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domingo, 25 de janeiro de 2026

A Teologia da Libertação e o pecado estrutural: uma denúncia ainda mais profunda

A Teologia da Libertação surgiu na década de 1960 dentro da Igreja Católica como um movimento que uniu fé e compromisso social. Seus teólogos analisaram criticamente a realidade da América Latina e buscaram apoiar os pobres e oprimidos na luta por direitos. Essa abordagem, no entanto, gerou conflitos com o Estado, setores econômicos e até com a hierarquia católica, que via a proposta como um desafio à ordem estabelecida.

O movimento rejeitou análises metafísicas abstratas e propôs uma leitura concreta da realidade social. Em vez de interpretar a fé como um conceito isolado, os teólogos da libertação enfatizaram a práxis cristã, ou seja, a vivência da fé no contexto de exploração e desigualdade. Para Leonardo Boff, um dos principais expoentes da Teologia da Libertação, a centralidade da fé cristã está na experiência social dos fiéis, não apenas na crença individual.

Essa abordagem leva a uma reflexão profunda sobre qual pensamento teológico se alinha mais com os ensinamentos de Jesus. De um lado, a Teologia da Prosperidade associa a fé ao acúmulo de riqueza e ao sucesso material, reproduzindo uma lógica capitalista dentro das igrejas. Do outro, a Teologia da Libertação resgata a mensagem do Evangelho, destacando que os pobres e oprimidos são os verdadeiros herdeiros do Reino dos Céus.

O Jesus histórico e uma postura crítica diante da opressão

O Jesus histórico não pode ser analisado a partir de um anacronismo que o coloca como opositor direto do capitalismo moderno. No entanto, sua atuação política e religiosa demonstrava um claro compromisso com os marginalizados e uma postura crítica diante da opressão. Seus ensinamentos, portanto, estão mais alinhados com a Teologia da Libertação do que com a ética protestante que impulsionou o espírito do capitalismo.

Além de questionar os valores do sistema econômico vigente, a Teologia da Libertação denuncia um problema ainda mais profundo: o pecado social. A desigualdade e a exploração não são apenas consequências do modelo econômico, mas também estruturam um sistema de injustiça que fere os princípios cristãos. Enquanto setores conservadores ignoram essa realidade, a Teologia da Libertação assume o compromisso de combatê-la.   

Wildenaik C. Goncalves
Wildenaik C. Goncalves
Graduado em História, Graduado em Filosofia. Especialista em Filosofia Contemporânea, Extensão Acadêmica em Política, História e Sociedade, Especialista em Ciências da Religião, Bacharel em Farmácia.

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