenta a taxa de conversão em até 30%. Iluminação otimizada, corredores amplos, sinalização clara em lojas físicas? Beneficiam não só idosos, mas cuidadores, pessoas com deficiência, pais com carrinhos de bebê. Expansão de mercado é simples: quanto mais pessoas conseguem acessar, mais gente compra.
A fidelização é outra história. O consumidor 50+ valoriza qualidade, autonomia e respeito. Ele não quer ser tratado como incapaz. Quer soluções que funcionem. Marcas que investem em design inclusivo são percebidas como marcas que cuidam e isso vira moeda de lealdade duradoura.
Varejo inclusivo não é tendência passageira. É a porta de entrada para o mercado que mais cresce no Brasil. E a resposta não está em criar produtos especiais para idosos (spoiler: eles querem os mesmos produtos que todo mundo, só que funcionando direito). Está em reconhecer que design universal beneficia todos, reduzindo barreiras para bilhões em potencial de vendas.
O futuro do varejo não é jovem, não é velho. É inteligente. Você vai ficar para trás?
Por:
Willians Fiori
Especialista em Economia da Longevidade desde 2003
Professor docente do Hospital Israelista Albert Einstein
Professor convidado ds FIA
Professor convidado do INSPER
Membro da Aliança europeia de Silver Economy
Autor dos livros: Diversa-IDADE, Brasil 2060
Co-Autor do livro Longevity HUB do MIT – Massachusetts Institute of Technology
Criador do grupo de estudos sobre lonvevidade envelhecimento 2.0


