Loft O Limiar do Invisível propõe luxo silencioso na CASACOR SC | Balneário Camboriú

Assinado por Lu Gibaile, o ambiente de 88,22 m 2 parte da arte, da luz e do silêncio para criar uma experiência sensorial em que a sofisticação aparece na sutileza, e não no excesso.
Na CASACOR SC | Balneário Camboriú 2026, a designer de interiores Lu Gibaile assina o Loft O Limiar do Invisível, ambiente de 88,22 m 2 composto por hall, living e quarto. O projeto parte de uma ideia precisa: criar um espaço de pausa, onde luz, textura, arte e silêncio conduzem a experiência do visitante.
“O conceito do loft nasce do minimalismo sensorial. Trabalhamos com poucos elementos, grandes planos, volumes baixos e ausência de ruído visual para que o corpo percebesse o espaço antes mesmo de racionalizá-lo”, explica Lu.
A proposta foi criada para uma mulher de 42 anos, artista e colecionadora de memórias, que vive entre grandes metrópoles, mas preserva uma relação íntima com o tempo, a arte e a introspecção. Para ela, a casa não é vitrine. É um ecossistema emocional. Essa leitura aparece logo na entrada, onde a galeria de arte funciona como filtro entre o mundo externo e a área íntima do loft.
No hall, o visitante é recebido por uma parede de cor intensa, com personalidade, pensada como uma pausa antes da imersão. A escolha não tem função apenas cromática. Ela age como uma membrana sensível entre o lado de fora e o universo íntimo do ambiente. É como se a cor pedisse silêncio ao olhar antes de permitir a entrada.
A galeria reúne obras de Ana Serafin, Bruno Marcelino, Cristina Barrancos, Gabriela Costa, Jean Araujo, Juliane Fuganti e Marcus André, todos representados pela Galeria Zilda Fraletti, de Curitiba. A curadoria traz o contemporâneo como fio condutor, com trabalhos que instauram ritmo, densidade e pausa ao percurso.
Memória, origem e garimpo

Em meio a essa presença moderna, surge um gesto de origem: o Casal Mineiro, frequentemente chamado de João e Maria. A escultura clássica da arte popular brasileira, entalhada em madeira e associada ao acolhimento do interior de Minas Gerais, cria um elo afetivo com a terra natal da designer. Diante das obras contemporâneas, a dupla aparece quase como uma lembrança silenciosa da casa de onde se veio. Não disputa atenção. Recebe.
Entre o mobiliário contemporâneo assinado, surgem peças afetivas do acervo da designer, garimpadas em feiras e antiquários. Elas entram como pequenas pausas de memória dentro do rigor do projeto, lembrando que uma casa não se constrói apenas com escolhas recentes, mas também com aquilo que atravessa o tempo e permanece
A arquitetura do loft também nasce da escuta do lugar. Já existiam no espaço o piso em cimento, a laje aparente, tubulações e paredes em MDF. Em vez de ocultar essas marcas, o projeto as reorganiza. As paredes receberam emassamento, a tubulação de esgoto foi fechada em drywall, e a iluminação passou a ser distribuída por eletrocalhas, solução que evita o rebaixamento do teto e preserva o pé-direito.
“Eu não queria apagar a estrutura existente. A proposta foi criar uma conversa entre a rusticidade do piso e do teto e a delicadeza dos elementos que entram depois, como a luz, as cortinas e os tecidos”, comenta a designer.

No living, a ausência de televisão reforça a intenção de pausa e conversa. A composição privilegia volumes baixos, tapetes de tecedura manual, tecidos naturais e uma paleta contida. A cortina translúcida, usada em dupla camada, organiza a passagem para o quarto sem fechar completamente o espaço.
“A cortina é translúcida, mas não transparente. Ela desperta a curiosidade de quem entra e, ao mesmo tempo, protege a intimidade de quem está no quarto. A luz no piso ajuda a conduzir o olhar e amplia essa sensação de recolhimento”, diz Lu.
A iluminação é tratada como matéria de projeto. Fitas de LED, spots deslocáveis em calhas, luz no piso e tela tensionada com iluminação unilateral criam variações de sombra e profundidade. No quarto, a arte permanece como companhia cotidiana, enquanto a marcenaria escura e a luz filtrada reforçam a sensação de abrigo.
No Loft O Limiar do Invisível, o luxo está na precisão das escolhas, no uso contido dos materiais, na presença da arte e na capacidade de criar silêncio dentro de uma mostra. “Para mim, o luxo silencioso está naquilo que não precisa se impor. Ele se revela aos poucos, quando o olhar desacelera”, resume Lu.
SERVIÇO:
O quê: CASACOR Santa Catarina | Balneário Camboriú 2026
Quando: De 7 de junho a 19 de julho de 2026
Horários: Terça a sábado, das 13h às 21h. Domingos e feriados, das 13h às 19h. (Horário de funcionamento da bilheteria. Encerramento da mostra 01 hora após o fechamento da bilheteria). Nas segundas, casa fechada (não há expediente).
Onde: Pericó Residence – Rua 3710, nº 60 – Centro, Balneário Camboriú (SC)
Fotos: Lio Simas
Foto Lu: Camila Stuart
Autoria:
Casa de la Gracia Comunica