Menopausa também afeta a saúde bucal e pode aumentar o risco de erosão dentária

Alterações hormonais e condições sistêmicas podem provocar sensibilidade, ressecamento bucal e desgaste dos dentes ao longo do envelhecimento
A saúde bucal feminina passa por mudanças importantes ao longo da vida e merece atenção especial durante a menopausa. Alterações hormonais associadas ao envelhecimento e à presença de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, osteoporose e doenças autoimunes, podem impactar diretamente dentes, gengivas e mucosa oral, favorecendo quadros de sensibilidade dentária, erosão do esmalte, boca seca e desconfortos persistentes.
A erosão dentária é caracterizada pela perda progressiva do esmalte dos dentes, geralmente causada pela ação de ácidos presentes na alimentação, refluxo gástrico, alterações salivares ou hábitos inadequados. Durante a menopausa, a redução hormonal pode comprometer a proteção natural da saliva, aumentando o risco de desgaste dentário e hipersensibilidade.
Segundo a cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos, diretora do Centro de Reabilitação Rabello (CORR), no Rio de Janeiro, muitas mulheres passam a perceber sintomas bucais importantes nessa fase da vida. “A menopausa provoca alterações hormonais que afetam diretamente a saúde da boca. A redução salivar favorece sensibilidade dentária, erosão do esmalte, sensação de boca seca e até mudanças no paladar. Muitas pacientes chegam ao consultório relatando desconforto ao ingerir alimentos quentes, gelados ou ácidos”, explica.
Além das alterações hormonais, doenças sistêmicas também podem agravar os quadros bucais. Pacientes diabéticos, por exemplo, apresentam maior risco de inflamações gengivais, doenças periodontais e dificuldade de cicatrização. Já medicamentos utilizados no controle da hipertensão e de doenças cardiovasculares frequentemente reduzem o fluxo salivar, comprometendo ainda mais a saúde oral.
“Hoje entendemos que saúde bucal e saúde geral estão completamente conectadas. Pequenas alterações na boca podem se transformar em quadros mais complexos quando existem doenças crônicas associadas. Por isso, o acompanhamento odontológico individualizado é fundamental”, destaca Flávia.
Entre os principais sinais de alerta, estão dor ao mastigar, retração gengival, dentes mais frágeis, ardência bucal, ressecamento constante, alteração do paladar e desconfortos que impactam alimentação, fala e qualidade de vida.
A especialista reforça que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para preservar a saúde oral ao longo dos anos. “Consultas periódicas, higiene oral adequada, controle das doenças sistêmicas, alimentação equilibrada e o uso de produtos específicos para sensibilidade dentária ajudam a preservar os dentes e prevenir complicações futuras. O diagnóstico precoce faz toda diferença”, afirma.
O tratamento varia de acordo com a causa e o grau de comprometimento, podendo incluir aplicação de dessensibilizantes, laserterapia, reposição mineral, controle do bruxismo, tratamento periodontal, ajustes alimentares e reabilitação estética e funcional.
Dessa forma, a odontologia contemporânea ocupa um papel cada vez mais integrado à promoção da saúde, da funcionalidade e do bem-estar. Além do tratamento da dor, ela atua de forma preventiva, auxiliando no diagnóstico precoce de alterações bucais e contribuindo para a saúde integral do paciente. Para a cirurgiã-dentista, cuidar da saúde da boca é também cuidar do organismo como um todo, preservando autoestima, conforto, alimentação, fala e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Autora:
Cida Farias