Ao receber a notícia de que seu colega de trabalho que havia sido contratado a menos de três anos havia sido promovido, ela empalideceu.
Receber aquela notícia aquela manhã não estava no seu script. Seu colega havia sido promovido na empresa em que ambos trabalhavam e o gosto de ferrugem na boca dela dava sinais da sua amargura diante do sucesso dele.
Intimamente ela não queria que ele não fosse promovido, mas que ela também fosse reconhecida.
Há mais de quarenta anos trabalhando no mesmo lugar, ela sonhava em ser um dia vista pelo trabalho que ela desempenhava com profunda devoção.
Por mais que ela mostrasse para seus superiores seu comprometimento e dedicação, sua dedicação diuturna jamais foi reconhecida e o máximo que recebeu por todos esses anos foi um tapinha nas costas parabenizando-a pelo belíssimo trabalho, nada mais que isso.
Sua abnegação era vista por alguns pares, mas quem deveria, de fato, reconhecer isso, desprezava o que ela fazia com tanto amor.
Há tantos anos dedicando-se pura e exclusivamente àquele lugar, ela esperava ansiosamente por um dia de reconhecimento, mas, aos olhos de seus superiores, ela não passava de mais uma empregada cumprindo com suas obrigações.
Naquela manhã, ela buscou todas as forças para não ficar abalada com aquela notícia e foi cordialmente cumprimentar seu colega parabenizando-o pelo cargo, mas, subitamente, ela viu o mundo com outros olhos. Tudo ficou cinza e a alegria havia sido aprisionada dentro do seu íntimo.
Lembrou-se do quanto se dedicou àquele lugar e no quanto deixou de lado sua vida pessoal em função do trabalho.
A profunda tristeza habitou o seu ser e ela divagava em suas palavras.
Consternada, ela não conseguiu continuar naquele ambiente e foi para sua casa e chegando lá, deitou-se em sua cama.
A tristeza tomou conta do seu ser e ela nunca mais conseguiu levantar-se.
A decepção de mais uma vez não ter sido reconhecida a enfraqueceu de tal forma que seu corpo naquela cama jazia.
Autora:
Patricia Lopes dos Santos