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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A História do Coordenador Pedagógico: Da Supervisão à Mediação Educacional – Por Stela Marrega

A figura do coordenador pedagógico, tal como a conhecemos hoje, é resultado de um longo processo histórico de transformações na educação brasileira. Sua origem está profundamente ligada às mudanças nas concepções de ensino, aprendizagem e gestão escolar, que ao longo das décadas redefiniram o papel dos profissionais responsáveis por orientar o trabalho docente e garantir a qualidade do processo educativo.

Durante boa parte do século XX, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, o papel que hoje é desempenhado pelo coordenador pedagógico era exercido pelos chamados supervisores escolares. Esses profissionais surgiram em um contexto de forte centralização administrativa, em que a função principal era fiscalizar o cumprimento das normas, acompanhar os resultados e garantir que o ensino obedecesse aos padrões estabelecidos pelos órgãos oficiais. A ênfase estava no controle e na inspeção, não na formação ou no apoio pedagógico.

Com o passar do tempo, especialmente a partir da década de 1970, o cenário educacional começou a mudar. A escola passou a ser vista como um espaço de formação integral do sujeito, e não apenas de transmissão de conteúdos. Essa nova visão exigia uma reorganização interna das funções e das práticas pedagógicas. Assim, o papel do supervisor começou a se transformar, deixando de ser meramente técnico-burocrático para assumir uma dimensão mais formativa e colaborativa.

Foi nas décadas de 1980 e 1990, impulsionado pelas discussões sobre gestão democrática e autonomia escolar, que o cargo de coordenador pedagógico ganhou força e identidade própria. A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/1996) consolidaram a ideia de que a escola deve ser um espaço de participação, diálogo e formação continuada. Nesse novo modelo de gestão, o coordenador pedagógico assumiu a função de articulador do trabalho pedagógico, mediador das relações entre professores, alunos e equipe gestora, e promotor de uma cultura reflexiva e colaborativa.

O coordenador pedagógico, portanto, passou a ser reconhecido como formador dentro da escola, um profissional que observa, orienta, escuta e propõe caminhos para aprimorar o ensino e a aprendizagem. Sua atuação tornou-se essencial na formação continuada dos professores e na consolidação do projeto político-pedagógico da instituição. Em vez de um fiscal, o coordenador tornou-se um parceiro do professor, alguém que compartilha desafios, constrói soluções e promove o crescimento coletivo.

Nos dias atuais, o papel do coordenador pedagógico é ainda mais desafiador e complexo. Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas, diversidade cultural e novas formas de aprender, o coordenador precisa conciliar múltiplas funções: formador, articulador, mediador de conflitos, gestor de processos e promotor da inovação pedagógica. Sua atuação é decisiva para fortalecer a identidade da escola e garantir que os objetivos educacionais sejam alcançados de forma coerente, ética e inclusiva.

A história do coordenador pedagógico é, portanto, a história da própria evolução da escola brasileira. Ela reflete a transição de um modelo de controle para um modelo de cooperação, no qual o foco está no desenvolvimento humano e na construção coletiva do conhecimento. Hoje, mais do que nunca, é necessário reconhecer o valor desse profissional, cuja missão vai além da gestão: ele é um líder pedagógico, comprometido com a formação docente, com a aprendizagem dos estudantes e com a transformação da educação em um ato verdadeiramente emancipador.

Stela Marrega
Doutora em Educação, Professora, Gestora e Pedagoga apaixonada pela educação. ❤️

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