Instituto Capim Santo mostra como o aproveitamento integral dos alimentos pode gerar renda e combater o desperdício

No Dia Mundial da Gastronomia Sustentável, celebrado em 18 de junho, projeto destaca alternativas para reduzir o desperdício em um cenário em que milhões de brasileiros ainda enfrentam a fome.
Transformar desperdício em oportunidade é uma das propostas do Instituto Capim Santo. A iniciativa dialoga com uma realidade preocupante: mais de 1 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas todos os anos no mundo, segundo o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PNUMA/ONU .O volume equivale a cerca de 1 bilhão de refeições descartadas diariamente, sendo os domicílios responsáveis por aproximadamente 60% do desperdício registrado na etapa de consumo dos alimentos.
Ao mesmo tempo, cerca de 6,5 milhões de brasileiros enfrentam a fome ou vivem em situação de insegurança alimentar grave, segundo o IBGE. Diante dessa realidade, iniciativas voltadas ao aproveitamento integral dos alimentos ganham importância ao unir combate ao desperdício, segurança alimentar e geração de renda.
Há mais de 13 anos, o Instituto Capim Santo utiliza a gastronomia sustentável como ferramenta de transformação social. Fundada pela chef Morena Leite, a organização já certificou mais de 15 mil alunos em diferentes regiões do país, promovendo qualificação profissional, geração de renda e o aproveitamento integral dos alimentos. Os cursos incentivam práticas que reduzem o desperdício e mostram como ingredientes frequentemente descartados podem se transformar em refeições nutritivas e fontes de renda.
Entre os exemplos ensinados pela instituição estão o nhoque de banana-da-terra preparado com as cascas da fruta e o bolo de abacaxi com cobertura feita da casca, que aproveitam partes normalmente descartadas dos alimentos. Já o antepasto de coração da bananeira amplia o uso de ingredientes pouco explorados e contribui para uma alimentação mais sustentável.

Além da formação profissional, o Instituto também atua diretamente no combate à fome. Por meio do projeto Pare com a Fome, mais de 3 milhões de refeições já foram distribuídas em comunidades vulneráveis da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, unindo segurança alimentar, sustentabilidade e impacto social.
“O aluno aprende muito mais do que cozinhar. Ele desenvolve consciência sobre alimentação, desperdício, cultura e geração de renda. A gastronomia sustentável é uma ferramenta de transformação social”, afirma Luccio Oliveira, presidente do Instituto Capim Santo.
Autora:
Adriana Prequero