Jornal Tribuna

Antecipação e Inteligência de Dados ditam o ritmo da transição para a nova Reforma Tributária

Por Juliana Tancler·
Antecipação e Inteligência de Dados ditam o ritmo da transição para a nova Reforma Tributária

O panorama atual mostra que a eficiência da corrida para a consolidação da Reforma Tributária no Brasil dependerá diretamente da capacidade das organizações de unirem inovação digital, governança de dados e, acima de tudo, antecipação de mercado. Esses e outros insights estruturais foram os grandes temas discutidos no Roadshow Sovos Always On: Pilotando a Reforma Tributária, que reuniu lideranças do setor no último dia 14 de maio de 2026, no L´atelier, em São Paulo.

A corrida pela previsibilidade 

Durante os debates, os especialistas contextualizaram que o evento acontece em um momento no qual o Brasil é globalmente reconhecido por liderar a vanguarda da aceleração digital, transformando a conformidade fiscal em processos dinâmicos e em tempo real. Diante dessa velocidade, os líderes de tecnologia e finanças apontaram que o grande divisor de águas para os próximos meses é a capacidade das companhias de irem além do operacional e criarem estratégias preditivas.

“Como as negociações de compras e o planejamento de margens para os próximos anos começam a ser desenhados com muita antecedência, ter visibilidade total sobre os impactos fiscais ainda em 2026 tornou-se uma vantagem competitiva vital”, destaca Rafael Cavalcanti, Diretor de Vendas da Sovos Brasil.

Mudança cultural nas empresas 

Para responder a essas dores latentes do mercado, a programação do Roadshow foi estruturada em painéis estratégicos que colocaram em foco a necessidade urgente de uma mudança de cultura corporativa. Nesse contexto, os debates evidenciaram que a Reforma Tributária impõe uma quebra de silos internos, transformando a gestão fiscal em uma pauta altamente transversal.

De acordo com Leonardo Brussolo, Diretor de Gestão de Produtos da Sovos Brasil, eventos como este criam um ambiente rico de troca, onde as organizações conseguem compreender a fundo como as novas regras impactarão suas operações diárias e as mudanças necessárias em seu portfólio para estarem em conformidade. “Ouvir o mercado nos permite amadurecer nossa visão de suíte integrada para oferecer exatamente o planejamento que as organizações exigem para se adequarem aos prazos definidos pelo governo”, pontua.

Governança multidisciplinar 

As discussões também abordaram como a governança do projeto de transição em grandes corporações já não deve ficar centralizada em uma única liderança, mas sim estruturada em comitês multidisciplinares, unindo simultaneamente as frentes de Tax, TI, Jurídico, Procurement e Facilities. Nesse desenho, a área de tecnologia passa a funcionar como a espinha dorsal e o motor de execução, enquanto o time de Tax atua como o gatekeeper estratégico para garantir a qualidade da informação e mitigar riscos futuros.

Setores sob maior pressão 

Outro ponto destacado pelos especialistas foram os desafios práticos de implementação sistêmica em setores de alta complexidade regulatória, como o varejo e a aviação civil, consolidando o papel das ferramentas de ponta na mitigação de riscos e no planejamento financeiro de longo prazo.

A adequação sistêmica precisa ser imediata para apoiar as lideranças na tomada de decisões urgentes exigidas pelo calendário oficial do governo. Como o volume massivo de alterações mexe com toda a engrenagem fiscal brasileira, exige-se planejamento e a adoção de uma suíte completa de soluções, que vai desde o cálculo de tributos e mensageria até análises avançadas.

Diante desse cenário, o tamanho do desafio de redesenhar a arquitetura fiscal em setores complexos exige resiliência e velocidade para corrigir rotas em tempo real. No mercado de varejo tradicional, por exemplo, a operação assemelha-se a “trocar o pneu de um carro de Fórmula 1 a 300 km/h”.

Já na aviação civil, o nível de criticidade se eleva pela obrigatoriedade de conformidade em transações massivas e instantâneas, em que o core do faturamento depende da emissão segura, bilhete a bilhete, de novos documentos fiscais, o que exige um ecossistema tecnológico altamente robusto.

IA e conformidade em escala 

Para sustentar essa engrenagem em alta velocidade, o papel dos provedores evoluiu de meros fornecedores de software para facilitadores de um diálogo holístico entre o setor privado, consultorias e autoridades fiscais. O maior valor do mercado atual reside em ajudar as companhias a saírem do imediatismo e da urgência operacional do dia a dia para planejar os próximos 12 a 24 meses com clareza preditiva.

O Chief Marketing Officer (CMO) da Sovos, Chris Lynch, reforça que a Inteligência Artificial (IA) funciona como um catalisador estratégico nesse processo, permitindo acompanhar o dinamismo das mudanças regulatórias e monitorar o cenário em tempo real. “A IA é um acelerador que nos ajuda a manter o ritmo ágil das transformações e a orientar nossos clientes sobre como garantir a conformidade em larga escala.

 Lynch ressalta ainda que o verdadeiro diferencial competitivo, no entanto, reside na combinação exata entre essa automação avançada e a expertise humana das equipes de Tax. “Essa visão de sinergia apoia a estratégia da Sovos em centralizar a inteligência tributária em plataformas integradas, como o motor fiscal Tax Rules, assegurando governança e flexibilidade diante de um cenário em constante mutação”, afirma Lynch.

Comentários

Deixe um comentário