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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A Teoria da Ação Política e Construcionista no Jornalismo

Quais as Cinco Razões Para a Subordinação do Jornalismo aos Interesses Capitalistas? Por Que os Esquerdistas Defendem a Ideia de Que as Notícias São Produzidas Para Sustentar Socialmente a Ideia de um Mundo Capitalista? Para Alguns Autores, Quais São os Quatro Fatores Que Explicam a Submissão do Jornalismo aos Interesses Capitalistas?

A Teoria da Ação Política (ou Instrumentalista) tem como foco a relação entre jornalismo, sociedade e interesses político-partidários. O estudo se dedica às implicações políticas e sociais da atividade jornalística, o papel social das notícias e a capacidade do Quarto Poder em corresponder às expectativas em si – depositadas pela teoria democrática.

Herman e Chomsky (EUA, 1986) entendem que a mídia está a serviço de interesse políticos e, para eles, a notícia é aquilo que vende. Eles acreditam que os media reforçaram o “establishment” (poder estabelecido), graças à ação dos donos meios e dos anúncios e que o jornalismo funciona como um “modelo de propaganda”. Os autores apontam cinco (5) razões para a subordinação do jornalismo aos interesses capitalistas:

  • Propriedades dos media;
  • Lucratividade;
  • Oficialismo;
  • Punições
  • Ideologia anticomunista dominante entre jornalistas;

Para eles existem certos limites aos estudos das teorias esquerdistas, tais como:

  • Desconsidera “certa autonomia do jornalista”;
  • Atribui fortes laços entre donos das empresas e os jornalistas. As teorias da ação política pressupõem que as notícias são como são porque interesses políticos e ideológicos assim as determinam.
  • Para a Teoria da Ação Política de direita, é o Estado que determina as notícias. Para a Teoria da Ação Política de esquerda, elas são determinadas pelos interesses ideológicos capitalistas.
  • Para esta teoria as notícias servem como instrumento para se chegar a determinados interesses.
  • Parte de um paradigma de estudos da parcialidade, cujo objetivo é verificar ou não a existência de distorções nos textos noticiosos.

Há duas (2) versões dessa teoria:

  • “Esquerda”: As notícias servem como instrumento para manter a ordem capitalista. Aqui os teóricos “esquerdistas” defendem uma ideia de que as notícias são produzidas para sustentar socialmente a ideia de um mundo capitalista. Falam muito em teorias relacionadas à manipulação da visão que temos de “realidade” e acusam a mídia de agir de maneira parcial, ou seja, a favor dos interesses capitalistas, de consumo.
  • “Direita”: As notícias são utilizadas para questionar o sistema. Os teóricos “direitistas” (que em sua maioria defendem o sistema capitalista como natural) se defendem dizendo que as notícias não estão a serviço do sistema capitalista, mas sim na contramão desse sistema, questionando-o. Essa teoria reflete a teoria do espelho na medida em que propõe o estudo das distorções contidas nas notícias. Dessa forma, a notícia aqui é encarada como reflexo/ reprodução da realidade.

Para os “esquerdistas” da Teoria Instrumentalista as notícias são parte da publicidade que sustenta o sistema capitalista. Valores como individualismo, competição e consumo aparecem cotidianamente consolidados nas páginas dos jornais e telas da televisão. Noam Chomsky é um dos mais importantes teóricos dessa escola. Nasceu em Filadélfia em 1928 de família judia ucraniana. Atualmente é professor no Departamento de Linguística do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Para ele, “a fabricação de ilusões necessárias para a gestão social é tão velha como a história e, uma nova tecnologia como a televisão é muito útil, porque produz o efeito de isolar as pessoas. Cada indivíduo está só diante da tela. Não se comunica com ninguém, nem atua em comum, nem se organiza. Uma das razões é que os indivíduos devem estar sozinhos, enfrentando o poder centralizado e os sistemas de informação de forma isolada, para que não possam participar de modo significativo na administração dos assuntos públicos”.

