Jornal Tribuna

Cinco gerações no trabalho não são problema. O problema é a empresa que ainda trata diferença como defeito

Por Gero.Health·

Cinco gerações no trabalho não são problema. O problema é a empresa que ainda trata diferença como defeito

O mercado de trabalho brasileiro entrou em uma das fases mais complexas da sua história. Pela primeira vez, tantas gerações diferentes convivem, decidem, aprendem, disputam espaço e constroem resultados dentro da mesma organização.

Há quem tenha começado a carreira com telefone fixo, fax, memorando e reunião presencial como única possibilidade. Há quem tenha entrado no mercado já falando com inteligência artificial, aplicativo, reunião remota e resposta em tempo real. Uns foram educados para permanecer. Outros, para circular. Uns enxergam estabilidade como conquista. Outros buscam sentido, autonomia e velocidade.

Muita liderança olha para esse encontro e chama de conflito geracional.

Mas talvez o nome correto seja outro: falta de tradução.

Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil já tinha 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população. Em 2010, eram 20,6 milhões. O crescimento foi de 56% em apenas doze anos. Dados mais recentes da PNAD Contínua mostram que, em 2025, a população 60 mais já representava 16,6% dos brasileiros. Isso significa que a maturidade não está apenas na família, no consumo, na saúde ou na política. Ela também está no trabalho, nos conselhos, nos times, nas lideranças e nas decisões estratégicas.

A OCDE, em relatório sobre força de trabalho inclusiva por idade, aponta que empresas precisam abandonar mitos sobre gerações e criar práticas capazes de aproveitar melhor a diversidade etária. O mesmo relatório cita uma pesquisa global em que 83% dos executivos entrevistados disseram considerar valiosa uma força de trabalho multigeracional.

No livro Diversa idade, que escrevi com Tati Gracia, defendemos que empatia não é concordar com tudo. É conseguir enxergar o mundo pela perspectiva do outro antes de julgá lo pela régua da própria geração.

Esse talvez seja um dos grandes desafios do trabalho contemporâneo.

A empresa que idolatra apenas o jovem perde repertório. A empresa que romantiza apenas o sênior perde velocidade. A empresa inteligente entende que inovação precisa de curiosidade, mas também precisa de memória. Precisa de ousadia, mas também de contexto. Precisa de tecnologia, mas também de experiência humana acumulada.

Cinco gerações não são um problema de RH.

São uma vantagem competitiva esperando maturidade de gestão.

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Willians Fiori

Especialista em Mercado de Longevidade desde 2003

Professor Pós-Graduação em Geriatria, Gerontologia e Mercados — Hospital Israelita Albert Einstein

Professor Convidado: FIA, UFRJ, PUC-SP e INSPER, FAAP

Autor dos Livros: Diversa-Idade, Brasil 2060,O cérebro que podemos proteger

Citado no livro Longevity Hub do MIT (Massachusetts Institute of Technology) como principal especialista brasileiro no tema

Premiado pela ONU Latin America e detentor do Selo Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo

Premiado pelo Premio Bstory Longevidade
Membro do conselho Europeu de Silver Economy

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