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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

As teorias e o processo terapêutico

Grande parte das teorias, no campo da Psicanálise e da Psicologia, surgiu de experiências clínicas combinadas à estudos de outros teóricos, também experientes, em algum grau, na prática terapêutica. Estudemos as teorias em cursos de formação e posteriormente, entendendo, porém, que a formação, embora oficialmente se conclua, na vivência é e precisa ser, contínua. Observo que se valoriza em demasia as teorias, em detrimento da experiência clínica. Essa supervalorização faz que existam terapeutas junguianos, freudianos, lacanianosetc. Terapia não é religião, e consequentemente, não pode se pôr sob regência de uma espécie de sacerdote, que defina o que deve e o que não deve ser feito. Devemos abrir os livros quando sozinhos, ou coletivamente em salas de aulas, mas fechá-los no processo terapêutico, para nos abrir a esse processo, sempre único, pois o humano é profundamente subjetivo. Precisamos estudar as teorias, mas sem nos engessarnelas e a partir delas. Teorias não são um tipo de Escritura Sagrada. Elas existem para serem estudadas, ampliadas ou mesmo refutadas; são como um farol, que ilumina o caminho terapêutico, mas não são, nem jamais devem ser consideradas como o caminho. O caminho terapêuticoé dado, sempre, na interação, na experiência com o analisando. Todo terapeuta que defende, enfaticamente, ou mesmo ferozmente, uma teoria, seja de outra pessoa ou sua, revela, nisto, traços narcisistas, buscando, talvez inconscientemente, reconhecimento, identificando-se à algum teórico ou à projeção que, de si mesmo, faz. Nenhuma teoria deve ser tomada como a coisa mais importante e menos ainda o terapeuta. A coisa mais importante é a relação analista/analisando, é a experiência clínica do momento próprio. Sob esse olhar, venho desenvolvendo há anos a Neuropsiquiatria Analítica, pondo-a não como caminho, mas como farol para o caminho terapêutico, que, de modo muito peculiar, terapeuta e analisando devem seguir juntos.

Autor:

Cesar Tólmi – Psicanalista, filósofo, jornalista, pós-graduando em Neurociência Clínica, artista plástico autodidata, escritor e idealizador da Neuropsiquiatria Analítica integrada aos campos clínico, forense, jurídico e social.

E-mail: cesartolmi.contato@gmail.com

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