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sábado, 24 de janeiro de 2026

RESENHA CRÍTICA: INFLUÊNCIA DO EMPACOTAMENTO E DO TEOR DEAGREGADOS NAS PROPRIEDADES DE CONCRETOS PERMEÁVEIS DECIMENTO PORTLAND

O artigo “Influência do empacotamento e do teor de agregados nas propriedades
de concretos permeáveis de cimento Portland”, publicado na Revista de Engenharia Civil
(2022, No. 59, pp. 5-18), é de autoria de G. Macioski, N. T. A. Soto, M. H. F. Medeiros, L.
C. Janh e F. G. R. de Oliveira. Os autores, vinculados à Universidade Federal do Paraná e
à Universidade Tecnológica Federal do Paraná, exploram uma solução sustentável para
o problema da impermeabilização urbana: o concreto permeável. Este material permite
a infiltração de água no solo, mitigando inundações e melhorando o ciclo hidrológico em
áreas urbanas. O estudo foca na análise experimental da influência do empacotamento
(coeficiente de distribuição “q”) e do teor de agregados nas propriedades mecânicas e
hidráulicas do concreto, contribuindo para o avanço de pavimentos permeáveis no
contexto brasileiro, onde normas como a ABNT NBR 16416:2015 ainda são recentes e
demandam refinamentos. O artigo inicia contextualizando o impacto da urbanização na
impermeabilização do solo, citando autores como Agra (2001) e Araújo et al. (2000) para
destacar problemas como enxurradas e a ineficiência de soluções tradicionais de
drenagem.
Os autores defendem o concreto permeável como alternativa ecológica e
econômica, capaz de reduzir o escoamento superficial em até 100% (Marchioni e Silva,
2001), embora alertem para desvantagens como a colmatação de poros (Baptista et al.,
2011).Na seção de materiais e métodos, descrevem a dosagem de seis traços de
concreto com relação água/cimento fixa em 0,30 e teores de cimento:agregado de 1:4 e
1:5, variando os agregados (brita 0, brita 1 e mistura com 5% de areia). O
empacotamento é calculado pelo modelo de Funk e Dinger (2013), resultando em
coeficientes q de 1,01 a 1,93. Os ensaios, realizados em amostras cilíndricas aos 28 dias,
incluem resistência à compressão (ABNT NBR 5739:2007), tração diametral (ABNT NBR
7222:2011), módulo elástico dinâmico (ASTM C215:2008), índices de vazios e densidade
(ABNT NBR 9778:2005), e permeabilidade (método de Neithalath et al., 2003).
Os resultados indicam que menor teor de agregados (m=4) e empacotamentos
intermediários (q=1,39) melhoram a resistência à compressão (até 16,87 MPa) e
permeabilidade (0,34 a 1,27 cm/s), embora os valores de vazios (abaixo de 15-25%
recomendados pela ACI 522R-10) sejam inferiores ao esperado, possivelmente devido
ao adensamento excessivo. A permeabilidade atende à ABNT NBR 16416:2015 (>0,001
m/s), mas a resistência à compressão fica abaixo do mínimo de 20 MPa para alguns usos.
As correlações entre propriedades são fracas (R² < 0,5), sugerindo comportamento único
do material.Nas conclusões, os autores enfatizam que o empacotamento e teor de
agregados afetam significativamente as propriedades, recomendando composições com
menor teor de agregados para melhor desempenho. O artigo é relevante no contexto da
engenharia civil sustentável, alinhando-se a tendências globais de mitigação de impactos
urbanos, como as discutidas por Liu et al. (2019) sobre agregados reciclados. Seus pontos
fortes incluem a abordagem experimental rigorosa, com análises estatísticas (ANOVA e
Tukey) que validam as influências das variáveis, e a integração com normas brasileiras,
preenchendo lacunas identificadas por Batezini (2013) sobre métodos de dosagem.
A inclusão de agregados locais (graníticos) torna os resultados aplicáveis ao Brasil,
e a discussão sobre colmatação aborda limitações práticas, promovendo uma visão
equilibrada.No entanto, há fraquezas: a ausência de aditivos superplastificantes,
sugerida por Tennis et al. (2004), limita a otimização da relação a/c, potencialmente
subestimando resistências mecânicas. Os índices de vazios baixos questionam a
representatividade das amostras como “permeáveis típicos”, e a falta de testes de longo
prazo para colmatação reduz o escopo prático. Além disso, correlações fracas indicam
necessidade de modelos preditivos específicos, o que poderia ser expandido com
simulações numéricas (Pieralisi et al., 2016). Apesar disso, o estudo contribui para o
refinamento de normas e incentiva pesquisas futuras com adições minerais ou
agregados reciclados, alinhando-se a objetivos de sustentabilidade.Em suma, esta é uma
contribuição sólida e acessível, recomendada para engenheiros e pesquisadores em
drenagem urbana, com potencial para influenciar políticas públicas como as
certificações no Rio de Janeiro e São Paulo.
REFERÊNCIAS
Macioski, G.; Soto, N. T. A.; Medeiros, M. H. F.; Janh, L. C.; Oliveira, F. G. R. de.
Influência do empacotamento e do teor de agregados nas propriedades de concretos
permeáveis de cimento Portland. Revista de Engenharia Civil, n. 59, p. 5-18, 2022.
Disponível em: http://www.civil.uminho.pt/revista.
Agra, S. G. Estudo experimental de microrreservatórios para controle do escoamento
superficial. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2001.
Araújo, P. R.; Tucci, C. E. M.; Goldenfum, J. A. Avaliação da eficiência dos pavimentos
permeáveis na redução de escoamento superficial. Revista Brasileira de Recursos
Hídricos, v. 5, n. 3, p. 21-29, 2000.
Batezini, R. Estudo preliminar de concretos permeáveis como revestimento de
pavimentos para áreas de veículos leves. Tese de Doutorado. Universidade de São
Paulo, 2013.
Funk, J. E.; Dinger, D. R. Predictive process control of crowded particulate
suspensions: applied to ceramic manufacturing. Springer Science & Business Media, 2013.
Liu, T.; Wang, Z.; Zou, D.; Zhou, A.; Du, J. Strength enhancement of recycled aggregate
pervious concrete using a cement paste redistribution method. Cement and Concrete
Research, v. 122, p. 72-82, 2019.
Marchioni, M. S.; Silva, C. O. Pavimento Intertravado Permeável – Melhores Práticas.
Associação Brasileira de Cimento Portland, 2011.
Neithalath, N.; Olek, J.; Weiss, W. J.; Marolf, A.; Sell, E.; Thornton, W. D. Development
of Quiet and Durable Porous Portland Cement Concrete Paving Materials. Final
Report, The Institute for Safe, Quiet, and Durable Highways, 2003.
Pieralisi, R.; Cavalaro, S. H. P.; Aguado, A. Discrete element modelling of the fresh
state behavior of pervious concrete. Cement and Concrete Research, v. 90, p. 6-18, 2016.
Tennis, P. D.; Leming, M. L.; Akers, D. J. Pervious Concrete Pavements. Portland
Cement Association, 2004.

Autor:

Professor e Engenheiro Civil Dr. José Rinaldo Domingos de Melo

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