Copom reduz Selic para 14,25%, mas mercado vê alívio insuficiente diante de desafios fiscais

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na última quarta-feira (17) a redução da taxa básica de juros, a Selic, de 14,50% para 14,25% ao ano. Apesar da queda, o movimento foi recebido com ressalvas por especialistas, que alertam para a persistência de um cenário econômico desafiador.
Para Charles Mendlowicz, sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o movimento soa como um gesto simbólico, com pouca capacidade de gerar fôlego para o setor produtivo no curto prazo. O economista critica a condução da política monetária diante do atual cenário fiscal.
“Quando tínhamos espaço real para um corte mais incisivo, o Banco Central optou por uma postura excessivamente cautelosa. Agora, com os gastos públicos em trajetória de alta e os riscos fiscais exacerbados, o ambiente mudou completamente. O mercado já antecipou essa dificuldade, tanto que o juro futuro disparou atingindo a máxima do ano”, avalia Mendlowicz.
Charles enfatiza que a decisão, embora positiva, esbarra em travas inflacionárias severas. “O Banco Central argumenta que quer cortar, mas o IPCA aponta para cima e a realidade dos números impõe uma trava. O juro caiu, sim, mas em uma velocidade insuficiente para a magnitude dos problemas da economia real”, completa.
Segundo Mendlowicz, a perspectiva futura é de um ciclo de juros ainda oneroso. “Enquanto a dívida cresce e o cenário externo segue desafiador, a política monetária fica refém de uma inflação que teima em não ceder, o que nos obriga a conviver com taxas elevadas por um período muito superior ao que seria saudável para a retomada do crescimento”, alerta.
O economista destaca que o patamar de juros atual impacta diretamente o endividamento das famílias e a viabilidade de empresas. “Não dá para pegar dinheiro emprestado nesse juro. Ele quebra uma sociedade”, pontua.
Reflexos nos investimentos
Diante do cenário de juros altos por mais tempo, a cautela deve ditar o ritmo dos investidores. O Economista Sincero observa que, embora a renda fixa apresente taxas atrativas, o mercado tem mostrado um apetite excessivo por segurança em detrimento da renda variável. “Todo mundo está de olho na renda fixa, o Tesouro está pagando o maior juro das últimas décadas. Por outro lado, o apetite por risco acabou caindo”, avalia o sócio da Ticker Wealth.
Mendlowicz adverte que abandonar totalmente ativos como ações e fundos imobiliários pode ser um erro estratégico: “A queda do Ibovespa abriu ótimas oportunidades. Contudo, não acho que sair de ‘tudo’ e migrar desesperadamente para a renda fixa seja a melhor alternativa. O investidor deve ter cautela, e fazer isso com calma”.
A análise do economista reforça que o Brasil caminha em meio a um terreno de volatilidade, com as eleições nos próximos meses elevando a temperatura das incertezas fiscais. “O momento exige seletividade e, acima de tudo, a compreensão de que a economia é cíclica. Por isso, os investidores devem evitar tomar decisões emocionais diante das oscilações de curto prazo”, conclui Charles Mendlowicz.
Sobre Charles Mendlowicz, o Economista Sincero
Charles Mendlowicz é um dos principais nomes do mercado financeiro brasileiro, com 30 anos de experiência e um histórico de sucesso no mercado financeiro e no varejo. É sócio da consultoria de wealth management Ticker Wealth, onde lidera a estratégia de expansão, e autor do best-seller “18 princípios para você evoluir”. Sua abordagem direta e transparente o consagrou como um influenciador confiável, tendo sido eleito o melhor influenciador de investimentos pela ANBIMA por quatro vezes.