Inteligência Artificial e produtividade: por onde começar de verdade

Helena Levorato, Cofundadora e CEO da Sociedade Brasileira de Inovação (SBI), Fundadora do Programa Mulheres que Inovam. Neurocientista, especialista em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional. Contato Palestras: helena@sbinovacao.com.br
A inteligência artificial entrou nas conversas sobre produtividade, inovação e gestão com uma velocidade difícil de ignorar. Novas ferramentas surgem o tempo todo, conteúdos sobre o tema se multiplicam e cada vez mais profissionais buscam entender como essa transformação pode contribuir para o trabalho do dia a dia. Esse movimento ampliou o acesso à tecnologia e despertou o interesse de pessoas e organizações dos mais diversos setores, mas também trouxe uma reflexão que poucos param para fazer:
O que acontece depois do primeiro contato com essas soluções?
Conhecer as possibilidades da inteligência artificial é um passo importante, só que a aplicação prática continua sendo o ponto que gera mais dúvidas dentro da rotina de trabalho.
A maior parte das tentativas de adotar inteligência artificial começa pela ferramenta, não pelo problema. Os profissionais pesquisam plataformas, testam funcionalidades e acumulam recursos sem antes mapear quais atividades realmente travam a rotina ou onde o tempo está sendo mal aproveitado. E essa ordem invertida é o que faz com que a tecnologia pareça complexa ou distante na prática, mesmo para quem já tem familiaridade com ela.
Essa percepção ganha ainda mais peso quando se observa como o tempo é distribuído ao longo de uma jornada de trabalho. Grande parte das atividades realizadas diariamente envolve organização de informações, atualização de documentos, acompanhamento de processos, consolidação de dados e atendimento de demandas recorrentes. É claro que são tarefas necessárias para o funcionamento das operações, mas que, ao longo do tempo, ocupam um espaço significativo da agenda e reduzem a disponibilidade para análises, planejamento, relacionamento e decisões estratégicas.
Penso que, identificar onde a inteligência artificial realmente se encaixa exige, antes de qualquer coisa, mais clareza sobre o próprio trabalho e sobre os objetivos que deseja conquistar com o apoio dessas ferramentas.
Quais atividades consomem mais tempo do que deveriam?
Onde estão os processos que dependem de muita energia para pouco resultado?
Essas perguntas ajudam a criar um ponto de partida real, diferente de tentar adaptar a rotina a uma ferramenta que ainda não foi testada dentro daquele contexto específico.
O que acontece é que, quando a tecnologia é introduzida a partir das necessidades reais, e não o contrário, as chances de ela gerar valor aumentam de forma significativa.
Sabemos que as organizações que conseguem extrair resultados reais da inteligência artificial, em geral, não são as que adotaram mais ferramentas, mas sim, as que dedicaram mais tempo para entender seus próprios processos antes de buscar soluções tecnológicas. Essa disposição para olhar para dentro, entender o que já existe e identificar onde a tecnologia realmente contribui, é o que transforma a inteligência artificial em parte funcional da rotina, com impacto visível no trabalho das equipes e nas decisões da liderança.
Autora:
Danielle Campos