Jornal Tribuna

Maçã do amor…

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Maçã do amor…

Vívian, como os demais feirantes, tem uma rotina intensa que começa de madrugada, em torno das 5 horas da manhã. Tempo suficiente para a montagem da barraca da exposição dos hortifrútis e da espera dos clientes, que normalmente chegam cedo na feira.      

Adepta do provérbio – Deus ajuda a quem cedo madruga, Vívian é uma feirante de longa data, que instala sua banca quatro vezes por semana nos bairros da região onde mora. Em sua barraca é possível encontrar uma variedade de hortifrúti, desde frutas, legumes e verduras.

Por ter uma clientela assídua, gosta de cumprimentá-los dizendo “Bom dia” em seus idiomas de origem. Aos de origem italiana – Buongiorno! Aos de origem francesa – Bonjour! Aos de origem espanhola – Buenos días! Aos de origem japonesa – Ohayou! Aos de origem inglesa – Good morning!

Vívian, não teve a chance de frequentar uma escola com regularidade. Filha única, trabalhava com seus pais numa pequena propriedade rural como horticultores. Desde a sua adolescência, os ajudavam não só no cultivo, como também na revenda das hortaliças na feira livre.   

Diante de um plantio e de uma colheita em pequena escala, o sítio da família foi se tornando obsoleto em termos de rentabilidade. Não tendo outra opção, seus pais resolveram vendê-lo, optando por morarem na cidade. Ambos foram trabalhar em um supermercado, seu pai como repositor de hortifruti, e sua mãe como confeiteira. Vívian, além dos afazeres da casa, continuou como feirante. 

Garota romântica, vivia um romance com André, que como ela, também ajudava seus pais nas feiras livres. Com o passar do tempo, os pais de Vívian se aposentaram. Não podendo contar mais com a ajuda deles, devido à problemas de saúde, assumiu sozinha a banca de hortifrúti. 

André por ser um rapaz ambicioso, foi estudar na capital em busca de um futuro promissor. Vívian sentiu, mas entendeu que um namoro à distância não iria prosperar. Não era justo impedi-lo de voar mais alto. Uma vez que também gostaria de ter tido essa oportunidade.  

Autodidata, aprendeu tudo o que sabe na escola da vida, principalmente conversando com as pessoas. Por ser carismática, possuir a capacidade de atrair, inspirar e influenciar as pessoas ao seu redor, costumava dar conselhos a quem as solicitavam.     

Pessoas com esses dons, costumam ser confiantes, alegres, autênticas, ouvintes e sensíveis. São acessíveis e tem o hábito de compartilhar os seus conhecimentos e vivências com as demais pessoas. Vez ou outra, é pega de surpresa, quando alguém a questiona – Você é uma jovem cativante, agradável, atraente.  Porque vive sempre sozinha?

Quando perguntam se ela não teve mais notícias do seu ex-namorado, Vívian desconversa. O tempo passou e numa manhã de outono, um rapaz se aproximou de sua banca e perguntou-lhe – Você tem a maçã do amor? Surpresa, diante de um rapaz que lhe parecia familiar, exclamou – Eu não tenho essa variedade de maçã!

Imaginando que você diria que não tem, resolvi trazer pessoalmente uma “maçã do amor” para entregá-la e perguntar-lhe – Vamos reatar nosso namoro de feirantes? André! O que você faz por aqui? Vim em busca do “passado”, para viver o “presente” e planejar o “futuro”. Você vem comigo?

Refeita do susto e disposta a reviver um grande amor, Vívian partiu com André em busca da felicidade. Numa cidade do sul do país, André após concluir seus estudos, tornou se um empresário de sucesso no ramo de supermercados. Vívian por sua vez, superou os desafios que a vida lhe impôs como feirante.     

Formando um belo e harmonioso casal, às vezes Vívian é pega de surpresa quando André lhe pergunta – Que conselhos você tem para dar à um ex-feirante apaixonado? Beija a garota ex-feirante!

Autor:

Carlos R. Ticiano

Articulista e romancista   

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