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Brasileiro trabalha 150 dias por ano apenas para pagar impostos

Por Grayce Rodrigues·
Brasileiro trabalha 150 dias por ano apenas para pagar impostos

O bolso do trabalhador brasileiro tem enfrentado uma jornada exaustiva antes mesmo de ver a cor do próprio dinheiro. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o cidadão precisa trabalhar, em média, 150 dias no ano (o equivalente a quase cinco meses) apenas para quitar suas obrigações fiscais com o Estado. Somente após o final de maio é que o salário passa, efetivamente, a ir para a conta do trabalhador.

“Hoje (01/06) é o primeiro dia útil em que realmente o dinheiro vai para você. Nos outros dias, semanas, meses, todo o dinheiro foi para o governo”, afirma o economista Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero. O cenário atual contrasta com o histórico do país: em 1986, a estimativa era de que 82 dias de trabalho bastavam para pagar os tributos.

Classe média no alvo

A pressão fiscal não se distribui de forma homogênea, recaindo com maior força sobre os ombros da classe média. De acordo com o levantamento do IBPT, contribuintes com renda entre R$ 3 mil e R$ 10 mil trabalham ainda mais para sustentar o Estado: são 157 dias dedicados aos impostos, divididos entre tributos sobre o consumo (73 dias), renda (71 dias) e patrimônio (13 dias).

O avanço da carga tributária, que atingiu o nível mais alto em 15 anos segundo uma estimativa do Tesouro Nacional, é impulsionado principalmente pelo peso dos impostos federais e pela retenção na fonte. Outro fator de forte impacto é a defasagem da tabela do Imposto de Renda, estimada em 157,22% em 2025 de acordo com o Sindifisco. “Sem a correção integral pela inflação, as deduções permitidas com saúde e educação tornam-se irrelevantes frente ao total arrecadado”, pondera Mendlowicz.

Falta de retorno e debate público

Além do volume financeiro expressivo subtraído do setor produtivo, a grande insatisfação reside na contrapartida oferecida pelo poder público. O economista argumenta que o sacrifício fiscal seria tolerável se o país entregasse serviços de excelência. “Se o Brasil fosse uma Suíça, você pagaria metade do seu salário em tributos, mas seu filho teria acesso à colégio de qualidade, iniciativas voltadas para educação, mais segurança. Se fosse assim, talvez fosse o ‘menos pior’”, diz o Economista Sincero, criticando os gastos da máquina pública com privilégios judiciais e agendas políticas que distorcem as reais prioridades do país, como a segurança pública.

Para Charles Mendlowicz, as discussões sobre a simplificação tributária são válidas, mas insuficientes. “O brasileiro não precisa só de simplificação, ele precisa de uma redução”, defende. Ele projeta um futuro preocupante caso a tendência não seja revertida: “Por enquanto são 150 dias. Eu já vislumbro 160, 170, 180 dias. Daqui a pouco, dois terços do seu salário irão para o governo”, finaliza o economista.

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