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Como definir os arranjos de flores e folhagens nos projetos residenciais

Por edicao·
Como definir os arranjos de flores e folhagens nos projetos residenciais

Da escolha das espécies ao posicionamento da luz, a arquiteta e paisagista Denise Barretto reitera como as plantas reforçam a linguagem e a atmosfera dos ambientes

Existe algo de intuitivo na forma como as pessoas se relacionam com as flores e plantas arquitetura de interiores. Muitas vezes, antes mesmo de perceber um revestimento, uma obra de arte ou um móvel, o olhar é atraído por uma composição vegetal capaz de trazer cor, textura e vida aos ambientes. Talvez por isso os arranjos ocupem um papel tão singular nos projetos residenciais: embora pareçam naturais e espontâneos, raramente são fruto do acaso. 

Para a arquiteta e paisagista Denise Barretto, cada arranjo carrega intenções que extrapolam a ornamentação. A escolha das espécies, dos vasos e até a forma se relacionam no ambiente contribui para reforçar conceitos e despertar sensações.“Um arranjo nunca é apenas um conjunto dentro de um vaso. Existe uma intenção por trás e uma narrativa que se soma ao que desejamos proporcionar dentro do décor de interiores”, argumenta. 

Paisagens que florescem dentro de casa
A estante e as plantas trepadeiras que ornamentam a estante de serralheria e madeira que compõe a cozinha integrada com o estar | Projeto Denise Barretto Arquitetura | Fotos: Rômulo Fialdini
A relação de Denise com os arranjos vem acompanhada por sua paixão pelo paisagismo, que também integra sua formação profissional. Assim, ela procura transportar para o projeto residencial uma mesma sensibilidade semelhante aos jardins. “As espécies criptógamas, como são denominadas as plantas sem flores, e os arranjos com folhagens e flores dialogam com a paleta, os materiais e com a proposta do projeto da mesma forma que qualquer outro elemento da arquitetura”, afirma. 

Segundo a profissional, as flores não devem ser tratadas como peças isoladas, pois o resultado de sua beleza é exaltado quando o arranjo explora a conexão visual com folhagens diversas e recipiente escolhido para elas. “Procuro reunir as espécies com e vasos que compartilhem uma linguagem coerente e natural. Quando essa relação acontece, tudo parece pertencer ao mesmo universo”, observa.

O verde já faz parte do projeto
Nessa varanda pela arquiteta e paisagista Denise Barretto as plantas já foram consideradas desde a etapa de projeto | Foto: Divulgação
Enquanto muitos encaram os arranjos como uma etapa final da decoração, Denise os considera desde os primeiros estudos. Em seus projetos, vegetações e composições florais já aparecem nas imagens tridimensionais apresentadas aos clientes, participando ativamente da concepção dos ambientes. 

“As plantas entram no projeto desde o início, corroborando para definir a personalidade dos espaços e influenciar diretamente na maneira como as pessoas vivenciarão cada ambiente”, revela.Essa integração entre arquitetura, interiores e paisagismo contribui para resultados mais consistentes.

A luz como aliada das composições
Para a arquiteta e paisagista Denise Barretto, a escolha do local onde a planta será posicionada é tão importante quanto a seleção da espécie. A profissional recomenda privilegiar áreas bem iluminadas, seja pela incidência de luz natural ou pelo apoio de spots e luminárias que contribuam para evidenciar a composição vegetal | Foto: Rômulo Fialdini
Se a escolha das flores é fundamental, a iluminação também merece atenção especial. Quando bem planejada, ela valoriza volumes, evidencia texturas e destaca nuances que muitas vezes passam despercebidas durante o dia. 

“Ela uma grande aliada do paisagismo, pois evidencia formas, ressalta detalhes e confere novas interpretações ao longo das diferentes horas do dia”, explica Denise. Além do aspecto estético, a luz também contribui para direcionar o olhar e valorizar pontos estratégicos do projeto.

Flores com personalidade
A escolha do alho-silvestre neste projeto da arquiteta e paisagista Denise Barretto se destaca pelo seu viés ornamental: caules flexíveis e curvos e as cabeças florais, que parecem pequenas constelações suspensas, desenham linhas no espaço | Fotos: Rômulo Fialdini
Entre suas espécies favoritas estão flores que carregam forte presença visual e características marcantes.“Tenho um carinho especial pelas proteas, antúrios, crisântemos de todas as cores e as camélias. Amo flores antigas e aquelas mais rústicas que, ao mesmo tempo, exalam personalidade”, relata. Para Denise, a escolha das espécies deve levar em consideração não apenas a aparência, mas também a mensagem que se deseja transmitir por meio da composição.

Perfume na medida certa
A proporcionalidade é um dos critérios fundamentais na escolha das plantas, segundo a arquiteta e paisagista Denise Barretto. Além do porte adequado para cada ambiente, a profissional recomenda atenção às características sensoriais das espécies. “Em ambientes compactos, plantas muito perfumadas deixam o cheiro bastante concentrado,”, pontua | Fotos: Rômulo Fialdini
As flores também são capazes de despertar memórias e emoções por meio dos aromas. Ainda assim, a arquiteta faz um alerta para os excessos. “Elas trazem sensações muito agradáveis, mas o perfume em excesso pode se tornar incômodo. Entendo que em algumas ocasiões desejamos arranjos mais volumosos, mas antes de selecionar é interessante avaliar o seu nível de perfume”, orienta. 

Por fim, ela enfatiza que o objetivo sempre é o de complementar a experiência do ambiente, mas sem disputar protagonismo. “Quando flores, iluminação, arquitetura e decoração estão em sintonia, o resultado é um espaço mais acolhedor, elegante e cheio de significado”, conclui.

Autor:

Alexandre Agassi

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