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Redução de custos em saúde é preocupação constante na gestão hospitalar

Por edicao·
Redução de custos em saúde é preocupação constante na gestão hospitalar

O equilíbrio financeiro entrou definitivamente na agenda da gestão hospitalar. Segundo estudo da PwC Brasil, as fraudes já consomem mais de 10% das receitas das operadoras de saúde, pressionando custos assistenciais e impactando diretamente os reajustes aplicados aos beneficiários. Ao longo de toda a cadeia de operadoras, hospitais e clínicas, esse cenário exige a necessidade de maior controle, integração e eficiência. Nesse contexto, a gestão hospitalar precisa evoluir, abandonando processos fragmentados e assumindo, de forma estratégica, a governança de dados assistenciais e financeiros.


Mas o que impede a redução desses custos? No Brasil, ainda predominam operações baseadas em papel e planilhas e uma forte fragmentação de sistemas. Etapas como solicitações de autorização, seja para internações, exames ou aquisição de medicamentos, ainda dependem de fluxos pouco integrados. O mesmo ocorre com faturamento, auditoria e gestão de contas médicas, frequentemente conduzidos de forma manual.


Esse cenário gera consequências relevantes, como retrabalho, falhas operacionais e erros de digitação. Em alguns casos, um erro simples, como na solicitação de um insumo ou equipamento, pode gerar impactos financeiros significativos, especialmente quando relacionado a procedimentos cirúrgicos de alto custo.


Além disso, processos como a compra de próteses, equipamentos ou medicamentos de alto custo ainda envolvem etapas pouco automatizadas, como cotações e negociações com fornecedores, o que pode gerar atrasos e ineficiências ao longo da jornada assistencial e impactar diretamente a margem hospitalar.

Falta de padronização e pressão sobre custos na gestão hospitalar

Outro ponto crítico está na falta de padronização clínica e administrativa, que contribui para o uso ineficiente de recursos, aumento do tempo de permanência hospitalar e desperdícios assistenciais, impactando diretamente o giro de leitos e o fluxo de caixa das instituições.

Nesse contexto, também ganham relevância as glosas, quando operadoras contestam valores faturados por prestadores. Esse movimento, cada vez mais frequente, evidencia falhas nos processos e reforça o desafio de alinhar critérios entre operadoras, hospitais e profissionais de saúde, afetando diretamente a previsibilidade de receita dos hospitais.

Somam-se a esse cenário os elevados índices de sinistralidade, que hoje estão na casa de 80% a 85%, podendo atingir patamares próximos a 90% em casos extremos, segundo dados da ANS de 2023 e 2024. Esse indicador pressiona diretamente os resultados financeiros e limita a capacidade de investimento do setor como um todo.

As fraudes também representam um fator relevante nesse contexto, tendo em vista que práticas como uso indevido de carteirinhas, superfaturamento ou inclusão de procedimentos não realizados, seja por erro, abuso ou má-fé, contribuem para o aumento dos custos e ampliam a pressão sobre o sistema, impactando tanto operadoras quanto hospitais, que enfrentam maior rigor nas auditorias e glosas.

Dessa forma, hospitais que mantêm a gestão financeira apoiada em planilhas tendem a conviver com margens imprevisíveis e conflitos recorrentes com operadoras.

Desafios para a redução de custos

A adoção de tecnologias mais robustas de gestão é ainda um desafio, especialmente para operadoras e hospitais de menor porte. Muitas vezes, a limitação de recursos e a concorrência de prioridades dificultam investimentos em soluções que poderiam aumentar a eficiência operacional.

Em alguns casos, a própria estrutura enxuta leva gestores a acumularem funções, reforçando a dependência de fluxos pouco automatizados e dificultando a implementação de novos sistemas.

Outro ponto relevante é a necessidade de equipes preparadas para conduzir essa transformação. A adoção de novas ferramentas exige não apenas investimento, mas também mudança de cultura e disposição para substituir modelos baseados em planilhas e processos manuais por soluções mais estruturadas.

A automatização de autorizações, por exemplo, permite direcionar a análise médica para casos mais complexos, enquanto dados estruturados e inteligência artificial passam a apoiar a tomada de decisão mais estrategicamente.

Nesse cenário, o ERP assume papel fundamental como base da operação, integrando áreas como financeiro, contábil, compras, contratos, estoque e gestão de glosas, além do processamento das autorizações. Essa integração reduz retrabalho, melhora a eficiência e amplia a visibilidade sobre o fluxo de caixa e indicadores gerenciais, atuando diretamente na redução de glosas por cadastro, elegibilidade, autorização e cobrança fora de contrato.

Embora a TISS (Troca de Informação de Saúde Suplementar) siga como um pilar importante, novas formas de integração vêm ganhando espaço, como conexões via serviços e iniciativas como a RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), ampliando a interoperabilidade e o acesso a dados clínicos em escala nacional, permitindo decisões mais assertivas e evitando desperdícios, como a repetição desnecessária de exames.

Tendências para a gestão financeira

Entre as principais tendências, destaca-se a adoção de padrões de integração clínica, como HL7 (Health Level Seven) e FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources), que permitem avançar no uso de dados clínicos de forma estruturada, indo além das informações administrativas, conectando histórico do paciente, procedimentos e faturamento em uma visão unificada.

No entanto, o fator humano segue determinante para o sucesso de qualquer projeto, que depende diretamente do engajamento das equipes responsáveis pela implementação e pela absorção dos novos modelos de gestão.

A consolidação de dados em plataformas integradas permite não apenas reduzir retrabalho, mas também melhorar a governança e a previsibilidade financeira. Ainda assim, é importante destacar que dados, por si só, não são suficientes. O diferencial está na capacidade de transformá-los em inteligência aplicada.

Com o avanço da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, torna-se possível gerar insights que apoiem tanto a gestão hospitalar quanto a tomada de decisão clínica, como a previsão de glosas, identificação de padrões de desperdício e apoio à auditoria médica, contribuindo para a sustentabilidade financeira do setor e para a qualidade do cuidado ofertado aos pacientes.

Esses avanços mostram como um ERP hospitalar integrado, aliado à interoperabilidade e ao uso de dados estruturados, atua diretamente na linha de receita e custo, aumentando a previsibilidade financeira, reduzindo perdas e fortalecendo a relação entre hospitais e operadoras.

Autora:

Tássia Morgana Bernardo é Product Manager da Benner, empresa de tecnologia que oferece softwares de gestão empresarial e serviços de BPO para revolucionar e simplificar os negócios.

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