Melasma reacende debate sobre uso de protetor solar com cor; Rodrigo Lucarini explica

O melasma, condição caracterizada por manchas escuras na pele, principalmente no rosto, segue como um dos maiores desafios da dermatologia estética. Tradicionalmente associado à exposição solar, alterações hormonais e predisposição genética, o tratamento envolve fotoproteção rigorosa, o que popularizou o uso de protetores solares com cor, considerados aliados na proteção contra a luz visível.
Esses produtos ganharam espaço por conterem óxido de ferro, componente responsável tanto pela pigmentação quanto pela barreira contra esse tipo de radiação. A proposta é unir proteção e efeito cosmético, uniformizando o tom da pele. No entanto, uma teoria recente vem questionando esse consenso e levantando discussões entre especialistas.
Um dos principais nomes por trás desse debate é Rodrigo Lucarini, cirurgião bucomaxilofacial com atuação voltada à estética facial e ao rejuvenescimento. “Sempre me chamou atenção o fato de o melasma ser um dos maiores desafios da prática clínica. Foi isso que me motivou a estudar profundamente o tema”, afirma o especialista.
Desde o início da década passada, o médico acompanha a evolução de pacientes com hiperpigmentação, reunindo observações clínicas que embasaram suas hipóteses. Esse trabalho ganhou projeção ao ser apresentado em congressos científicos no Brasil e no exterior. “Ao longo dos anos, percebi padrões que não eram totalmente explicados pelas abordagens tradicionais, o que me levou a investigar novas possibilidades”, explica.
Segundo Lucarini, um dos pontos mais controversos é justamente o uso de protetores solares com cor. Observações clínicas indicaram que parte dos pacientes apresentou melhora ao suspender esse tipo de produto e optar por versões sem pigmento. “Em muitos casos, a simples troca por um filtro sem cor já trazia melhora significativa, o que levantou um alerta importante”, diz.
A hipótese envolve o aumento do estresse oxidativo na pele. De acordo com essa linha de raciocínio, a interação entre radiação, poluição e elementos como o ferro poderia favorecer reações químicas que geram radicais livres. “Esses radicais estimulam os melanócitos como mecanismo de defesa, aumentando a produção de melanina e, consequentemente, as manchas”, detalha.
Além da atuação científica, Rodrigo Lucarini também se destaca pela presença nas redes sociais, onde compartilha conteúdos educativos e casos clínicos. Sua abordagem defende tratamentos individualizados. “A pele reage a agressões de forma muito particular. Por isso, é essencial reduzir inflamações e evitar estímulos que possam piorar o quadro”, afirma.
Apesar da repercussão, a teoria ainda não é consenso entre especialistas. Muitos dermatologistas seguem recomendando o uso de protetores com cor, especialmente pela proteção contra a luz visível. Ainda assim, o debate cresce. “Contra resultados clínicos consistentes, é preciso ao menos investigar. O objetivo não é contrariar, mas evoluir o entendimento sobre o melasma”, conclui.