Jornal Tribuna

Trabalho freelancer avança no Brasil, mas 50% dos profissionais ainda entram no modelo por necessidade

Por edicao·
Trabalho freelancer avança no Brasil, mas 50% dos profissionais ainda entram no modelo por necessidade

Pesquisa com profissionais independentes aponta que instabilidade financeira, dificuldade para conseguir novos projetos e falta de benefícios ainda são os principais desafios do trabalho sob demanda

São Paulo, Maio de 2026 – Em meio ao avanço dos modelos flexíveis de contratação no Brasil, um levantamento da HUG, empresa especializada em curadoria, alocação e desenvolvimento de profissionais de comunicação e marketing, mostra que a entrada no universo freelancer ainda acontece, para boa parte dos profissionais, mais por necessidade do que por planejamento de carreira.

De acordo com a pesquisa, 50% dos entrevistados afirmam que começaram no modelo freelancer/PJ por necessidade e ainda permanecem nessa condição. Outros 20,4% dizem que também entraram por necessidade, mas hoje seguem no modelo por escolha. Apenas uma parcela minoritária afirma ter planejado essa transição desde o início.

O dado revela um dos principais dilemas do mercado de freelancer: embora o trabalho sob demanda tenha ganhado espaço como alternativa para empresas que buscam agilidade e profissionais especializados, muitos talentos ainda enfrentam desafios estruturais relacionados à previsibilidade financeira, acesso a benefícios e negociação de remuneração.

‘’Existe uma mudança importante acontecendo no mercado de trabalho, mas ela precisa ser acompanhada de estrutura. Muitos profissionais entraram no modelo PJ em busca de liberdade, mas encontraram insegurança. Ao mesmo tempo, as empresas querem velocidade, mas ainda têm dificuldade de estruturar essas relações. O mercado amadureceu rápido e agora a operação precisa amadurecer também. O mercado de freelancer só se sustenta quando resolve dores dos dois lados: das empresas que precisam contratar melhor e dos talentos que precisam trabalhar com mais segurança”, afirma Gustavo Loureiro Gomes, fundador e CEO da HUG.

O levantamento também mostra que a maior parte dos respondentes já possui trajetória consolidada no modelo. Entre os entrevistados, 33,3% atuam como freelancer/PJ há quatro a sete anos, 27,8% entre um e três anos, 18,5% há menos de um ano, 16,7% entre oito e 15 anos e 3,7% há mais de 15 anos.

Apesar da experiência acumulada, a estabilidade financeira ainda aparece como um dos principais pontos de atenção. Quando perguntados sobre a variação da renda nos últimos 12 meses, 46,3% afirmaram que a renda se manteve estável, enquanto 20,4% registraram crescimento no período. O dado indica que 66,7% dos profissionais tiveram renda igual ou superior no último ano. Por outro lado, 33,3% relataram queda, sendo 22,2% com redução superior a 20% e 11,1% com queda de até 20%.

Instabilidade e falta de benefícios lideram desafios

Entre os principais desafios enfrentados hoje pelos profissionais freelancer/PJ, a instabilidade ou imprevisibilidade financeira aparece em primeiro lugar, citada por 74,1% dos respondentes. Em seguida estão a dificuldade para conseguir novos projetos ou clientes, apontada por 59,3%, e a falta de benefícios, como saúde, previdência e férias remuneradas, mencionada por 55,6%.

A negociação de valores justos também aparece como uma dor relevante, citada por 50% dos profissionais. Outros 35,2% afirmam enfrentar o desafio de serem vistos como profissionais estratégicos, e não apenas como executores pontuais. Questões como gestão tributária e administrativa foram mencionadas por 25,9%, enquanto solidão profissional e falta de comunidade aparecem para 14,8% dos entrevistados.

Para a HUG, os dados reforçam a necessidade de amadurecimento do mercado de contratação sob demanda. A empresa defende que modelos flexíveis não devem ser tratados apenas como uma alternativa mais rápida de contratação, mas como uma estrutura capaz de organizar melhor a relação entre empresas e profissionais.

“A contratação freelancer ou PJ não pode ser sinônimo de informalidade ou improviso. Quando bem estruturado, esse modelo permite que empresas acessem especialistas com mais velocidade e que profissionais tenham acesso a projetos mais qualificados. O ponto central é criar processos que tragam clareza de escopo, remuneração adequada, acompanhamento e continuidade”, avalia Gustavo.

Open talent ganha espaço nas empresas

A HUG atua em um modelo de talent-as-a-service, conectando empresas a profissionais especializados sob demanda, especialmente nas áreas de marketing e comunicação. A operação envolve desde o entendimento da demanda e desenho do escopo até a curadoria, alocação e acompanhamento dos talentos durante a execução dos projetos.

A empresa já atendeu marcas como Grupo Boticário, McCain, Grupo La Moda e Kwai. Em projetos com o Grupo Boticário, a HUG já movimentou mais de R$ 18,2 milhões em salários pagos a profissionais, além de registrar índice de retenção de 96% entre talentos alocados.

Hoje, a comunidade Hugger reúne mais de 1.000 profissionais e conta com 13 mil talentos cadastrados, funcionando como uma rede ativa que pode ser acionada de acordo com o perfil e a urgência de cada projeto. Por meio do HUG Job Match, a startup consegue realizar alocações em até 24 horas.

A empresa projeta movimentar R$ 30 milhões em salários pagos a profissionais PJ em 2026, acompanhando o avanço de um mercado que busca mais flexibilidade, mas também mais qualidade nas relações de trabalho.

“O futuro do trabalho não será apenas mais flexível. Ele precisará ser mais inteligente, mais transparente e mais sustentável para todos os envolvidos. O desafio das empresas agora é entender que open talent não é apenas contratar rápido, mas construir uma rede qualificada, confiável e preparada para gerar impacto desde o primeiro dia”, conclui Gustavo.

Autora:

Renata Nalim

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