Jornal Tribuna

Envelhecimento acelerado e falta de geriatras: Brasil encara desafio urgente no cuidado dos idosos

Por edicao·
Envelhecimento acelerado e falta de geriatras: Brasil encara desafio urgente no cuidado dos idosos

IBGE projeta 37,8% da população idosa até 2070, mas o país conta com só 1,49 geriatra por 100 mil habitantes; modelo de cuidado domiciliar cresce como alternativa segura e humanizada
O Brasil já vive um processo acelerado de envelhecimento populacional. Segundo projeções oficiais do IBGE (2023), 15,6% da população brasileira tem 60 anos ou mais, o que representa cerca de 33 milhões de pessoas. A expectativa de vida no país é de 76,4 anos e deve alcançar 83,9 anos até 2070. Nesse cenário, o contingente de idosos seguirá crescendo e deverá chegar a 37,8% da população no mesmo ano, ultrapassando 75 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais.

“O Brasil está envelhecendo rapidamente. Já são mais de 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, e esse número só vai crescer. O problema é a falta de geriatras, pouco mais de 3 mil, e a maioria concentrada nas capitais e grandes centros. Isso cria um vazio enorme no cuidado especializado, principalmente no interior, onde muitas vezes não há nenhum profissional disponível”, afirma o clínico Rodrigo Oliveira de Menezes Gonçalves, médico de rotina do HomeSenior.

A insuficiência de geriatras tem impactos diretos sobre o cuidado ao idoso, pois, sem esse olhar especializado, o tratamento tende a ficar fragmentado: cardiologistas, ortopedistas e clínicos gerais acabam cuidando de partes isoladas, sem que haja um profissional voltado a ver o paciente como um todo.

“Cada médico cuida de um pedaço, o cardiologista do coração, o ortopedista da dor no joelho, mas ninguém vê o todo. Isso leva ao uso exagerado de remédios, internações que poderiam ser evitadas e perda de foco na funcionalidade e na qualidade de vida”, completa o Dr. Gonçalves.

Em regiões mais remotas do Brasil, como o Norte, o Nordeste e o interior de estados, esse cenário é ainda mais crítico, com poucos ou nenhum geriatra disponível. O atendimento ao idoso depende de médicos generalistas ou da própria estrutura de atenção domiciliar. Nesse contexto, o “home care” surge como alternativa essencial.

“Com equipes que vão até o domicílio, ele garante acompanhamento contínuo e reduz a necessidade de hospitalizações. Mesmo que o geriatra não esteja presencialmente em todos os atendimentos, ele pode atuar de forma consultiva ou remota, revisando planos de cuidado, ajustando medicações e orientando a equipe multiprofissional”, afirma.

Entre os benefícios do cuidado domiciliar, destaca-se o conforto de permanecer no próprio lar, com rotinas familiares e ambiente que favorece o bem-estar. “O maior benefício é o conforto e a segurança de estar em casa. O idoso dorme melhor, se alimenta melhor e se sente protegido no ambiente onde está acostumado. A família participa do cuidado, aprende e se sente mais apoiada. E o plano de cuidado é personalizado, pensado para a realidade de cada pessoa, não é uma receita padrão”, diz.

No entanto, é importante reconhecer que o modelo domiciliar não é adequado para todos os perfis de idosos. Ele se aplica melhor a pessoas com doenças crônicas estáveis, que necessitam de acompanhamento, medicação ou fisioterapia, mas que não demandam suporte hospitalar intensivo.

“É indicado para portadores de doenças crônicas estáveis, que precisam de acompanhamento frequente, curativos, fisioterapia ou medicações regulares. Mas há limitações: pacientes com quadros muito graves, que precisam de monitoramento constante, suporte intensivo ou procedimentos complexos, ainda precisam do ambiente hospitalar. O home care complementa o hospital, não o substitui”, explica o médico.

Embora o modelo venha se fortalecendo, ainda há desafios essenciais: evitar que o cuidado domiciliar se torne mecânico, garantir treinamento e capacitação das equipes, apoiar emocionalmente cuidadores e familiares e assegurar protocolos rígidos de segurança. Medidas como prevenção de quedas, controle de feridas, checagem de sondas e cateteres, e revisão regular de medicamentos fazem o cuidado em casa alcançar níveis de segurança comparáveis ao hospitalar.

Para o médico de rotina do HomeSenior, “é necessário ampliar os programas de Atenção Domiciliar do SUS, incentivar a formação de geriatras e valorizar os profissionais que atuam nessa área. Também é importante que os planos de saúde adotem modelos que priorizem o cuidado contínuo, e não apenas procedimentos isolados. O envelhecimento é um fato; o que falta é adaptar o sistema de saúde a essa nova realidade”, conclui.

Sobre o HomeSenior
A HomeSenior nasceu da expertise do Homebaby — referência no cuidado domiciliar pediátrico há mais de 30 anos — e da tradição do Grupo Prontobaby. Unindo tecnologia, humanização e uma equipe altamente qualificada, são oferecidos internação domiciliar, reabilitação, assistência multiprofissional e programas personalizados para todas as idades.

Mais informações: https://homeseniorcare.com.br/

Autora:

Maria Marinho

Comentários

Deixe um comentário