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Neuromielite Óptica e mercado de trabalho: inclusão começa pelo reconhecimento das competências

Por Henrique Souza·
Neuromielite Óptica e mercado de trabalho: inclusão começa pelo reconhecimento das competências

Desinformação e preconceitos ainda são barreiras para profissionais com NMO, mas especialistas reforçam que o diagnóstico não define a capacidade de trabalho de uma pessoa

Conviver com uma doença rara não significa abrir mão da carreira profissional. Para muitas pessoas com Neuromielite Óptica (NMO), o trabalho representa muito mais que o sustento, significa autonomia, independência e participação social. No entanto, a inclusão de profissionais com doenças raras ainda enfrenta desafios relacionados principalmente à falta de informação e aos estigmas associados ao diagnóstico.
A Neuromielite Óptica é uma doença autoimune rara que afeta o sistema nervoso central e pode se manifestar de formas diferentes em cada pessoa. Para Daniele Americano, presidente da NMO Brasil, advogada e paciente que convive com a doença há mais de 14 anos, um dos principais obstáculos é a ideia equivocada de que a condição determina automaticamente a capacidade profissional de alguém.
“A NMO não define a competência de ninguém. Muitas pessoas mantêm uma vida profissional ativa, produtiva e compatível com sua formação e experiência. O que precisamos é que elas sejam avaliadas pelas suas habilidades e pelo que podem entregar profissionalmente”, afirma.
Segundo ela, a desinformação ainda faz com que muitos empregadores associem o diagnóstico à incapacidade permanente, o que não corresponde à realidade da maioria dos pacientes. Esse cenário gera insegurança durante processos seletivos, quando muitos candidatos enfrentam o dilema de revelar ou não sua condição de saúde.
Daniele destaca que a doença possui manifestações muito diferentes entre os pacientes. Algumas pessoas convivem com poucas limitações, enquanto outras podem precisar de adaptações específicas em determinados momentos da vida.
“O grande equívoco é acreditar que todas as pessoas com NMO terão as mesmas dificuldades ou necessidades. Cada paciente tem uma experiência única, e isso precisa ser compreendido pelo mercado de trabalho”, explica.
Para ela, o desafio não está na falta de capacidade dos profissionais, mas na dificuldade de enxergar além do diagnóstico. Em alguns casos, medidas como horários flexíveis, possibilidade de trabalho remoto ou adaptações pontuais podem contribuir para que o profissional desempenhe suas atividades com mais conforto e autonomia.
“O foco deve estar em oferecer condições para que cada pessoa possa desenvolver seu potencial. Inclusão não é caridade. É respeito aos direitos das pessoas e uma oportunidade para que as empresas valorizem talentos diversos”, destaca.
Outro obstáculo é o desconhecimento sobre a própria doença. Segundo Daniele, a maioria dos profissionais de recursos humanos e gestores nunca ouviram falar em Neuromielite Óptica, o que favorece interpretações equivocadas e decisões baseadas em receios infundados.
“Quando a sociedade foca nas deficiências e possíveis necessidades de adaptações, cria-se uma percepção distorcida sobre quem vive com NMO. Muitos pacientes têm plena capacidade laboral, formação qualificada e experiência profissional, mas acabam sendo vistos apenas pela condição de saúde ou pela deficiência”, afirma.
Por meio de ações de conscientização e defesa de direitos, a NMO Brasil busca ampliar o conhecimento sobre a doença e promover uma cultura de inclusão que reconheça o potencial das pessoas para além de seus diagnósticos.
“Trabalho é dignidade, independência e pertencimento. Quando uma pessoa é excluída por falta de informação ou preconceito, todos perdem: o profissional, a empresa e a sociedade”, conclui.

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