Jornal Tribuna

Projeto Orquídea recria o espírito experimental de Loïe Fuller

Por edicao·
Projeto Orquídea recria o espírito experimental de Loïe Fuller

São Joaquim, Canelinha, Balneário Camboriú e Florianópolis recebem o espetáculo “Orquídea”, entre julho e agosto, em uma criação que entrelaça diferentes linguagens artísticas

As artistas Lucila Vilela (E), Barbara Biscaro e Lela Martorano mergulham no universo de Loïe Fuller no Projeto Orquídea

Muito à frente de seu tempo, a dançarina norte-americana Loïe Fuller revolucionou a cena artística ao unir tecnologia, iluminação e movimento no palco. Precursora da dança moderna, ela desenvolveu uma linguagem multimídia singular, combinando coreografias, tecidos em movimento e sofisticados efeitos de luz para criar imagens que fascinavam o público.

Sua trajetória atravessou a virada dos séculos XIX e XX, período marcado pelo surgimento da fotografia, das primeiras experiências cinematográficas e pela expansão da eletricidade nas cidades, símbolos de modernidade e transformação urbana. No palco, Loïe  provocava uma mudança de olhar utilizando artes integradas. 

“Loïe Fuller foi uma multiartista, símbolo do art nouveau e pioneira da dança moderna. Utilizou projeções de lanterna mágica e experimentou diferentes recursos de figurino, iluminação e cenário. Com seu traje e sua dança inovadora, criava imagens que lembravam uma orquídea, uma nuvem ou uma borboleta — figuras que inspiram o nome do nosso projeto”, explica a artista visual, pesquisadora e escritora Lucila Vilela, autora do livro A orquídea, a nuvem, a borboleta publicado pela Editora Cultura e Barbárie, em 2020.IMG_9075.jpg

Projeção visual, movimento e canto unem as artistas no palco, tridimensionando 

a poética que revolucionou o olhar no século passado

A partir desse universo potente e poético, as artistas e amigas Bárbara Biscaro, Lela Martorano e Lucila Vilela criaram, em 2023, a primeira versão experimental de Orquídea, apresentada durante a terceira edição do Festival Loïe, em Florianópolis. O que começou como uma performance de curta duração ganhou novos contornos com a conquista do Prêmio FIK UDESC, em 2025, ampliando as possibilidades de pesquisa e criação. Agora, o trabalho circula por quatro cidades catarinenses por meio do Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura.

“Bárbara e eu já tínhamos vontade de desenvolver um trabalho que unisse canto e dança. Quando a Lucila nos convidou para criar uma performance para o festival, começamos a investigar elementos da voz e do movimento que dialogassem entre si e com o universo artístico da Loïe, tendo o livro da Lucila como referência”, conta Lela Martorano, artista visual, bailarina de flamenco e pesquisadora.

Segundo ela, o processo incorporou canções de Manuel de Falla, compositor espanhol do início do século XX e estudioso da música popular andaluza e do flamenco. “Fui trazendo elementos próprios do flamenco, respeitando sua essência, mas também experimentando outras possibilidades de criação. Alguns ritmos característicos do gênero foram incorporados às construções sonoras desenvolvidas pela Bárbara. Também trouxe referências dos movimentos criados por Loïe Fuller para dialogar com elementos do vestuário flamenco, como a saia e o mantón”, explica.

O desafio de aproximar o universo de Loïe Fuller do flamenco também mobilizou a pesquisa da atriz e cantora Bárbara Biscaro. Para isso, ela mergulhou nos cantes, forma tradicional de canto flamenco marcada pela intensidade emocional e pela expressividade vocal.

“Além da pesquisa vocal, desenvolvo há algum tempo um trabalho que une voz e tecnologia por meio de pedais de looping, permitindo criar composições instantâneas ao vivo. Todos os sons do espetáculo são produzidos em cena, exclusivamente com a voz e o corpo, sem qualquer material pré-gravado. Dentro desse universo, surgiu a possibilidade de incorporar trechos dos diários de Loïe Fuller e construir paisagens sonoras que conduzem a experiência da espectadora ao longo da apresentação”, afirma.

Para a artista, a música acrescenta novas camadas poéticas ao trabalho. “A voz cria uma ponte entre o material da Loïe e os elementos do flamenco, conectando diferentes referências. E, junto dela, está sempre presente o sapateado da Lela, trazendo uma força sonora e rítmica que evidencia a profunda relação entre dança e música.”

A circulação de Orquídea começa em São Joaquim, no dia 24 de julho, segue para Canelinha em 26 de julho, Balneário Camboriú em 29 de julho e encerra em Florianópolis, com apresentações nos dias 14 e 15 de agosto.

SERVIÇO

São Joaquim
Data: 24 de julho
Horário: 19h (a confirmar)
Local: Sesc
Rua Marcos Batista, 1040 – Centro
Entrada gratuita

Canelinha
Data: 26 de julho
Horário: 19h
Local: Museu Casa Sant’Anna
Av. Joaquim José de Santana, s/nº – Centro
Entrada gratuita

Balneário Camboriú
Data: 29 de julho
Horário: 20h
Local: Palácio das Artes
Avenida Central, 541 – Centro
Entrada gratuita

Florianópolis
Datas: 14 e 15 de agosto (a confirmar)
Local: Ceart/Udesc
Horário: a confirmar
Entrada gratuita

Duração: 35min

Classificação indicativa: Livre para todos os públicos

FICHA TÉCNICA:

DIREÇÃO E CONCEPÇÃO ARTÍSTICA

Barbara Biscaro, Lela Martorano e Lucila Vilela

DANÇA: Lela Martorano

MÚSICA/COMPOSIÇÃO VOCAL: Barbara Biscaro

ARTES VISUAIS: Lucila Vilela

CENOGRAFIA/ILUMINAÇÃO: Elaine Nascimento

FIGURINO: Giba Duarte

ASSESSORIA DE MANTÓN FLAMENCO: Carol Ferrari

CONSULTORIA CÊNICA: Gabriel Tolgyesi

ASSESSORIA EM ACESSIBILIDADE DIGITAL: Dan Souto

PRODUÇÃO EXECUTIVA: Rita Duarte

PRODUÇÃO LOCAL:

Florianópolis > Djulia Marc

Balneário Camboriú > Rita Duarte

Canelinha > Amália Leal

São Joaquim > Cassiano Suhr

CENOTÉCNICO: Fernando Caramori

DESIGN: Lela Martorano

FOTOGRAFIA: Suelen Grimes

Autora:

Luciana de Moraes

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