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sábado, 24 de janeiro de 2026

O volume de consumo de cervejas deve chegar a 8,3 bilhões de litros em 2025 no Brasil

Movido por categorias premium e sem álcool, setor vive momento de diversidade e sofisticação no paladar dos brasileiros

O consumo de cerveja no Brasil está prestes a alcançar uma marca histórica. Em 2025, a expectativa do setor é de que mais de oito bilhões de litros sejam consumidos no país, consolidando o Brasil como um dos maiores mercados mundiais da bebida. A projeção reflete não apenas o volume crescente, mas também uma transformação cultural em torno do hábito de beber cerveja.

A mudança no perfil do consumidor, cada vez mais interessado por rótulos diferenciados, sustentáveis e com menos teor alcoólico, ajuda a explicar esse novo patamar. A chamada “premiumização” é uma das grandes tendências que impulsionam esse crescimento: o brasileiro está disposto a pagar mais por qualidade, sabor e sofisticação.

Dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) mostram que o mercado de cervejas premium, por exemplo, saltou de pouco mais de 50 bilhões de reais em faturamento em 2020 para uma estimativa superior a 80 bilhões em 2025. É um aumento de cerca de 50% em apenas cinco anos.

Esse movimento é acompanhado pelo aumento do consumo per capita. Em média, cada brasileiro consome mais de 60L de cerveja por ano. Ainda que o país esteja atrás de líderes históricos como Alemanha e República Tcheca no índice por habitante, em volume total o Brasil figura entre os três maiores mercados mundiais, ao lado de China e Estados Unidos.

Mudança de hábitos e o avanço da cerveja sem álcool

Além da premiumização, um fenômeno que chama atenção é o crescimento acelerado das cervejas sem álcool. Nos últimos cinco anos, o volume consumido dessa categoria praticamente quintuplicou, passando de pouco mais de 100 milhões de litros em 2018 para quase 700 milhões em 2023, segundo levantamento da Euromonitor International.

A tendência deve continuar em ritmo forte: a expectativa é que o Brasil ultrapasse a marca de 780 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2025, posicionando-se como o segundo maior mercado global do segmento, atrás apenas da Alemanha.

Esses números refletem mudanças de comportamento do consumidor, cada vez mais atento à saúde e ao equilíbrio entre prazer e moderação. Marcas tradicionais já perceberam esse novo nicho: Heineken 0.0, Brahma 0.0 e Corona Cero são exemplos de produtos que passaram a disputar espaço nas prateleiras com força e que têm conquistado um público diverso: de jovens que evitam álcool a esportistas e motoristas que não querem abrir mão do ritual do brinde.

Heineken e Ambev disputam liderança no mercado cervejeiro brasileiro

Em paralelo ao crescimento do consumo, o Brasil se consolida como um dos maiores centros estratégicos da indústria cervejeira mundial. A Heineken, por exemplo, declarou recentemente que o Brasil já é seu principal mercado global, à frente de países como Holanda, México e Estados Unidos. O sucesso da marca por aqui não se deve apenas à versão tradicional da bebida, mas também ao avanço da Heineken 0.0, que já representa cerca de cinco por cento das vendas totais da empresa no país.

A Ambev, líder histórica do setor, continua investindo pesado em inovação, marketing e diversificação de portfólio para manter sua participação. Marcas como Skol, Brahma, Antarctica e Bohemia seguem populares, mas é nas linhas especiais, como Colorado, Wäls e Goose Island, que a empresa tem buscado fidelizar consumidores mais exigentes.

O mercado também conta com o crescimento das microcervejarias e cervejarias artesanais, que somam quase duas mil operações registradas em território nacional. Embora respondam por uma fatia pequena do volume total, essas empresas ajudam a movimentar a cadeia produtiva e a educar o paladar do consumidor. Elas são responsáveis por introduzir estilos como IPA, weiss, sour e saison no gosto popular, antes limitados a um nicho de especialistas. Em bares e pubs especializados, o investimento em equipamentos como a cervejeira, usada para armazenar e manter as bebidas na temperatura ideal — reforça o cuidado com a experiência do cliente e valoriza ainda mais o produto oferecido.

Potencial de expansão e desafios do setor

Mesmo com tantos avanços, a indústria nacional ainda enfrenta desafios importantes. O principal deles é manter a sustentabilidade do crescimento em um contexto de inflação elevada e instabilidade econômica. O aumento do custo de matérias-primas, embalagens e transporte afeta diretamente os preços da cerveja, o que pode afastar consumidores das classes mais baixas.

Outro ponto delicado é o consumo excessivo. Apesar do crescimento das versões sem álcool e das campanhas de conscientização, o consumo abusivo da bebida ainda preocupa órgãos de saúde pública. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que, embora o consumo de álcool tenha diminuído ligeiramente no Brasil entre 2010 e 2020, ele deve voltar a crescer até o fim da década.

Nesse contexto, a indústria cervejeira é chamada a equilibrar inovação, responsabilidade e crescimento sustentável. O sucesso das cervejas zero álcool, o fortalecimento das marcas premium e o avanço da produção artesanal mostram que o setor tem capacidade de se reinventar e responder às demandas da sociedade.

Um brinde ao futuro

O cenário que se desenha para o mercado cervejeiro brasileiro é de otimismo, mas com os pés no chão. Com um consumo projetado superior a oito bilhões de litros em 2025, o Brasil reforça seu lugar como potência global da cerveja, impulsionado por novos comportamentos, maior exigência dos consumidores e uma indústria disposta a se adaptar.

Seja nas grandes fábricas ou nas pequenas cervejarias locais, o que se vê é uma revolução silenciosa nos copos, com mais qualidade, mais diversidade e, principalmente, mais consciência. E tudo indica que essa evolução está apenas começando.

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