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Chanceler brasileiro e representante comercial dos EUA conversam em Paris em meio a ameaça de novas tarifas

Por Nathalia Cavalcante·
Chanceler brasileiro e representante comercial dos EUA conversam em Paris em meio a ameaça de novas tarifas


Jamieson Greer se aproximou de Mauro Vieira às margens da reunião da OCDE para reafirmar disposição ao diálogo; governo brasileiro diz que prazo acordado entre Lula e Trump ainda está vigente.


O chanceler brasileiro Mauro Vieira e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, trocaram palavras nesta quarta-feira (3) nos bastidores da reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris. O contato informal ocorreu horas depois de Washington propor a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, a segunda em dois dias.


Não houve reunião formal entre os dois. Greer tomou a iniciativa, aproximando-se de Vieira para fazer o comentário às margens do evento. O norte-americano destacou que o governo dos Estados Unidos mantém um canal de comunicação ativo com o Brasil e manifestou interesse em dar continuidade às tratativas comerciais.


Do lado brasileiro, Vieira deixou claro que o Brasil mantém a mesma disposição para negociar desde que as investigações foram abertas, em julho de 2025, e afirmou ser necessário “intensificar as negociações” nesse momento. O chanceler também lembrou que os dois governos ainda estão dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em seu encontro em Washington.


O pano de fundo para o encontro é de crescente tensão comercial. Na madrugada desta quarta, o USTR publicou uma nova análise propondo tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o Brasil falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A medida se soma à proposta de 25% lançada na véspera, baseada em práticas consideradas desleais pelos EUA, como políticas envolvendo o PIX, o Judiciário, o desmatamento e alegadas falhas ambientais.


A proposta de 12,5% passará por consulta pública. Os interessados poderão pedir participação nas audiências até 22 de junho e enviar contribuições escritas até 6 de julho. Ainda não há clareza sobre se as duas penalidades poderiam ser somadas, caso sejam efetivamente aplicadas.


O Brasil foi incluído na faixa de maior alíquota, de 12,5%, ao lado de China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita. O encontro em Paris busca abrir caminho para intensificar as negociações antes que as novas taxas avancem no processo de consulta pública previsto para julho.


A taxação de 25%, baseada na Seção 301 da lei americana de comércio de 1974, foi aplicada exclusivamente ao Brasil, embora mais de 70 países sejam investigados sob o mesmo instrumento legal.

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