Jornal Tribuna

93 milhões de brasileiros com 40+ anos: o Brasil maduro que pode mover a nova economia

Por Gero.Health·
93 milhões de brasileiros com 40+ anos: o Brasil maduro que pode mover a nova economia

Tem uma mudança bonita acontecendo no Brasil.

Ela não faz barulho. Não viraliza como novidade tecnológica. Não aparece com a mesma força nas reuniões sobre inovação. Mas está ali, todos os dias, mudando o jeito como o país consome, trabalha, aprende, cuida, decide e constrói futuro.

O Brasil já tem cerca de 93 milhões de pessoas com 40 anos ou mais. Isso representa algo próximo de 43% da população brasileira.

Perto de metade do país.

E talvez a grande virada seja justamente esta: olhar para esse número não como alerta, mas como potência. Não como peso, mas como energia acumulada. Não como envelhecimento do passado, mas como a chegada de um Brasil mais experiente, mais diverso, mais consciente e com muito mais vida pela frente.

Durante muito tempo, o mercado tratou idade como ponto de chegada. Como se depois dos 40 a pessoa começasse a sair lentamente da cena principal. Só que a vida real conta outra história.

A pessoa de 40+ está trabalhando, comprando, empreendendo, cuidando da família, voltando a estudar, mudando de carreira, viajando, consumindo tecnologia, buscando saúde, criando novos projetos e tomando decisões importantes todos os dias.

Esse grupo não está deixando o futuro.

Está ajudando a desenhá-lo.

Segundo dados da PNAD Contínua 2025 do IBGE, a população brasileira chegou a 212,7 milhões de habitantes. Dentro desse Brasil, o grupo de 40 a 49 anos representa cerca de 15% da população. O grupo de 50 a 59 anos representa 11,8%. E o grupo com 60 anos ou mais já chegou a 16,6%.

Na prática, estamos falando de aproximadamente 31,9 milhões de brasileiros entre 40 e 49 anos, mais 25,1 milhões entre 50 e 59 anos, e cerca de 35,3 milhões com 60 anos ou mais.

Some tudo isso.

Dá 93 milhões de pessoas.

Esse número não é detalhe estatístico. É mercado. É talento. É consumo. É liderança. É cuidado. É experiência. É voto. É influência. É família. É renda circulando. É gente que ainda tem muito para aprender, ensinar, construir e transformar.

O Brasil que passa dos 40 não é um Brasil menor.

É um Brasil mais profundo.

É um Brasil que já viveu crises, planos econômicos, mudanças tecnológicas, transições políticas, novas formas de família, novas relações com o trabalho e novas maneiras de envelhecer. É gente que carrega repertório. E repertório, em um mundo tão acelerado, virou uma das competências mais valiosas que existem.

Entre 2012 e 2025, o grupo com 60 anos ou mais saltou de 11,3% para 16,6% da população. De 2000 para 2023, a proporção de pessoas idosas no Brasil quase duplicou, saindo de 8,7% para 15,6%. Em números absolutos, passamos de 15,2 milhões para 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.

Isso mostra que não estamos diante de uma pequena mudança de perfil populacional.

Estamos diante de uma nova configuração de país.

E isso abre uma avenida de oportunidades para quem souber enxergar.

Abre oportunidade para empresas que querem criar produtos melhores. Para marcas que desejam se comunicar com mais inteligência. Para o varejo que precisa entender quem realmente decide a compra. Para a saúde que deve sair da lógica reativa e construir cuidado ao longo da vida. Para a educação que precisa conversar com quem quer se reinventar aos 45, 55, 65 ou 75 anos.

Também abre oportunidade para o mercado de trabalho.

A pessoa de 50+ não precisa ser vista como alguém que está encerrando sua contribuição. Muitas vezes, ela está no auge da maturidade profissional. Tem visão sistêmica, sabe lidar com conflito, entende gente, já errou, já aprendeu, já atravessou pressão e pode ser decisiva em ambientes que precisam de equilíbrio, consistência e inteligência prática.

A longevidade não diminui o valor humano.

Ela amplia.

Quando a esperança de vida cresce, cresce também a necessidade de repensar carreira, consumo, cidade, família, saúde, educação e convivência entre gerações. Segundo projeções do IBGE, a esperança de vida ao nascer, que era de 71,1 anos em 2000, chegou a 76,4 anos em 2023 e pode alcançar 83,9 anos em 2070.

Isso significa que viver mais não pode ser tratado apenas como desafio.

Viver mais é uma conquista civilizatória.

O ponto agora é transformar essa conquista em estratégia.

Empresas que entenderem esse movimento antes vão criar produtos mais úteis, marcas mais humanas, ambientes de trabalho mais inteligentes e relações mais verdadeiras com seus consumidores. Governos que entenderem isso antes vão planejar políticas públicas melhores. Líderes que entenderem isso antes vão parar de desperdiçar experiência.

O Brasil dos 93 milhões de pessoas com 40+ anos não pede pena.

Pede leitura de cenário.

Pede respeito.

Pede espaço.

Pede inovação de verdade.

Porque inovação não é apenas olhar para o novo aparelho, o novo aplicativo ou a nova ferramenta. Inovação também é olhar para a nova composição humana do país e perguntar: estamos preparados para servir, empregar, incluir e aprender com esse Brasil mais maduro?

A boa notícia é que ainda dá tempo de fazer isso bem.

Dá tempo de mudar a comunicação.

Dá tempo de redesenhar produtos.

Dá tempo de criar jornadas de carreira mais longas.

Dá tempo de treinar equipes para atender melhor.

Dá tempo de construir pontes entre gerações.

Dá tempo de parar de tratar idade como limite e começar a tratar idade como ativo.

O Brasil está vivendo uma das maiores transformações sociais dos últimos 100 anos. E ela não precisa ser vista com medo.

Ela pode ser vista com entusiasmo.

Porque quando 93 milhões de brasileiros com 40+ anos seguem trabalhando, consumindo, criando, ensinando, aprendendo e decidindo, o que temos diante de nós não é uma crise demográfica.

É uma oportunidade histórica.

O futuro do Brasil não será apenas mais tecnológico.

Será mais maduro.

E quem entender isso primeiro vai construir negócios, políticas e marcas muito mais preparados para o país real.

Willians Fiori

Referência brasileira em Mercado de Longevidade desde 2003

Professor da Pós Graduação em Geriatria, Gerontologia e Mercados do Hospital Israelita Albert Einstein

Professor Convidador Hcor Academy – Pós Graduação em Gerontologia

Professor convidado da FIA, UFRJ, PUC SP, INSPER e FAAP

Autor dos livros Diversa Idade, Brasil 2060 e O Cérebro que Podemos Proteger

Citado no livro Longevity Hub, do MIT Massachusetts Institute of Technology, como principal especialista brasileiro no tema

Premiado pela ONU Latin America e reconhecido com o Selo Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo

Vencedor do Prêmio Bstory Longevidade

Membro do Conselho Europeu de Silver Economy

Comentários

Deixe um comentário