Jornal Tribuna

Entre a Persona Non Grata e o Aplauso Perdido: O Grande Circo dos Inúteis

Por Manuel Flavio Saiol Pacheco·
Entre a Persona Non Grata e o Aplauso Perdido: O Grande Circo dos Inúteis

A Câmara Municipal de Belo Horizonte conseguiu transformar o plenário num espetáculo digno de Oscar: vereadores, atentos ao chamado da irrelevância, dedicaram energia vital para aprovar um movimento de repúdio contra Alexandre de Moraes, decretando-o persona non grata como quem espera que a cidade se torne subitamente mais próspera só porque o ministro do STF não é mais bem-vindo. Pablo Almeida, o mestre de cerimônias desse teatro, baseou sua genialidade nas avaliações internacionais e em gestos futebolísticos, tudo em nome de um protesto que, se tivesse potência, seria capaz de tapar um buraco de rua ou esvaziar a fila do SUS. O capricho político desfilou com orgulho, enquanto os parlamentares da oposição tentavam lembrar que o regimento interno não é o Twitter e que perseguir autoridades é obra de quem prefere manchetes a resultado.

Mas não parou por aí: em resposta ao repúdio, veio um movimento de apoio, uma tentativa morna de indenização, defendida com toda a força dos que acham que a democracia se resolve um pedaço de papel rabiscado na terça à tarde. A representação também virou pó—rejeitada, esquecida, tão eficaz quanto pedir vitória ao Santo Expedito para aprovar verba para educação. Foi o sublime empate entre quem usa o plenário para lacrar contra Moraes e quem acredita no poder taumatúrgico de movimento municipal. Numa coreografia refinada, o baile das vaidades ignorou o que realmente importa: nenhum buraco tapado, nenhum cidadão atendido, nenhum projeto relevante aprovado. As moções — tanto de repúdio quanto de apoio — servem apenas para alimentar o folclore: papel timbrado revestido de merda política, que jamais chega ao cotidiano.

O que mais impressiona nessa realidade legislativa é o quanto essas medidas depreciam o verdadeiro sentido das ações enquanto honrarias. Historicamente, os movimentos cumprem o papel de enaltecer méritos, homenagear feitos relevantes, considerar quem contribui para o município e valorizar ações dignas do respeito coletivo. Transformá-los em instrumentos de guerrilha partidária ou para resoluções pessoais é vandalizar sua finalidade, tornar o solene em grotesco, e desgastar a reforma institucional que deveria servir de inspiração para os cidadãos.

Por fim, Belo Horizonte assiste, perplexa, à consagração de sua Câmara como o templo máximo da inutilidade contemporânea. E que ninguém se engane: enquanto a Casa do Povo se apaixona pela própria imagem, a cidade fica condenada ao papel de figurante. Nesse palco, o drama é real: cada minuto perdido discutindo Alexandre de Moraes é um crime contra quem precisa de política viva, não de vaidade envernizada para caber em manchete.

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