Como bem diz a música de Lulu Santos, “todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite” e com ela não seria diferente naquela noite de sábado.
Em frente à escadaria, pensou se deveria mesmo ir ao encontro daquele estranho que havia conhecido na internet.
Olhou novamente a foto dele e ficou entusiasmada com aquela boca carnuda.
Lembrou-se, então, das inúmeras conversas e ligações que haviam feito um para o outro. As promessas de se encontrarem e ter a certeza de que um nasceu para o outro a fez seguir em frente.
Entrando em seu carro, se certificou de que estava bem apresentada e seguiu até o local onde haviam combinado.
Ao chegar lá, foi recepcionada por aquele homem alto e bem vestido, o que lhe arrancou um suspiro discreto.
Bebericando um vinho aqui outro ali, ficou extasiada com a figura daquele homem tão gentil à sua frente.
De repente, sentiu um certo desconforto. O dono daquela boca carnuda estava com um sorriso estranho naqueles lábios e ela não conseguia compreender o que estava acontecendo.
Apagão.
Quando despertou, notou que estava amarrada à cama num quarto rústico escuro, cheio de ferramentas por toda parte.
Ela entrou em desespero ao sentir uma mordaça em sua boca. O choro veio, mas ela ficou mais tranquila ao ouvir a voz do homem que havia ganhado seu coração naquela noite.
Ao virar sua cabeça para o lado, percebeu que ele não estava sozinho, o que a fez paralisar. Entre risadas e conversas sarcásticas, eles ligaram uma motosserra.
Sentiu que naquele momento tudo havia ruído e que dali ela não sairia viva.
O choro cessou e a dor veio, mas, antes, ela olhou demoradamente para aquele homem que havia conhecido e ela lembrou-se do quanto foi imatura em ter acreditado nas palavras que ele havia dito para ela.
Apagão.
Ela já não sentia mais dor, pois tudo tinha sido destruído dentro dela e deu um último suspiro rogando ao Universo que aquilo terminasse.
Apagão.
Autora:
Patricia Lopes dos Santos