Para ele, a imprensa está subordinada aos interesses da elite política e econômica dos Estados Unidos. É conhecido como um crítico dos estudos sobre a manipulação e do consenso fabricado. Já os “direitistas defendem a ideia de que os jornalistas formam uma classe social específica e distorcem as notícias com o objetivo exatamente inverso: veicular ideias anticapitalistas”. Como refletir sobre essa troca de acusações? Para reforçar a ideia esquerdista, Traquina ([1]) relaciona quatro fatores que explicam a submissão do jornalismo aos interesses capitalistas:

  • Estrutura da imprensa jornalística;
  • Sua natureza capitalista
  • Dependência do jornalista às fontes governamentais e empresariais;
  • Ações punitivas dos superiores;

Perseu Abramo cita alguns padrões que considera relativos à manipulação da imprensa:

  • Ocultação;
  • Fragmentação: o real é fragmentado e dividido em fatos desconectados para evitar a consciência crítica do contexto.
  • Indução: combinação de artifícios para induzir o público a enxergar uma realidade conveniente para determinado veículo.
  • Global: ilusão de apresentar a realidade de forma completa, total, acabada.
  • Inversão: após a descontextualização, há a troca de lugares e importância dos fatos.

Para Traquina, o problema central desse modelo é a sua visão determinista sobre os jornalistas. “Visões diferentes, limitações semelhantes”.

Teoria Construcionista

Na Teoria Construcionista a notícia é vista como construção social; ou seja, esta ajuda a construir a própria realidade. Esta teoria, adaptada ao jornalismo nos anos 70, opõe-se à Teoria do Espelho, por motivos citados por Traquina como, a impossibilidade de estabelecer uma distinção radical entre realidade e os meios noticiosos que devem refletir essa realidade; a inexistência de uma linguagem neutral; a influência de fatores organizacionais, orçamentais e à imprevisibilidade dos acontecimentos.

A notícia considerada uma construção não é ficcional, mas muitos profissionais da área ainda acham que considerá-la uma estória ou narrativa tira o valor de realidade. O que teóricos do construcionismo, como Gaye Tuchman, Schudson, Bird, Dardenne e Stauart Hall tentam explicar é que a notícia deixa de ser um simples relato, e passa a ser considerada como uma construção, pois podem apresentar diferentes enfoques ou versões de um mesmo fato. “A conceitualização das notícias como estórias dá relevo à importância de compreender a dimensão cultural das notícias”, argumenta Nelson Traquina. Segundo pesquisadores do jornalismo, como Schlesinger, é importante analisar o jornalismo pela abordagem etnometodológica, e não somente pelo produto jornalístico, como outras concepções fazem. Advinda de uma corrente da sociologia americana, a etnometodologia surgiu no final da década de 1960. A observação acadêmica da rotina nas redações jornalísticas possibilitou a compreensão das ideologias e das práticas profissionais dos jornalistas, corrigindo a visão mecânica do processo de produção. Para Nelson Traquina, esses estudos contribuíram com o entendimento do jornalismo: importância da dimensão transorganizacional (Networking informal e Conexão cultural); o reconhecimento das rotinas como elementos cruciais, que englobam e são constitutivas de ideologia; corrigem as teorias instrumentalistas.


([1]) TRAQUINA, Nelson. Teorias do Jornalismo Volume I: porque as notícias são como são. Editora UFSC.

https://www.facebook.com/juliocesar.s.santos

Julio Cesar S Santos
Professor JULIOhttps://profigestaoblog.wordpress.com/
Professor, Jornalista e Palestrante. Articulista de importantes Jornais no RJ, autor de vários livros sobre Estratégias de Marketing, Promoção, Merchandising, Recursos Humanos, Qualidade no Atendimento ao Cliente e Liderança. Por mais de 30 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de Pós-Graduação em “Gestão Empresarial” e atualmente é Diretor Acadêmico do Polo Educacional do Méier e da Associação Brasileira de Jornalismo e Comunicação (ABRICOM). Mestre em Gestão Empresarial, especialista em Marketing Estratégico

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