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Carnaval de Boujloud,  entre  tradição  espiritual e festividade

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Carnaval de Boujloud,  entre  tradição  espiritual e festividade

A palavra Carnaval ou festa espiritual, provém do termo italiano, século XIII “retirar a carne”; ou seja “entre o fim e início de Quaresma”, da festa e da folia, práticas mantidas, geralmente, nas conglomerações de São Paulo, Brasil, ou nas montanhas e planícies da região de Souss, Atlântico marroquino, decorrente da festa do carneiro, da atmosfera excepcional do Eid al-Adha, como  imagem carnavalesco.

Esta atmosfera, decorrente do clima da festa do sacrifício, da festa do carnaval afrobrasileiro, ato remoto, inovador, do tempo  imbuído espiritual, e do sacrifício e devoção divino, constituindo um dos atos culturais arabo-amazigh, dos antigas hábitos e ritos, sinônimo da pele do carneiro ou animal, intrigantes carnavalescos, ritual de Boujloud, ou Bilmawn, termo amazigh, intitulado dono de peles.

Esta tradição milenar continua sendo transmitida através das  peles de carneiro; imagens caracterizadas, ritualísticas, becos e caminhos,  praças e itinerários, ou ainda “isouyas”, revelador da língua amazigh —lado obscuro do povo amazigh, da herança, da sagrada imagem e espetáculo reencarnado da tradição.

Esta ocasião do Eid, festa, ambiente incitador, tem sido o recolhedor das peles de ovelha e cabra,  costura das figurinhas, da confecção de trajes,  para o desfile nas praças, a título de celebrações do “Bilmawn”, da visão de mistura do carnaval brasileiro, dos  novos espaços, de  estilos e sensos culturais e organizacionais,  de proteção e preservação  do ato folclórico, e da extinção, e deturpação da essência, simbolismo do “Boujloud”, e  espírito carnavalesco, do desvio comercial.

Práticas ancestrais

As celebrações do Bilmawn, parte das práticas culturais Amazigh profundamente enraizadas no espírito do Eid, cuja comunidade Amazigh as comemora desde os tempos antigos.

Adaptando-se  esta tradição do Islã, à festa do sacrifício, ritual religioso, bíblico, ancestral, estendido aos lados do Mediterrâneo.

Foi nas áreas rurais e vilarejos e nas montanhas e sopés do interior, a aparência externa, festiva e comemorativa, revelador desta essência de guarda de muitos mistérios e segredos ocultos, e dos inúmeros etnógrafos e antropólogos, interpretadores do século XIX e dos dias atuais, sobre a vasta gama de estudos desse fenômeno, das antigas práticas religiosas amazigh, antecedentes à chegada do Islã ao Norte da África.

Esta prática de sacrifícios, de divindades, estende-se a certos períodos e ocasiões, posteriormente, à tradição do Islã,  associados ao Eid al-Adha e aos rituais do Ashura, revelando o sentido de mascaradas, representações teatrais e celebrações, do estilo de vida do povo amazigh, da realidade do cotidiano, teatral e coletiva, das máscaras, de expressões e revelações de tabus religiosos, subjacentes aos modos culturais, sociais e políticos.

Esta sociedade amazigh é conhecida sob a mudança do século XX, no âmbito da sociedade rural à urbana, mantidas pelas práticas culturais de aldeias a cidade, e  ao metrópole, foi do bairro ao distrito, das mudanças de algumas formas, dos estilos e manifestações socioeconômicas e religiosa; inalteradas junto ao aparecimento deste simbolismo cultural e religioso, associado aos rituais carnavalescos.

Tal ritual de Bilmawn tem sido a prática cultural amazigh, aproximador de fronteiras, de tabus, do proibido,  do inútil, da magia e da cura, sob o social, político e o cultural, espetáculo das  máscaras.

Define-se entre o artificial e profano da história, do ritual cultural, espalhado nas grandes cidades e centros urbanos,   Agadir ou São Paulo, revestido no contexto das gerações, do comportamento curioso, de liberdade de expressão e criatividade, abertos às práticas de arte popular, de  restrições políticas, de exigências burocráticas, de autoridades às leis autarquias, religiosas salafistas, rígidas de performáticas, e interpretação da terminologia do Bilmawn, espetáculo de máscaras, rebelião e liberdade.

Espaço Jovem

O ritual do Bilmawn foi até então desconhecido, em outras partes do Norte da África, revelador da globalização e digitalização,  da consequência natural, associador de valores  rituais evoluídos, adaptados  ao novo contexto do Eid do sacrifício.

A região de Souss, distrito de Agadir, e das principais cidades, Dcheira, Inezgane e Ait Melloul, e outras localidades e aldeias vizinhas, pretende-se preservar esse ritual, em termos de modificações do contexto urbano e da curiosidade juvenil.

O Bilmawn tornou-se um ritual tradicional, de costumes e expressões, liberadores de energias criativas, de atmosfera especial, de cidades e aldeias, objeto do Eid al-Adha, sabor único, da revitalização cultural, da transformação do Bilmawn do ritual rural,  representações e práticas urbanas, das diferentes práticas manchadores da essência da imagem cultural e ritual, das dimensões, previstas pelas autoridades locais, dos conselhos eleitos organizadores, e do carnaval internacional, acontecimento mundial, de Agadir e prefeitura de Inezgane-Aït Melloul, revelador da essência da cultura ancestral de estudo e tradição.

Constituindo um arcabouço acadêmico de aprofundamento do conhecimento da sociedade civil, institucional,  da convicção compartilhada do patrimônio cultural, e estratégia de desenvolvimento, do termo Bilmawn, inscrito na lista de patrimônio cultural imaterial da UNESCO, carnaval de Bilmawn, elemento, legítimo e justificador, da existência do carnaval do Brasil, ou do ‘Pinch’ da Bélgica, um dos patrimônios nacionais, junto à UNESCO,  preservador  e renovador dos ritos de amazigh, D’agadir 2024.

Autor:

Lahcen EL MOUTAQI. Professor universitário, tradutor, pesquisador de assuntos da América do sul, Mercosul, Brasil, Marrocos

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