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sábado, 24 de janeiro de 2026

Reforma Tributária e Agronegócio: o desafio da informação qualificada na cobertura econômica

A cada dia que passa, a Reforma Tributária se transforma em motivo de dúvida, medo e desgaste para quem busca se preparar — e em verdadeiro pesadelo para quem ignora a necessidade de adaptação. O tema vai muito além de uma simples mudança legislativa ou de um setor específico: a reforma impacta toda a economia, do meio urbano ao rural.

No texto de hoje, vamos abordar como a mídia tem apresentado os impactos da Reforma Tributária sobre o setor do agronegócio, um dos pilares da economia brasileira e um dos mais sensíveis às alterações no sistema de tributos.

Eu, Jennifer Rodrigues, especialista em Direito Tributário e Reforma Tributária, vou ajudar os leitores a compreender, de forma prática e direta, como se preparar e o que realmente esperar desse novo cenário. Toda semana, publicarei aqui na Tribuna um ponto relevante da Reforma Tributária, trazendo a informação como um especialista deve fazer: com clareza, responsabilidade e a verdade nua e crua.


A Reforma Tributária brasileira, consolidada pela Lei Complementar nº 214/2025, inaugura uma das transformações mais profundas do sistema fiscal nacional ao instituir o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Apesar de sua relevância estrutural, a cobertura midiática sobre o tema ainda carece de aprofundamento técnico e contextualização prática, especialmente quando se trata dos impactos setoriais, como no agronegócio.


O discurso predominante na mídia enfatiza a simplificação e a redução da burocracia, mas pouco
esclarece sobre os efeitos concretos da transição, prevista para iniciar em 2026, com plena vigência em 2027. O agronegócio, responsável por mais de 25% do PIB brasileiro, figura entre os setores mais sensíveis às mudanças, sobretudo diante da adoção do split payment, mecanismo que prevê a retenção automática dos tributos no momento da operação, afetando diretamente o fluxo de caixa dos produtores.


Outro ponto pouco explorado no jornalismo econômico é a fragilidade operacional do setor diante
da reforma. Estudos indicam que mais de 70% das empresas do agronegócio apresentam inconsistências em documentos fiscais, como erros de NCM, CFOP e CST, o que pode inviabilizar o aproveitamento de créditos de ICMS durante o período de convivência entre os sistemas.

A ausência de informação qualificada contribui para que produtores subestimem riscos financeiros,
multas e perda de competitividade.


Além disso, temas como a revisão de contratos de arrendamento, a reorganização da gestão de
créditos tributários e a necessidade de adaptação dos sistemas contábeis ainda recebem atenção
marginal na cobertura jornalística, apesar de serem decisivos para a sustentabilidade econômica
do setor no novo cenário fiscal.


Nesse contexto, o papel do jornalismo econômico é fundamental para ir além da narrativa institucional e oferecer análises críticas, técnicas e acessíveis. Informar com profundidade não
apenas esclarece, mas também permite que produtores e empresários tomem decisões estratégicas, preservem caixa e se adaptem de forma responsável às mudanças estruturais do sistema tributário brasileiro.

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