Jornal Tribuna

Empresas redesenham áreas comerciais para atender consumidor que compra sozinho

Por edicao·
Empresas redesenham áreas comerciais para atender consumidor que compra sozinho

Mudança no comportamento acelera investimentos em automação, mídia digital e vendas com menos dependência de atendimento humano

Em muitos setores, vender deixou de depender de grandes equipes comerciais. À medida que consumidores passaram a pesquisar produtos, comparar preços, assistir avaliações e concluir compras praticamente sozinhos, empresas começaram a automatizar etapas da jornada de compra e reduzir estruturas tradicionais de atendimento.

O movimento ganhou força durante a pandemia e continuou avançando nos últimos anos. Em vez de concentrar investimentos em equipes extensas e comissões elevadas, parte das empresas passou a direcionar orçamento para mídia digital, automação e aquisição online de clientes.

Os números ajudam a medir essa mudança. Segundo a pesquisa Panorama de Marketing e Vendas 2025, da RD Station, 58% das empresas brasileiras já utilizam inteligência artificial em operações ligadas a marketing e vendas. No varejo, o avanço também aparece no consumo digital. De acordo com informações da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM) publicadas no início de 2026, o setor faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, registrando um crescimento de 15,3% em relação a 2024.

Para o especialista em marketing de performance Thiago Weirich Barreiros Silva, a principal transformação está no comportamento do consumidor. “Uma parcela cada vez maior das pessoas prefere resolver boa parte da compra sem interação direta com vendedores. Quando o contato acontece, muitas vezes a decisão já está praticamente tomada”.

Natural de Florianópolis, Thiago começou no mercado imobiliário em 2011, quando a captação de clientes ainda dependia de plantões presenciais, panfletagem e atendimento físico. Segundo ele, anúncios digitais ainda eram pouco explorados no setor. “Os custos eram muito baixos e praticamente não existia concorrência profissional no digital. Quanto mais eu investia, mais clientes apareciam”.

Durante a pandemia, ele percebeu uma mudança acelerada no comportamento dos compradores. Visitas por videochamada, envio digital de documentos e negociações sem encontros presenciais passaram a fazer parte da rotina. “O consumidor deixou de procurar informação no vendedor. Hoje, ele chega muito mais preparado. Já pesquisou preço, localização e condições de pagamento antes mesmo do primeiro contato”.

Segundo o especialista, a lógica que começou no mercado imobiliário passou a se espalhar por outros segmentos. Em operações de menor ticket e contratação mais simples, empresas passaram a estruturar jornadas quase totalmente automatizadas.

Em uma operação da área da saúde acompanhada por ele, por exemplo, planos de baixo valor mensal passaram a ser vendidos sem depender de equipes comerciais extensas. O consumidor vê o anúncio, acessa a página, tira dúvidas e conclui a contratação sozinho. “O valor que antes ficava concentrado em comissão passou a retornar para aquisição de novos clientes. Isso reduz custo operacional e aumenta a capacidade de crescimento”.

O avanço da automação também começa a impactar indicadores financeiros. Segundo levantamento da HubSpot, empresas que utilizam automação em marketing e vendas tendem a gerar mais produtividade comercial e maior velocidade no acompanhamento de leads.

A transformação também altera o perfil das equipes comerciais. Funções mais operacionais tendem a perder espaço, enquanto profissionais com atuação consultiva seguem valorizados em negociações mais complexas. “O papel do vendedor mudou. Em muitos casos, a conversa deixou de ser convencimento e passou a ser validação da decisão”.

Para Thiago, empresas que conseguirem equilibrar eficiência operacional e experiência do consumidor devem ganhar vantagem competitiva nos próximos anos. “Em muitos setores, a discussão já não é mais se a venda será automatizada, mas em quais etapas o contato humano continuará economicamente necessário”, conclui.

SOBRE

Thiago Weirich Barreiros Silva é especialista em Marketing de Performance e Inteligência Artificial, com mais de 11 anos de experiência em mídia paga e mais de duas décadas em vendas. Ao longo da carreira, contribuiu para a geração de mais de R$ 1.5 bi em vendas, atuando principalmente em mercados de alto valor. Fundador da W4Digital, desenvolve estratégias focadas em performance, automação e aquisição de clientes, ajudando empresas a escalar resultados por meio de dados e tecnologia.

Autora:

Rowena Romagnoli

Comentários

Deixe um comentário